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Segunda-feira, 21 de Maio de 2012
Os Verdes Anos

Indígena Ashaninka Aldeia Apiwtxa/Ashaninka Acre, Brazil © Pedro França/MinC

 

Éramos crianças

e só sabíamos que queríamos, da vida, amar.

Esperámos um pelo outro

e quando nos encontrámos

éramos crianças

ainda.

E finda a passagem aberta pela folhagem aberta pelas tempestades

da nossa inocência,

Encontrámo-nos ainda crianças.

Trocámos alianças,

beijámo-nos,

sem outras esperanças

que amarmos.

Pisámos o chão dos amantes envergonhados

e, apaixonados,

duvidámos que ainda o fôssemos. Crianças.

Éramos crianças ainda,

E duvidámos de o ser.

Iam as laranjeiras desfolhadas

amadurecendo;

Iam os limoeiros solitários

ao peso vergando

dos frutos verdes,

e éramo-lo, ainda: crianças,

trincando o azedo perfume da acidez,

mordendo, à vez,

a erva amarga da limpidez

que tardava, no nevoeiro,

sendo nós inda crianças.

Éramos luz fosca indefinida,

ramagem indevida ao vento vergada,

invernia invertida na nossa peugada,

passos de éguas fecundadas pela arajem.

Dançámos ao som das ladainhas

de pinhas que se abriam sobre nós.

Debruçámo-nos sobre o tormento de sermos sós,

e sobre nós derramou-se um chuviscar resinoso

de desejo de eternidade.

Recusámos até o cálice venenoso de outra verdade

que não fosse a nossa.

Hoje, crianças,

trocámos alianças,

sem outras esperanças

que sermos, do que fomos,

retas perfeitas entre lembranças.

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Quinta-feira, 22 de Março de 2012
Bestiário I

Um gafanhoto mexe as mandíbulas sem osso

Uma formiga-leão alada olha desconsolada

Os pais dos que serão mortos pelos seus filhos.

Seguem, insetos, os trilhos do nada

E no nada são tudo o que a vida alguma vez quis ser.

Uma carraça espreita a seara de sangue de uma só colheita

Um pardal alheio ao mal e à injustiça

Ouve com preguiça o canto de um santo esfarrapado,

E sobre um estrado, um pombo larga parasitas

Sobre outras caganitas onde bactérias fecais

Fazem bacanais, mas sem maldade.

Sem piedade,

Um louva-a-deus cuida dos seus

Dando o pescoço à maternidade.

E os vermes, pouco dados à estética,

Dão uma aula peripatética sobre a decomposição em fatores primos.

Uma ave-do-paraíso, sem do bem ou do mal fazer juízo,

Aceita o impreciso fluir das escolhas

E morre sem outra angústia que a angústia de morrer.

E os búzios, sem nada ouvir,

Fingem repetir o que não lhes foi dado, jamais, a discorrer.

Artigos da mesma série:
publicado por Manuel Anastácio às 21:46
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Terça-feira, 6 de Março de 2012
Uma coisa assim como quem não vai para ali

No meio do caminho da nossa vida

encontrei-me numa floresta escura e maldita

onde a estrada do bom caminho estava mal escrita.

 

Ai,

Como encontrar o bom caminho era sem sentido.

Voltei atrás.

Encontrei-te.

E o purgatório que fosse dar uma volta,

que o Paraíso era já ali.

Ah, que bom ter um bom livro para escrever

e não o fazer. É melhor ler. E, já agora,

Dormir,

Esquecer.

Para voltar atrás e voltar a conhecer

aquilo que nos faz sorrir por ser tão simples.

Dormir também é viver.

 

E recordar é esquecer.

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publicado por Manuel Anastácio às 21:40
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Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012
Cantiga de desamigo

Dona Senhora feia

Que me fazeis fastio,

Ai Deus, não mereço o enguiço

De vos não desamigar.

 

Dona Senhora feia

do sorriso postiço,

Por Deus, não mereço o enguiço

de vos aturar.

 

Senhora dona feia

- se sois senhora e não só meia,

que a meia coisa de mau feitiço

fazeis por vos aparentar.

Podeis até nem ser senhora

E em vez de passarinha ter chouriço

Mas não me causeis o enguiço

De convosco me cruzar.

 

Senhora dona feia,

que em má hora pediste amizade,

Ou pedi eu, pelo demo embarcadiço,

podeis ser a flor do caniço,

Que o demo, pardeus, que nos amigou,

Já me vos fez desamigar.

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Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2012
Pietro Fornitano Roveri (1984-2012)

Outros deixarão o mesmo rasto

de poeira luminosa e gratidão.

Outros caminharão sobre os verdes pastos

da imensidão onde foste pastor.

Outros deixarão poemas

na forma de frases simples, claras

e sem outro sentimento que o sentimento

a que se dá o nome  de Verdade.

Outros caminharão na estrada da Liberdade

E como tu, não se calarão

Nem no perfeito mergulho na Eternidade.

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Segunda-feira, 17 de Outubro de 2011
Mário Elias (1934 - 11 de outubro de 2011)

 

Um copo vazio à espera

De lábios sedentos da carícia

de uma Primavera.

Uma qualquer, desde que cheire a poejos pisados

Sobre os calhaus rolados

Numa calçada de Mértola.

Nunca li um poema teu

Para além dos quadros com Alentejanos

e porcos, sempre os mesmos.

Óleo ou acrílico sobre fotocópia

Pouco importa.

Um copo vazio à espera

Com osgas e mosquitos à volta

E ninguém para cravar mais uma bebida.

Natureza morta.

Mértola já tinha morrido há muito

E agora...

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Sexta-feira, 21 de Maio de 2010
Azul

 

Lactarius indigo

Cogumelo Lactarius indigo (Comestível)

 


O céu derramou-se em húmus,

Infiltrou-se, subsolo adentro, pelas nascentes.

E as cianobactérias,

Em sonhos improcedentes,

Na fria cianose dos leitos ungueais,

Traziam nas mãos, morta, a aurora dos Paraísos,

Das Utopias, dos Ideais.

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publicado por Manuel Anastácio às 22:43
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Quinta-feira, 20 de Maio de 2010
Amarelo

 

 

Uma amargura amarela tinge-me de fel a vista.

Não há poema nem verdade que a tal cor resista.

Icterícia.

Resta-me o fel, que em tom pastel me pinta,

Luminosamente, egoísta.

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Terça-feira, 27 de Abril de 2010
Poesia com Creta (ou o poema cretino)

The Cell from Alexander Kargaltsev - sem dúvida, um dos filmes da minha vida, aqui em versão completa - são apenas 15 minutos. Puro deslumbramento. Para quem é poeta, mesmo que não o queira ser. Se não conseguem ver aqui, carreguem em "Vimeo" e vejam lá.

 

Eu não quero ser poeta

A poesia é inútil.

Eu não quero ser profeta

Nem fingir que não sou fútil.

 

A arte das palavras

 

As palavras

Algum silêncio

 

As palavras

As palavras

Tão avessas a rimas

Lavras

Não quero ser poeta

Apagem-me a obra incompleta que nunca terminarei.

Queimem-me os versículos que em má hora engendrei

A pensar que estava a criar

Quando, apenas, imitei

Quando, apenas, me limitei

A passar ao papel

A literatura de cordel que pende das nuvens

Que rasam a torre de Babel onde os anjos se desentendem.

Palavras

Larvas

Decomposição

 

Suspiro

Distensão vocabular

Cãimbra rítmica

Ferrugem

Chiar

Não quero ser poeta

Ouviram bem?

Não quero ser profeta.

Nem qualquer outra treta.

Suspiro

Quero chorar

Mas as lágrimas condensaram-se

Dispersaram-se nos versos que mandei a quem os queimou.

Não quero ser poeta

Prefiro ser vento

Vulcão

Animal na cobrição

Mas por favor, afastem-me a ampulheta e a gadanha com que a minha língua arranha

a beleza que em mim choveu

e de mim escorreu

aluvião

ilusão

Não quero ser poeta. Por favor, não quero ser poeta.

Não...

Por favor, não...

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publicado por Manuel Anastácio às 21:23
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Terça-feira, 15 de Dezembro de 2009
Mote 2

 

 

Como necrópole, esta rua. Este muro.

Esta janela. Este crepúsculo.

Névoa, geada. Translúcidos recortes de renda e sombras sobre a cortina.

Sozinha, em horizontal  e funérea neblina,

Em casa débil e desprotegida, escondida,

Em leve mortalha nupcial, de musselina.

Duas casas para a frente, uma ao lado… três.

Ou o contrário. A tua vez.

Por desistência do adversário

Nada se mexe no jogo de xadrez.

Não se ergue o cavaleiro do cavalo derrubado.

O bispo é comandado pelo silêncio das torres sem ameias,

Alheias ao satânico e civil engano tumular. Insignificado.

À menina, a que os mortos devoram, através das teias,

Cada trémulo sinal de luz no seu olhar,

Vai morrendo o ar no peito,

Vendo, tremendo, o ar. Necrópole de granito.

Cidade de flores onde empalidece, aflito, o luar.

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publicado por Manuel Anastácio às 23:21
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