.Últimos bocejos

. Todas as águas

. Todos os poemas

. Yonkers, Tyler, the Creat...

. I've seen horrors... horr...

. Se bem me esqueço

. Experimental como o desti...

. Para Thatcher

. S&M

. Amar é dizer parvoíces

.Velharias

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Agosto 2016

. Maio 2016

. Janeiro 2015

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Janeiro 2006

. Novembro 2005

. Setembro 2005

. Julho 2005

. Março 2005

. Janeiro 2005

. Dezembro 2004

. Outubro 2004

. Setembro 2004

. Agosto 2004

. Julho 2004

. Junho 2004

. Fevereiro 2004

. Janeiro 2004

. Dezembro 2003

Segunda-feira, 6 de Março de 2017
Todas as águas

Aqui é primavera.

O inverno espreguiça-se, contrito.

Pede perdão enquanto morre.

As árvores explodem no grito

Aflito do tempo. Os minutos escorrem, húmidos,

Frios, sujos e vivos como o rio

Onde desaguam, como dejetos, os adjetivos.

Aqui é primavera e deus não quer saber dos vivos.

Limita-se a dar corda ao mecanismo

- motor imóvel do vazio.

As aves devoram o abismo e a madrugada.

Os gatos choram no cio. A vida acorda transtornada.

Aqui é primavera, mas deus não deu por nada.

Artigos da mesma série:
publicado por Manuel Anastácio às 23:28
link do post | Dizer de sua justiça | Quem disse o que pensou (2) | Adicionar aos favoritos
|
Sábado, 25 de Fevereiro de 2017
Todos os poemas

A má poesia é dizer lágrimas

Silêncio

Marés

Lua

É dizer corpo e suor.

É discorrer sobre orvalho, geada e flores.

É convocar dores em apóstrofe.

É fazer chorar guitarras

E rimar com cigarras o coachar das rãs.

É dizer noite com palavras diurnas.

É cobrir o sol de gargalhadas soturnas

E abafar a luz com a melancolia do amor.

É usar o ponto de exclamação

E reticências.

É falar do coração!...

De coração. É saltar cacofonias.

É transmutar palavras em excrescências.

Fazer do verbo quistos e tumores.

É dizer o que se quer esconder;

Fingir que as alegrias são dores;

E explicar o que ninguém quer, mesmo, de todo, saber.

 

Má poesia é toda a poesia.

Nem Homero, nem Virgílio nem Pessoa.

Nem Pessanha, nem Dante nem peçonha.

Só os doidos a escrevem,

Nos espavoridos esgares da ronha,

E a recitam em veludos de hipocondria.

Entretanto, outros passarão por ela

E verão nas formas do seu caos

Sublimes cânticos de profecia.

É assim a pior,

Como será, provavelmente, a menos má,

E mais inútil, da poesia.

 

Artigos da mesma série:
publicado por Manuel Anastácio às 23:30
link do post | Dizer de sua justiça | Adicionar aos favoritos
|
Domingo, 15 de Janeiro de 2017
Yonkers, Tyler, the Creator

Tyler, The Creator, tem uma conversa cheia de contradições com Wolf Haley, um dos seus heterónimos a quem o mesmo atribui a própria autoria deste vídeo. Wolf é caucasiano e é má rês. Mas tem jeito. A fotografia, num preto e branco sublime, joga magistralmente com a instabilidade da focagem, e a sua radical transformação em sombra, como que dobrando a própria instabilidade lírica, confessional e polifónica.

O vídeo foi amplamente considerado um dos melhores do ano de 2011.

 

Artigos da mesma série: , , , ,
publicado por Manuel Anastácio às 18:31
link do post | Dizer de sua justiça | Adicionar aos favoritos
|
Quarta-feira, 24 de Julho de 2013
I've seen horrors... horrors that you've seen.

Baba-se, a criatura.

Escorre saliva pelo queixo.

Falta-lhe compostura.

É asquerosa, viscosa, a criatura,

porque saliva. Não se controla.

Vai de viola, a criatura.

No reino da normalidade,

a saliva tem sentido único. E há controlo.

Ordem, criatura.

Baba-se, a criatura. Coisa feia.

Decadente. Velhice, doença, estado demente.

Falta-lhe compostura,

à abjeta criatura.

E chora, parece que tem sentimentos, a criatura.

Talvez os tenha.

Mas falta-lhe a compostura.

Parece ter o mundo às costas

e, lá dentro, todas as culpas originais,

congénitas ou acidentais, florescem em doces súplicas.

Mas anormais.

Baba-se, a criatura.

É mais linda, que as demais,

Mais aberta, luminosa, e tudo o mais.

Mas baba-se, a criatura,

escorre saliva pelos queixos.

Não pode aspirar a mais.

Artigos da mesma série: ,
publicado por Manuel Anastácio às 20:50
link do post | Dizer de sua justiça | Quem disse o que pensou (1) | Adicionar aos favoritos
|
Quinta-feira, 18 de Julho de 2013
Se bem me esqueço

Lembro-me da luz do sol trazida pelas mãos da Donzília,

para que dormisse.

Da minha mãe a chorar frente ao lava loiças

pelo homem da camisa azul que me traria a confusão de Laio

e estranhas maravilhas, a pilhas, da Arábia.

Do cheiro a serradura e a cemitério de Chão de Meninos,

dos bolos da Cila e dos livros dos Sete que não me deixavam ler

porque também precisava de me dar com miúdos chatos, parvos e ricos.

Das sestas que não queria dormir.

Do vizinho que desapareceu e que fazia pregas na barriga e dizia que era uma bichana,

Das cascas enroladas da pele de tomate numa sopa intragável,

Num selvagem imitando o grito de um inimigo,

imitando o grito de um inimigo - e das vezes que me lembrei disso,

não por ser importante, mas porque era uma lembrança a guardar

na disformidade de Proteu,

Da Natália na primeira e na segunda classe, e de julgar que era a mais linda das meninas, nunca o tendo sido.

Num barco numa praia, na minha irmã a correr com uma menina de vestido de outra época, de um marinheiro zangado atrás delas.

De caranguejos sobre uma rocha, fugindo às mãos da minha mãe,

De um olho que nunca vi, numa fechadura que nunca espreitei, ou terei?

Da primeira declaração de amor, entre carros numa travessa, e ela, de cabelo louro sobre os olhos claros, olhando-me com espanto e piedade,

oferecendo a triste consolação de recusada amizade.

Do homem do carro, e do homem das latas,

Do Marco a descascar feijões, do pó, da comichão, de mim, sentado,

a contar a Bíblia, a vida de Haydn e da Joana d’ Arc à Florbela

na rua da minha avó. Da minha avó, perguntando de onde vinha a chuva,

do silêncio do meu avô.

Das maçãs de inverno debaixo da cama de palha de centeio,

das oliveiras abertas ao centro para receber a luz da noite,

da ribeira no inverno e dos moluscos debaixo das pedras,

da areia mastigada por vermes,

das estevas em Vale de Tábuas e de um gato selvagem fixo em mim, entre os troncos queimados dos pinheiros.

Das broas de azeite e do chiar das tremelas e dos varais,

de um regabofe de fantasmas a meio da noite. Do alçapão

que dava para o sótão, onde desciam aliens de olhos esbugalhados como louva-a-deus nas costas das cartas de jogar,

De uma cigana, que não era a Carmen (nem eu conhecia Bizet) e de uma rosa vermelha nos cabelos, da foto de uma adolescente numa banheira,

do fascínio da maldade e da redenção,

da resistência passiva de uma corajosa cobardia.

De Deus e do corpo escanzelado de Cristo,

dos olhos inexpressivos da Virgem e da voz das velhas a rezar o terço,

das rosas roubadas em maio, dos risos pueris de quem enfeita um andor,

do padre Rosa que todos os anos morria no dia das mentiras.

No mato, na urze, no estrume das ovelhas,

nos livros, nos livros, nos livros, nas bofetadas do homem da Biblioteca Itinerante,

que enviou para casa a Mensagem de Fernando Pessoa, e de como me senti importante.

Da Biblioteca do Entroncamento, dos dias perdidos,

de ver o início da Irma la Douce num café, em dias perdidos,

dos filmes de John Ford na televisão,

nas cassetes vhs aos molhos, O Último Ano em Marienbad,

numeradas. No Rui Navalho a falar dos Guns.

Da Acácia sobre o pátio da escola primária, das figueiras,

das orelhas do miúdo que não ouvia nem sentia,

de pedras penduradas em fios que puxávamos para bater às portas escondidos no outro lado da rua,

nas cascas de eucalipto com que fazíamos trenós, casas de altas paredes e ventoinhas,

numa menina afogada, num braço a sair da lama,

num inesperado caixão,

em maçãs de inverno debaixo de palha centeia.

Do calor sufocante no sótão, no pó, em papéis amarelos,

em copos do Juá.

Na fonte da Serafina, em tudo arrasada,

num ferreiro, num moleiro, num bêbedo na valeta,

no Vale da Carreira, no jogo da malha. Na dentadura branca e ofuscante do Salgado Zenha, em discursos comunistas, em cassetes piratas,

na Lara Li e no Carlos Paião,

Na cerejeira do Estreitinho, na camélia que ainda não era japoneira,

No vinho abafado, no alambique da ti Jesuína escorrendo aguardente por uma palha.

Na luz do sol a fechar-me os olhos.

Artigos da mesma série:
publicado por Manuel Anastácio às 22:02
link do post | Dizer de sua justiça | Quem disse o que pensou (4) | Adicionar aos favoritos
|
Terça-feira, 2 de Julho de 2013
Experimental como o destino

Quis saber o que faria um porco com pérolas.

Cheguei-me a um, sorrateiro, com vagares de terrorista,

enquanto chafurdava na fossa imunda

dos seus desejos.

Troquei-lhe o Financial Times

pela The New Yorker.


E foi vê-lo a ressonar que nem um camelo.


Troquei-lhe o Financial Times

pel' O Capital.


E foi vê-lo a ressonar.

Ruidosamente.

Ponto final.


Quis saber o que faria um ser humano com diamantes.

Cheguei-me a um, sorrateiro, com vagares de sedutor,

enquanto se afundava na fossa imunda

de desejos sem calor.

Troquei-lhe o Catecismo

por Sophia.


E foi vê-lo a ressonar que nem um camelo.


Troquei-lhe o último best seller

por Camilo.

E não fiquei tranquilo enquanto não aconteceu

o que já era de esperar.

Artigos da mesma série: ,
publicado por Manuel Anastácio às 22:44
link do post | Dizer de sua justiça | Quem disse o que pensou (3) | Adicionar aos favoritos
|
Terça-feira, 9 de Abril de 2013
Para Thatcher

A populaça e a desordem

comem dinheiro. Os sindicatos

são um formigueiro,

carraças do gordo perdigueiro que abraças.

E a lei, do teu lado,

é musculada.

És assim, feita de nada,

entregue à decadência e à vermícola bicharada

ou às labaredas que disso te poupam.

Todos morremos, até quando sobrevivemos

e enchemos a memória do Universo

das nossas bestiais convicções.

Formiga

Cigarra. Ninguém te agarra.

O que poderias ter sido e não foste, burguesa

proletária, guerreira, santa asneira, diarreia

Mãe desnaturada.

Heroína louca disciplinada.

Lambes liberdade nas chagas da fome

E o povo engole, das tuas pústulas, o ávido apetite

da desconsideração.

No teu chão floresce absinto

e as estrelas prestam-te homenagem.

Curva-se a criadagem ao excesso de batom

que se te cola aos dentes.

Entrementes, o mundo apodrece como sempre

E na madeira bichosa da tua lição nascem os teus santos seguidores

edificadores do anátema da destruição.

Desapareceste antes de desaparecer.

As bandeiras da mediocridade já pendiam a meio

muito antes de te fechares em demência,

E nem o santo sudário da Meryl Streep

te servirá de relicário. Adeus.

Artigos da mesma série: ,
publicado por Manuel Anastácio às 22:30
link do post | Dizer de sua justiça | Quem disse o que pensou (4) | Adicionar aos favoritos
|
S&M

Há quem pague a prostitutas

para lhes bater.

Para em gemidos de prazer

saber

que as humilharam.

E assim se humilham eles.

Há quem nem precise de pagar,

para humilhar.

Olhar do alto,

mesmo de sola rasa e não de salto alto,

E, ainda assim, serem pagos. Eles.

E assim nos humilhamos nós,

passivos observadores de um filme pornográfico

que pagamos para ver.

Artigos da mesma série: ,
publicado por Manuel Anastácio às 21:44
link do post | Dizer de sua justiça | Quem disse o que pensou (2) | Adicionar aos favoritos
|
Quinta-feira, 4 de Abril de 2013
Amar é dizer parvoíces

Aqui,

morres.

 

Noutro planeta,

deves morrer também.

 

Noutra galáxia,

é bem provável.

 

Noutro Universo também.

 

Mas não aqui.

Neste aqui que pulsa,

que lateja, que deseja, não.

 

E não falo do coração.

Artigos da mesma série: ,
publicado por Manuel Anastácio às 21:56
link do post | Dizer de sua justiça | Quem disse o que pensou (3) | Adicionar aos favoritos
|
.Nada sobre mim
.pesquisar
 
.Março 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
.Artigos da mesma série

. notas

. cinema

. livros

. poesia avulsa

. só porque

. política

. curtas

. arte

. guimarães

. música

. estupidez

. traduções

. wikipédia

. religião

. poesia i

. gosto de...

. ono no komachi

. narrativas

. tomas tranströmer

. buscas pedidas

. plantas

. arquitectura

. blogues

. enciclopédia íntima

. blogs

. braga

. fábulas de esopo

. as quimeras

. gérard de nerval

. carvalhal

. animais

. cultura popular

. disparates

. Herbário I

. poesia

. póvoa de lanhoso

. estevas

. pormenores

. umbigo

. bíblia

. ciência

. professores

. vilar formoso

. barcelos

. cinema e literatura

. coisas que vou escrevendo

. curtíssimas

. Guimarães

. rádio

. receitas

. ribeira da brunheta

. teatro

. vídeo

. da varanda

. economia

. educação

. família

. leitura

. lisboa

. mails da treta

. mértola

. Música

. os anéis de mercúrio

. cachorrada

. comida

. cores

. dança

. diário

. direita

. elogio da loucura

. escola

. esquerda

. flores de pedra

. hip hop

. história de portugal

. kitsch

. memória

. ópera

. profissão

. recortes

. rimas tontas

. sonetos de shakespeare

. terras de bouro

. trump

. Álbum de família

. alunos

. ângela merkel

. arte caseira

. aulas

. avaliação de professores

. ayre

. benjamin clementine

. citações

. crítica

. ecologia

. edgar allan poe

. ensino privado

. ensino público

. evolucionismo

. facebook

. todas as tags

.O que vou visitando
.Segredos
  • Escrevam-me

  • .Páginas que se referem a este site

    referer referrer referers referrers http_referer
    .Já passaram...
    .quem linka aqui
    Who links to me?
    .Outras estatísticas
    eXTReMe Tracker
    blogs SAPO
    .subscrever feeds