Sábado, 16 de Fevereiro de 2013
LIV

A escalas diferentes, ideias semelhantes têm comportamentos diferentes. Diz a sabedoria popular que quando ralham as comadres, descobrem-se as verdades. Diferente é o caso das agências de notação, donas de um poder arbitrário ou sujeitas ao poder arbitrário de uma minoria humana que joga com a vida e dignidade da grande maioria da população humana, segundo uma lógica de um egoísmo que, infelizmente, nem sequer tem as virtudes da seleção natural. De facto, a forma como a economia neoliberal funciona não é, de todo, conforme à lógica malthusiana que permite a sobrevivência do mais apto porque a dinâmica fundamental do capitalismo contemporâneo já descartou as próprias pessoas do processo daquilo que é seleccionado: os senhores do capital não geram famílias de senhores do capital, mas dependentes tão medíocres e incapazes de qualquer género de sobrevivência quanto qualquer um dos escravos da burguesia. A capacidade de fazer dinheiro, ou de o inventar, ou de usufruir do seu poder, não está no ADN, não é transmissível de um ponto de vista evolutivo. Além disso, a espécie humana deixou de lado, por completo, o objetivo primordial de qualquer espécie biológica, que é a sua perpetuação, já que o poder destruidor da civilização neoliberal não se limita à destruição de outros grupos humanos rivais, como aconteceu ao longo da história, mas pode levar à destruição das próprias condições para a permanência de quem quer que seja. No percurso evolutivo, a consciência humana é um resultado brilhante e extraordinário, mas secundário, de uma excrescência doente de um dos ramos da vida, que ameaça toda a árvore. Ralham as comadres, mas as verdades não se descobrem. Sempre estiveram expostas ao olhar de quem quisesse ver. A maioria, desprovida de consciência, prefere os olhos vendados e exulta com as promessas dos mercados, divina cornucópia da abundância e da razão. Podem esperar sentados.

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publicado por Manuel Anastácio às 11:11
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