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Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2012
Pietro Fornitano Roveri (1984-2012)

Outros deixarão o mesmo rasto

de poeira luminosa e gratidão.

Outros caminharão sobre os verdes pastos

da imensidão onde foste pastor.

Outros deixarão poemas

na forma de frases simples, claras

e sem outro sentimento que o sentimento

a que se dá o nome  de Verdade.

Outros caminharão na estrada da Liberdade

E como tu, não se calarão

Nem no perfeito mergulho na Eternidade.

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Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2011
10º Aniversário da Wikipédia

Sábado, a Wikipédia faz anos. Quem tiver paciência para me aturar a meter os pés pelas mãos poderá ver-me e ouvir-me ao vivo, como orador, nas celebrações, em Portugal, no Instituto Superior Técnico em Lisboa. Como histórico wikipedista, vou falar do nascimento desta instituição. Façam aqui a vossa inscrição. Devo aparecer, também, algures, na revista do Diário de Notícias desse dia.

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Sexta-feira, 24 de Dezembro de 2010
Um presépio

Há dias, a reboque da Maria Helena, fiz um presépio agnóstico no Facebook que tantas alegrias me deu pelos  comentários recebidos como em tristezas me mergulhou pelos mal-entendidos a que deu origem.

 

Hoje, em casa, fiz este presépio. Com peças Made in China e musgo, pedras e paus da Penha de Guimarães. Há muito tempo que não fazia um presépio. Um dos que fiz na casa onde nasci (dos presépios mais fraquinhos que fiz) pode ser visto, à data de hoje, numa fotografia no artigo "Presépio" da Wikipédia (prometo um poema dedicado a quem  descobrir o pormenor subversivo incluído nesse presépio)..

 

Eu gosto de presépios.  Mesmo sendo agnóstico. Ou, talvez, porque sou agnóstico.

 

Este é o meu postal de Natal para todos, sejam crentes, descrentes, católicos, protestantes, adeptos de seitas, religiões falsas, da verdadeira, ou da assim-assim. Deus, a Luz, a Força, a Bondade, a Justiça e o Calor esteja convosco.

 

Prometo dois poemas dedicados a quem descobrir o pormenor herético incluído neste presépio.

 

Cada um dá o que pode, a quem o quiser.

 

 

 

 

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Terça-feira, 20 de Abril de 2010
Curta

Só para não julgarem que estou em coma (e também para me vangloriar um pouco), deixo-vos esta pista sobre o que é que tenho andado a fazer enquanto deixo este blogue quase às moscas. Que, às moscas, não ficou de facto. Há sempre alguém a deixar palavras dignas de registo nos comentários.

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Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009
Provavelmente

Gilbert Bécaud - L'important c'est la rose

 

Não sei se é numas das premiadas traduções de Jorge Luís Borges pelo João Barrento que aparece, a dado momento, a respeito da teologia trinitária, que o Espírito Santo está em eterna procissão em relação ao Pai. Das duas, uma, e ninguém me esclarece: ou o erro saiu do lápis do João Barrento e foi mantido, tendo em conta a sua autoridade intelectual, prescindindo-se de qualquer revisão do texto, ou o revisor não conhecia a palavra processão e decidiu mudar o e para um i. Afinal, estava-se a falar de coisas de padres, é bem provável, que o Espírito Santo ande por aí, em eterna procissão, talvez de autocarro, os cegos dos ateus é que não veem. Ainda assim, faz-me impressão a ligeireza com que os livros são dados à estampa em Portugal, mesmo quando os autores são gente consagrada, ou especialmente nesses casos. Somos um país de Doutores. Toda a gente sabe isso. Até me envergonho de estar a escrever tamanha banalidade. Mas é verdade. Portugal é um país de Doutores. Muitos dos quais, no topo das suas cátedras e escorados em antolhos têm uma especial predisposição à Mourinho para estarem constantemente a posar para um retrato de absoluta autoridade. São esses Doutores que dizem que a blogosfera é um antro de escritores falhados. E não falharão muito nisso, mas também não faltam escritores falhados fora da blogosfera - eu tenho para mim que todos os escritores são falhados, caso contrário, não escreveriam. Escrever é um eterno ato de compensação por uma falha qualquer. É o Inferno em eterna processão em relação ao buraco espiritual que, qual buraco negro do CERN, os positivistas ateus e agnósticos experimentam no coração. Se forem ateus ou agnósticos. Há escritores crentes, mas até esses têm de trazer heresia no sangue para que sejam, de fato, escritores. Têm que ter uma falha. Caso contrário, estão no Paraíso. E no Paraíso está tudo escrito. O Corão, linha por linha, e a Bíblia também. Ninguém precisa de escrever nada. As pessoas perfeitas nem sequer precisam de ler. São elas mesmas a literatura. Lerem-se, seria a autoreferência, e a autoreferência é o paradoxo. E o paradoxo levaria ao fim do mundo. Leva ao fim do mundo. O Mundo provavelmente não existe, porque é que eu hei de estar aqui a preocupar-me? São esses Doutores, alguns deles falhados o suficiente (só que não sabem) para escreverem na blogosfera, que dizem que a Wikipédia tem erros porque é anárquica, e não percebem que há erro em todo o lado, até nas suas cabecinhas laureadas. Deus pôs o fruto proibido ali à mão da coisa porque queria erro. Queria tempo. O tempo é erro. É falha. É a heresia escrita por Deus.

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Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009
Ninfas

Cisnes brancos, foto de S Sepp em Creative Commons e GFDL.

 

Hoje (ontem, em relação à data de publicação deste artigo) a Wikipédia fez oito anos. O colega Eduardo Pinheiro foi à Antena 3 falar sobre aquele que, para mim, é o maior feito da Internet desde que se decidiram juntar computadores a uma escala global. É há de continuar a ser. Entretanto, penso em implementar projectos a nível da escola, para que possa, de novo, voltar a participar naquele projeto que tanto amo sem que tenha de roubar tempo às atividades de carácter pedagógico. O que é complicado. É que os computadores da escola são claramente insuficientes para fazer algo do género, e os computadores da e-escola continuam por aparecer para a grande maioria dos alunos (será que serão entregues na próxima legislatura?).

 

Hoje andei às voltas com a palavra "ninfa", no que diz respeito às metamorfoses dos insectos. Ensinei numa aula que é a fase intermédia entre a fase larvar e o inseto adulto. Depois, li algures: "o gafanhoto passa por metamorfose simples, passando apenas por uma fase larvar ou ninfa". E fiquei confuso. Teria, na próxima aula, de fazer errata das minhas afirmações. Não sou propriamente dos professores que nunca erram e raramente têm dúvidas. E há muitos destes últimos: não me refiro apenas a um certo professor de economia. E, ao contrário da maioria dos meus colegas, não tenho medo de responder "não sei" às perguntas que os alunos fazem (e são muitas), apelando à sua própria pesquisa. Contudo, não é assim. Julgo eu, agora. Ninfa é uma palavra utilizada indiscriminadamente, em português, tanto para definir a forma larvar já algo semelhante ao imago (insecto adulto) dos insetos hemimetabólicos, como a cigarra, como para se referir à fase inativa, intermédia entre larva e imago nos insetos holometabólicos. Como é hábito, a nomenclatura científica em português é confusa a esse respeito. A Wikipédia reflete essa confusão e o artigo Ninfa da Wikipédia em português ainda não esclarece a confusão. Mas há de esclarecer. Acredito que a Wikipédia serve como centro gerador de conteúdos científicos. Sei que os académicos portugueses fogem da Wikipédia-cruz-credo-canhoto-canhoto como o diabo supostamente foge da cruz, mas isso é apenas sinal do provincianismo da nossa elite cultural. Os conteúdos da Wikipédia estão sujeitos a muitos erros, mas ao abrir os portões à participação de todos, principalmente aos não especialistas, está-se a criar um ponto de referência que poderá congregar e descodificar a linguagem obscura que os académicos portugueses tanto gostam de cultivar, para mal do progresso da Ciência em território nacional. E grande parte dessa obscuridade advém de cada académico usar as palavras de forma rigorosa, admito-o, mas cujo rigor se limita ao campo lexical da sua panelinha que, provavelmente, difere de Universidade para Universidade. Um país tão pequeno com tamanho separatismo vocabular a nível das elites é coisa que espanta. A coisa piora, claro, quando passamos a englobar nestas diferenças académicas as versões brasileiras (que as outras lusófonas ainda não têm qualquer expressão). É por isso que é importante cutivar a Wikipédia em português: porque é o único recurso que temos para podermos vir a compreender tanta gíria obscurantista. A Ciência é só uma. A sua linguagem devia ser também, tendencialmente, una. A Wikipédia Lusófona é ainda apenas um reflexo fantasmático do que poderá vir a ser um dia. Mas está a dar frutos. Não nela própria, mas fora das suas fronteiras, entre outras fontes ditas mais confiáveis que começam a reagir criando e disponibilizando conteúdos que, não fosse a Wikipédia, se manteriam nos cofres dos senhores ciosos da sua egoísta sabedoria.

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publicado por Manuel Anastácio às 00:13
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Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008
O Império dos Otários - Parte I

Estação de caminhos de ferro de Vilar Formoso. Painel de azulejos: Ponte da Canharda, Linha da Beira Alta

 

Carlos Nepomuceno, professor e pesquisador no Instituto de Inteligência Coletiva (Brasil), co-autor do livro "Conhecimento em Rede" responde, neste artigo, a uma provocação de Henrique Antoun, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro: "o usuário que colabora [em sites colectivos, como a Wikipédia] é colaborador ou apenas um otário?". Segundo Nepomuceno, desenham-se duas teorias: a hipótese do elevador, em que, perante um problema que urge solucionar, todos falam. Num elevador é normal ficarem as pessoas com o olhar vidrado, incapazes de olhar nos olhos os companheiros que compartilham o espaço, ameaçados que se sentem pela proximidade violadora do seu espaço de respiração pessoal. Contudo, quando o elevador pára, subitamente, encravado em terra de ninguém, todos falam. Todos dão a sua opinião. Todos raciocinam colectivamente mesmo que da conversa nada saia de efectivamente praticável. Assim nasceram os fóruns da Internet. Incapazes de resolver um problema, as pessoas viram-se para Santo Google. Quando Santo Google não ajuda, vai-se a um fórum. Deixa-se a questão. E, com sorte, entre opiniões mal informadas, encontramos a saída que procuramos. A gratidão que nasce do alívio de encontrarmos uma resposta predispõe-nos, depois, a também ajudar outros que venham à procura de ajuda. Lemos as suas perguntas. Por vezes, fazemos a simples pesquisa que o pobre em dúvida não conseguiu, por inépcia, fazer. Ajudamos os outros mesmo que nada ganhemos em troca. Mas esta teoria parte sempre da possibilidade de nos virem, alguma vez, também a socorrer. O altruísmo (ou a qualidade de ser otário, segundo Antoun) não é completo.

 

Resta a teoria de que participa na rede quem procura amor na suas várias formas. Como quem frequenta discotecas, pubs e bares, à procura de alguém a quem se possa mostrar. Alguém que olhe para nós e diga: ah, tu existes. Não tenho a menor das dúvidas de que esta teoria, incorporando a primeira hipótese do elevador, é mais abrangente, explica mais casos. É a mais adequada. Mas não explica tudo.

 

Não explica o facto de o contribuinte da Wikipédia ser, geralmente, anónimo...

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publicado por Manuel Anastácio às 21:48
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Quarta-feira, 2 de Abril de 2008
Vade ultra, Wikipédia

Simão do Deserto de Luís Buñuel (excertos com o diabo). Aconselho vivamente a verem tudo, do princípio até ao fim. É mais edificante do que não parece.

Algumas considerações breves para quem, ao jeito intolerante de certas correntes políticas, está a ceder à tentação de demonizar a Wikipédia, sem ter primeiro reflectido sobre o que ela é:

1. A Wikipédia não é uma enciclopédia.
2. A Wikipédia serve para aprender, não para informar.
3. Usar a Wikipédia como fonte de informação fiável é a mais absoluta das irresponsabilidades intelectuais.
4. Há muitos textos inqualificavelmente maus na Wikipédia.
5. Não há gente disponível em quantidade e com mérito intelectual suficiente na Wikipédia lusófona para que esta tenha o mesmo nível de qualidade (instável) de outras maiores.
6. O que importa na Wikipédia não é a qualidade dos seus textos, é a possibilidade de os podermos alterar na hora ou, havendo reacção contra a alteração, discutir a mesma com pessoas que pensam de modo diferente de nós.
7. Quem não entende os pontos acima deve evitar a tentação de usar a Wikipédia.
8. A Wikipédia é, provavelmente, o melhor (mas também o mais mal utilizado) recurso pedagógico que a internet alguma vez poderia inventar.
9. Um texto mal escrito e aparvalhado numa enciclopédia é inaceitável. Na Wikipédia, é um desafio.
10. Quem não compreende estes dois últimos pontos, como dizia o outro, não é digno de mim...
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publicado por Manuel Anastácio às 23:56
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Sábado, 18 de Agosto de 2007
Wikipédia congela Sócrates

Pelourinho do Sardoal com painel de azulejos ao fundo alusivo a um auto de Gil Vicente. Foto minha, que deixou de ser minha porque a dei a todos. O primeiro link vai dar a um artigo que precisa de mão de obra. O segundo a um artigo que até nem está mau.

Ontem fiquei abismado com a notícia da SIC sobre as alterações, provenientes de computadores do Governo, na entrada de José Sócrates na Wikipédia. Não porque a notícia seja, em bom rigor, notícia sequer - é uma treta sem consequências morais, éticas ou deontológicas, até porque quem fez as alterações até pode ter sido o filho da mulher da limpeza, pouco depois de ter alterado algumas coisitas no artigo "Eragon" (como aconteceu, de facto - ou no artigo pênis, onde ficamos a saber que também é preciso ter cuidado com a hepatite B quando se faz sexo oral, ainda que não tenha apresentado referências bibliográficas)  - mas porque o mau jornalismo, tanto na SIC como noutros locais é gritante. Ninguém se dá ao trabalho de informar o que é a Wikipédia. Até parece que o vandalismo foi feito por piratas informáticos pagos pelo governo... E, pior ainda, houve quem pensasse que os administradores da Wikipédia decidiram proteger o artigo do meu muito bem amado PM (que, por conta das suas políticas de educação, só tem dignificado a minha profissão, como é bem sabido) sob ordens directas do gabinete de José Sócrates. Eu senti-me nas nuvens... Até que não era mau. Ganhava-se alguma coisa com isso?... Estou a falar de pilim, cacau, subornos, essas coisas... Essas coisas que a Wikipédia não dá a quem nela participa... Não era mesmo mau. Ou, então, um bom job aqui para o boy: ficava de olho nos artigos do governo e dava cacetada nos IPs que quisessem dizer mal do governo... Na... É muito chato. Prefiro ir fazer um artigo sobre petréis-mergulhadores. São bichos simpáticos, que ninguém vandaliza (na versão teórica, claro - que na vida real muito chumbo devem levar eles). Ainda que não ganhe nada. De pilim. Cacau. Money. Só amor-próprio e essa coisa estranha chamada... conhecimento pelo conhecimento. Mais um grão de sabedoria no vasto deserto da minha ignorância.
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publicado por Manuel Anastácio às 14:02
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Segunda-feira, 9 de Julho de 2007
Wikipédia: Enciclopédia?

Bráulio e Santo Isidoro de Sevilha - Meister des Codex 167

Continuando as respostas ao Hélder Beja:
- Considera ter os conhecimentos suficientes para participar na feitura de uma "enciclopédia universal"?

Ninguém tem conhecimentos suficientes para escrever uma enciclopédia universal. E a Wikipédia não é uma enciclopédia universal. Eu mesmo não considero a Wikipédia uma enciclopédia. Como já referi atrás, a Wikipédia é um recurso de conteúdos livres, constantemente em actualização e em debate, além de estar sempre vulnerável a vandalismos de ordem vária. Por isso, é absurdo imaginar a Wikipédia como fonte bibliográfica para um estudo sério. Mas, e puxando a brasa à minha sardinha, se alguém quiser começar a estudar, por exemplo, os afídeos, encontrará na Wikipédia um texto que é, provavelmente, o mais completo sobre o assunto publicado na Internet em língua portuguesa. Eu sei que esse artigo foi escrito por mim com toda a seriedade, baseado em fontes bibliográficas que estão discriminadas no próprio artigo. Um estudante que pegue naquele texto, não vandalizado, terá uma excelente base de apoio para um estudo próprio que deverá ser apoiado por investigação em outras fontes bibliográficas. Há quem veja a Wikipédia como uma inimiga dos suportes bibliográficos tradicionais. Isso é uma estupidez. A Wikipédia, bem usada é, antes, uma enorme aliada dos suuportes bibliográficos tradicionais porque a Wikipédia exige uma leitura crítica. A Wikipédia não serve a papinha toda feita, como alguns críticos dizem (e mal). A papinha da Wikipédia está tudo menos pronta para consumo imediato – exige reflexão, consulta de fontes alternativas, confrontação de dados. E, claro, o melhor meio para isso será contribuir para a própria Wikipédia, melhorando os textos (a nível ortográfico, de organização e a nível da própria informação veiculada) e participando na discussão dos artigos. Cada artigo tem na parte superior uma aba que diz "discussão" onde podemos criticar o artigo e propor melhorias ou justificar as melhorias que fizemos no artigo. Claro que, por vezes, aquilo que consideramos melhorias é visto como vandalismo por outros utilizadores que se poderão sentir lesados nas suas crenças ou opiniões políticas devido ao conteúdo dos artigos. Nesse caso, a discussão dos artigos serve como excelente meio de diálogo e de "negociação da verdade". Esta "negociação da verdade", que tanta comichão provoca num dos meus colegas Wikipedistas, é na verdade, a essência política da Wikipédia. Muitos críticos chamam-na de "marxismo cultural" ou, simplesmente, da ditadura do "politicamente correcto". Na minha visão das coisas, a Wikipédia terá, de facto, de ser sempre politicamente correcta porque pretende ser objectiva, limitando-se aos factos. Para isso é necessário encontrar uma formulação textual que agrade a Gregos e a Troianos – o que é difícil e, mais que isso, um processo que nunca acaba. Basta verificar o histórico dos artigos sobre religiões. Alguém insere uma crítica ou acusação a essa religião e outra pessoa apaga essa crítica. Discute-se o assunto com muitas reviravoltas e ânimos exaltados - como acontecia, aliás, quando não existia ainda Wikipédia: a diferença é que na Wikipédia, se os utilizadores estão de boa fé, estão interessados realmente em encontrar uma solução de compromisso. A maior parte das vezes, o texto fica um pouco estropiado e instável, alternando o ataque com a defesa de determinadas opiniões. Muita gente critica esse estilo atabalhoado de muitos artigos da Wikipédia. Isso seria, de facto, criticável, se o texto da Wikipédia fosse um artigo literariamente acabado. Não é. Estamos perante um processo. E como os conteúdos da Wikipédia são livres, todos são livres de pegar nesses textos e, publicando-os ainda em GFDL (que permite a alteração dos conteúdos e o seu uso comercial), de escrever um artigo, publicado noutro local qualquer, onde se poderá dar a coerência de conjunto que tanta gente valoriza. Eu, por mim, preferirei sempre o texto atabalhoado, não fixo, da Wikipédia, porque na Wikipédia o texto funciona como um organismo vivo sujeito a mutações e a metamorfoses, a doenças e mesmo à extinção – mas também ao amadurecimento, ao desenvolvimento e à disseminação. E todos têm acesso a essa história de cada artigo: basta carregar na aba superior, acima de cada artigo, para esse efeito. Claro que isso exige tempo. É que a Wikipédia, sendo um produto da Internet e da "rapidez" do fluir da informação é, paradoxalmente, um excelente meio para a valorização da leitura lenta, crítica e atempada. Claro que uso frequentemente a Wikipédia para encontrar alguma informação que me seja necessária no momento, sem grandes preocupações de rigor, dependendo do objectivo que tenho na altura. Por exemplo, para me informar sumariamente sobre quem foi uma pessoa, a Wikipédia pode servir perfeitamente para me informar. De facto, até as fontes bibliográficas tradicionais têm erros – e muitos. Aliás: quando estou a escrever artigos para a Wikipédia é que me apercebo da quantidade de erros que existem em livros de autores conceituados. O que é ainda mais perigoso que encontrar um erro na Wikipédia, porque aí, o erro passa a ter autoridade por ter sido escrito por alguém que tem essa autoridade. Enquanto que se eu disser que uma determinada informação foi retirada da Wikipédia, o meu interlocutor pensará duas vezes antes de acreditar. Isso não é mau. É muito bom. É por isso que continuo a defender que a Wikipédia deve continuar a poder ser escrita por todos – e, principalmente, por aqueles que ainda estão, assumidamente, num processo de formação (os alunos do ensino básico, por exemplo). Os utilizadores formados academicamente serão, com certeza, uma mais valia para o projecto – mas serão ainda mais se aceitarem esse carácter universal do escritor da Wikipédia. Uma enciclopédia onde Freud não teria, nunca, a primazia para escrever um artigo sobre a psicanálise, porque o objectivo aqui não é dar voz aos autores consagrados em determinada área, mas voz aos leitores – a todos os leitores, até àqueles que escrevem mal e que interpretam mal o que lêem. Na Wikipédia estamos sempre a ler "leituras" pessoais. Quem não tiver a abertura de espírito para compreender o que isso é não deve utilizar a Wikipédia, porque não saberá o que está a fazer.

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