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Segunda-feira, 16 de Abril de 2012
Terceira canção última

Os estandartes vermelhos da penumbra

segredam promessas de bom tempo a quem conta ficar

mais um dia ao teu lado. E o calor que se escapa das pedras

passa por mim sem resistência. Não há, em ser, coerência

para mais um dia. Nem ciência que me cure desta invernia

em que entro, em pleno estio.

Tenho frio.

 

As muralhas cinzentas da manhã não terão já sentinelas

nem os meus passos encontrarão nelas o rasto dos teus.

A fome que tinha de ti, gravada em fotografia digital,

por ninguém será resgatada da cache universal

onde depositámos os nossos segredos,

esquecidos que estávamos da quarta parede.

Tenho sede.

 

O abismo gélido do meio dia será repasto de aves de rapina

com olhos de angélica virgem com pestanas de vadia.

Ter-me-ás abandonado.

Terei deixado as palavras e nem os sonhos nos ligarão.

Seremos talvez os sonhos.

Seremos talvez

 

As formas que as nuvens tomam quando não as vemos.

Seremos talvez isso.

O corpo morto sobre o qual se oficia o feitiço

Nada faz. Mas traz

de volta

a quarta parede

virada para uma plateia vazia

 

O abismo gélido do meio dia.

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publicado por Manuel Anastácio às 23:16
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Segunda-feira, 2 de Abril de 2012
Jura de amor

As coisas belas duram o instante em que são belas

E nelas há a eternidade do instante

e a permanência do que é distante

E daquilo que nelas, em luz floresce.

E quando as coisas belas perdem as graças

que as fizeram belas,

têm, ainda nelas, a graça daquele instante

em que nelas se acolheram

todas as estrelas.

Podem as coisas belas deixarem de ser belas

mas há sempre nelas um instante

de eternidade, e a gratidão de quem a elas não foi distante

verá, sempre, nelas, que são belas

porque se acolheram nas estrelas

do céu distante, no olhar terno de quem delas

foi,

desde esse instante.

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publicado por Manuel Anastácio às 17:00
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Domingo, 1 de Abril de 2012
À boca de cena

 

 

Transforma-se o amor em universo

E o desejo num lugar pequeno

Ou no inverso, o antídoto em veneno.

Transforma-se o sangue em rio

E o rio, enquanto rio, em oceano.

 

(cai o pano.)

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publicado por Manuel Anastácio às 15:11
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Sexta-feira, 21 de Outubro de 2011
Pêndulo

Ela citava Foucault

"Escrevo para ser amado".

E dizia como quem diz

"Minto para ser adorado"

E forjava céus de cristal

Sobre mares de cobre isentos de sal.

Nuvens de marfim.

Eu minto porque só na mentira que me preside

Reside o receptáculo da gratidão.

Basta uma verdade fugir-me da boca, uma que seja,

E desfaz-se o céu em liquefeito alcatrão

Escorrendo, negro, dos lábios fétidos da multidão.

Porque a verdade é uma prostituta envergonhada.

Calo-me, então, para que seja desejada

A minha crisóstoma abertura,

Mas além da ranhura, nem um gato se acocora

Na vaga espera de uma mosca que o mantenha acordado.

Mentes mas não és, mesmo agora, adorado.

A tua carne não apodrece, não te traga a terra

E os devotos não te santificam em uso de preceitos

Que fazem residir a santidade na carne seca.

Nem carne, nem palavra.

Não escrevas para ser amado.

Escreve apenas porque amas.

Resigna-te também nisso.

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publicado por Manuel Anastácio às 23:30
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Sexta-feira, 20 de Maio de 2011
Jogo

Filhos da opressão e do silêncio

Filhos da ingratidão

Geramos, adoramos  com incenso

A imensidão,

Perversa mansidão

De inerme inconsciência.

Um lenço

Cai,

Como a Inocência,

Das mãos de uma criança,

E penso:

Cai,

Primeiro passo de dança.

E vai, tens de apanhar o lenço antes do outro,

Vai.

Avança

Joga. Humilha. Apanha o lenço imenso

Que cai das mãos dessa criança.

Vai. Avança. Enquanto todo o sonho contido no sorriso que vos unia antes do jogo

Se esvai.

Cai.

Vai.

Avança.

Não penses. É apenas um lenço que cai

Das mãos de uma criança.

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publicado por Manuel Anastácio às 23:20
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Domingo, 3 de Outubro de 2010
Leito comum

Era o pior de todos os tempos.

Era o melhor de todos os tempos.

Era, por fim, o início,

O caminho e a certeza do precipício. a qualquer passo.

Tinha a certeza de que dos meus braços de espinhos

Só flores poderiam surgir

E que os meus gestos imperfeitos

Não eram erros a corrigir.

Era o tempo de todas as certezas

Era o tempo de todas as incertezas

De todos os beijos que não demos e que escondemos

Atrás

Da nossa voz.

Porque era, de todas as idades, a mais perfeita

E a mais desfeita em chagas e impuras ilusões.

Era o melhor de todos os tempos.

Era, foi e será. Mais agora, em que somos,

De todas as idades e momentos,

Apenas humidade, silêncio,

Respirar, claustro de sonhos,

Beijos manchados pelo desejo, cabo de todos os tormentos.

O melhor dos tempos ardeu já nas palavras que trocámos

Quando os nossos lábios nem tocarem-se podiam, manchados pela distância.

A paixão consome o fogo do regresso

No óleo sacro extracto em frio, tremor e ânsia,

E chamar de amor às cinzas

É apenas sapiente dor extraída de arrogância.

Não são estes os melhores de todos os tempos.

Nas horas segredam segundos agudos como feridas

E a cada meia hora repetem-se as partidas sem que se anuncie qualquer chegada.

Não é o melhor dos tempos

Não é o pior dos tempos

É apenas tempo de assim o tornar

Ao, a ti, em ti retornar, no nosso leito, manchado

Por todos os tempos imperfeitos

Em que foi o nosso amor, perfeito,

Declarado imperfeito, desfeito, vil ou apagado.

Hoje é o melhor de todos os tempos.

Porque, vencido o orgulho dos maus momentos,

Voltei a acordar contigo, mais um dia, apimbalhadamente apaixonado.

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publicado por Manuel Anastácio às 22:52
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Terça-feira, 22 de Junho de 2010
Trilha de ausências

 

Para a Gláucia Lemos

 

Hoje, atrasou-se um trem

E eu esperei

Por quem se atrasaram as horas.

Esperei,

Vendo os ponteiros embicando na direção do pérfido mecanismo com que o tempo anda.

Esperei,

Atrasando, em minha espera, despedida e reencontro.

Esperei

Que viessem anjos descendo pelos carris, como em escada de Jacó.

Esperei

Que as maduras palavras da minha boca caíssem como vinho na taça da solidão por quem, como eu, pelo trem,

Esperei.

Esperei sinceridade na voz de quem me ouvia.

E tanto que esperei. E ele, por quem os segundos rugem, sem chegar. O trem

Sem pisar as ervas que cobriam os carris, castanhos de ferrugem, sem chegar.

E eu, sem lugar onde pousar os dedos

Além da espera, além de desaparecer. Além das subtilezas da natureza do Ser que espera.

Esperei que fosse apenas eu.

Que o tempo não tivesse parado naquele tempo sem fim

Em que a espera fingia que o tempo passava

Como um trem que jamais partiu.

 

Tenho um texto em preparação, rabiscado em restos de folhas da escola, com fragmentos de uma resenha mais objectiva sobre os poemas "adultos" de Gláucia Lemos (note-se que só li, até hoje, livros "adultos" da Gláucia) mas, não podendo, por agora, deixar uma análise mais detalhada dos caminhos metafísicos dos seus poemas, socorro-me da linguagem mais sucinta que conheço. A dos poemas.

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publicado por Manuel Anastácio às 23:19
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Domingo, 20 de Junho de 2010
O ano da morte do meu ortónimo

A Saramago, apesar de tudo

 

Quando o Senhor, do alto de uma nuvem extinta de papel celofane, disse

Faça-se tinta,

Houve uma gota caída no chão

Que a porosidade faminta do que é pequeno e vão destilou em narrativa e alegoria

Alheia à sua visão de céu e ira,

Calcada pelo ouro dos seus pés,

Ignorada do seu mundo de mentira.

Até que um dia, o Senhor caiu. E viu

Plasmado em chá embebido em grés,

O que apesar Dele se criou e Dele foi dividido,

Apesar de tudo, em tudo, e ao invés

Do que Dele, Nele fora, mas não para sempre, preterido.

 

E houve nele, e fora dele, um novo dia.

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publicado por Manuel Anastácio às 19:02
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Sábado, 19 de Junho de 2010
Leitura Obscura

Naqueles dias,

debaixo dos ramos verdes que dos eucaliptos queimados,

em caos, irrompiam,

esperámos que, gravada na névoa dos horizontes,

se lesse um outro mandamento

escrito no suave movimento de entrelaçar,

como soíam ser aqueles dias.

Libertai-vos uns aos outros

Como eu vos quis libertar.

 

Naqueles dias,

debaixo das ramagens dos carvalhos torcidos

Foi-nos dada a senha,

Mas o entono da iniciação não nos irrigou a alma,

Nem nas minhas frontes se reflectia, em fluorescência, a tua imagem.

Naqueles dias não desci até ti com as tábuas,

Mas com as argolas de ouro com que se enfeitam os porcos.

Naqueles dias

Leste-me a alma no sumiço dos meus olhos

Naqueles dias

Em que as almas ainda se liam como os jornais,

Na diagonal.

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publicado por Manuel Anastácio às 10:22
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Terça-feira, 8 de Junho de 2010
Sete pecados capitais: Luxúria

Não é palavra esta surda vogal

Sem estilo,

Sem contenção e sem qualquer sentido de conveniência,

Alheia a qualquer edénica regra de abstinência.

Não é palavra nem discurso, nem no decurso da sua acção há,

Mais, nisto, que a eterna incipiência de quem se afunda na sábia insipiência do nada que é tudo.

Há, nisto um mito, pois.

Uma epopeia. Um cais. Um grito, uma partida, arremetida, um ponto de chegada. Fundação.

Não é palavra este pecado original

Orgia, deboche, fornicação.

Prazer incinerado nas fornalhas do Bem e do Mal.

Mastros que se erguem, em surda peregrinação,

Infernos onde se perdem em alquímica transmutação o que fomos,

O que quisemos ser,

E o que em nós houve de querer.

Não é palavra esta surda vogal A

De espanto ou E

De dor, de breve reclamação fingida ou I

De chiar alheio às convenções ou o O

Do inevitável grito de todas as perfeições, ou um prolongado U

De líbidos insatisfeitas

Que se apagam num sorriso doentio de desejo

Entre olhares perdidos de almas feridas, incompletas, imperfeitas.

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publicado por Manuel Anastácio às 21:27
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