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Sábado, 3 de Dezembro de 2011
Fausto I
Começa por F como o fado. Mas não canta fado, pelo menos que eu saiba. Até porque Fausto, o do imaginário pensado e parafraseado por Goethe, tal como este, não se conformou com a limitada existência que as normas lhe ofereciam, vendeu a alma ao diabo e soube, depois, ficar com o melhor de dois mundos. Fausto, acendendo uma vela ao inimigo e voltando como filho pródigo ao redil de deus, é a personificação da tese, da antítese e da síntese num contexto teológico. Volta a deus, enriquecido pela experiência de ter convivido com diabo. O nosso Fausto, que eu saiba, não é dado a religiões. É dado a ideologias, e isso hoje cai mal a certos estômagos. A palavra ideologia vive hoje num recanto algo empoeirado e confunde-se com doutrina. E quem defende doutrinas vem pregar contra as ideologias como se fossem algemas. Noto isso em muita gente de bem. Muita gente de bem prefere o martírio por deus ao martírio pelos homens. E compreende-se. A ideia de deus é mais reconfortante. Os seres humanos são bichos pouco simpáticos e de carne indigesta, ao contrário do corpo de deus, dado à transubstanciação de todos os desejos. As ideologias deveriam trazer em si as sementes da sua própria transformação, deveriam ser críticas como Fausto, vender-se ao diabo como Fausto mas, depois, recusarem-se a pagar a dívida como fez Fausto, e fez muito bem. As doutrinas essas, são quistos. E por vezes infetam. O nosso Fausto é um artista de longa data e, na sua discografia, há de tudo. Por vezes, as suas canções estão tingidas pela cor datada de uma época. É com pena que reconheço que algumas das suas canções mais políticas já não convencem ninguém, por maiores que sejam as verdades que vomitam. Trazem consigo o cheiro de uma época, e o cheiro, na arte, nem sempre é o dos lilazes, das tílias em flor ou dos limoeiros, por vezes é também do sangue, do suor, do vómito e das fezes prematuramente despejadas sob o efeito de laxantes chamados medo, miséria, cólera, dor e fome. E em Fausto, tanto temos o cheiro das pitangas saborosas como da escassa sardinha sobre a broa rústica. Por vezes, o seu estilo musical faz certos desvios por sonoridades que custam hoje a ouvir, ainda que a poesia seja sempre de um depurado lirismo não sujeito a regras. Um exemplo central desta evolução é aquela peça, tão exótica quanto a realidade que evoca, do "era no tempo dos tamarinos": o coro feminino é simplesmente intragável, ainda que a música em si não seja má, e a letra, fértil em imagens nostágicas, seja das mais líricas e das menos dadas ao panfletarismo político, ainda que já lá esteja tudo, nos gestos e ademanes de uma era colonial dona de uma ordem de respeitinho e perfumes de hipocrisia. Quando o Silvério Salgueiro me pediu para comentar Fausto tive de ouvir a sua extensa discografia para poder dizer alguma coisa que não fosse apenas as generalidades que se poderiam dizer da música chamada de intervenção com raiz na verdadeira música popular portuguesa, mas confesso que quanto mais ouço, menos consigo estabelecer uma descrição. Cada canção é um passo para um diálogo, como se ao nosso lado se sentasse o povo com palavras de ordem que por vezes não compreende porque, da mesma maneira que sente com o pulmão esquerdo, se insensibiliza com o pulmão da direita. Há sopros de tuberculose em cada movimento respiratório da nossa gente. Posso pegar numa das música mais políticas e mais panfletárias de Fausto. "Uns vão bem e outros mal". O convite é feito: Senhoras e meus senhores, façam roda por favor. O ritmo, de pura dança de arraial, acompanha um poema de uma perfeição invejável tendo em conta que não se esconde em metáforas nem noutros subterfúgios com que os poetas enganam a sua dificuldade em se exprimir. Limita-se a usar a clássica cassete comunista que de tanto ser ouvida perdeu significado para quem apenas balança a cabeça ao som da música. Avante: aqui não há desamores, se é tudo trabalhador o baile vai começar. Se é tudo trabalhador. Repare-se na condição: se é tudo trabalhador. Só para que conste, que há quem julgue que nestas ideologias o que se defende é a preguiça. Que a esquerda é pelos feriados e pelos subsídios. Ora batam certos os pézinhos, como bate este tambor. Não queremos cá opressores, pois não, se estivermos bem juntinhos, vai-se embora o mandador. Novamente o condicional se. Se estivermos bem juntinhos. Coisa utópica, que isso de dançarmos juntinhos só conta mesmo para a dança, não para a contradança. É que eu não quero o que tu queres, que eu sou doutra condição. Está cá tudo, afinal: juntinhos não. Mas a verdade, venha em cassete, venha em panfleto, não deixa de ser verdade, mesmo que contra tudo haja argumentos (ao contrário do que é dito num bem sucedido momento de propaganda estatal ao cargo de uma senhora que tinha em melhor conta, chamada Alberta Marques Fernandes, mas a culpa não é dela, que ela, como os outros, faz o trabalho que lhe encomendam e não estamos em tempo de recusar trabalho, mesmo que seja a abrir a cova onde nos hão de enterrar). Segue a canção dizendo, em puro jeito didático, que "De velhas casas vazias, palácios abandonados, os pobres fizeram lares, mas agora todos os dias, os polícias bem armados desocupam os andares". Há nesta frase alguns equívocos para quem a ouça. As pessoas preferem polícias bem armados, até porque se os criminosos andam armados, a polícia não pode andar de mãos a abanar. A questão é espinhosa, até porque custa a distinguir entre criminosos e pobres ocupantes de palácios abandonados. Mas a propriedade é mais importante que a vida, por isso, o povo dança e vai caindo como folhas secas. Para que servem essas casas, a não ser para o senhorio viver da especulação? Pergunta o cantor e falha a intervenção. Aqui falha, porque o povo não sabe o que é isso da especulação, e a informação que é dada, isto é, de que os palácios abandonados afinal servem para alguma coisa, acaba por legitimar a intervenção da polícia bem armada que, afinal, está apenas a proteger o ganha-pão dos ricos que, como sabemos, são ricos por alguma razão. É difícil explicar estas coisas de que a propriedade nem sempre é fruto do trabalho. Ou melhor: que nunca é fruto do trabalho. Vá-se lá explicar que os ricos são ricos não porque possuem ou criem riqueza mas porque possuem dívidas e calotes que fazem render. Não. É mais fácil explicar ao povo as medidas de austeridade. É preciso explicar, explicar, explicar tudo para que ninguém saiba nada e tudo aceite. Quem governa faz tábua rasa, mas lamenta com fastio a crise... Está tudo aqui. O Fausto diz tudo. Mas o povo português não o merece. O povo português não merece um fado numa taberna rasca. Eu não quero o que tu queres, que eu sou doutra condição. Eu sou doutra condição. Não sou gente, não sou nada. Sou vómito, folha apodrecida à beira da estrada. Cágado de pernas viradas. Bago de uva esmagada. Gota de vinho que não sabe a nada.</p>
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L

"O fado é talvez a mais significativa forma de expressão artística em Portugal (...) e aquela que melhor define a alma do nosso povo”,  afirmou o nosso chefe de Estado, sua excelência Aníbal Cavaco Silva. É verdade, até a pessoa mais bacoca e insensível, como é o caso do nosso presidente é capaz de dizer coisas acertadas. O Fado é a expressão artística que melhor define a alma portuguesa. Um enorme lamento uivado e resignado.

Cavaco Silva lembrou os tempos em que o fado não era ainda “reconhecido e estimado” pelos portugueses: “Tempos houve em que o fado era apenas associado a uma vida boémia que continha em si retratos de uma Lisboa pouco recomendável”. Tempos em que o fado continha em si germes de revolta, e por isso tão pouco recomendável para o nosso presidente, ou tempos em que o fado era apenas uma forma autocomplacente das classes miseráveis transformarem em beleza a exordície em que viviam? Fica a questão.  Assim, ao longo de décadas, acrescentou, o fado “resistiu às modas e ao tempo”. Apesar de não ser verdade. O próprio presidente o afirma antes, ao recordar a origem boémia e pouco recomendável do fado, para não falar de todas as renovações que os grandes nomes do estilo sempre foram acrescentando, seja o Alfredo, a Amália, a Maria Teresa e que continua, com diferentes roupagens, hoje em dia. Mas o conservadorismo do senhor presidente faz-lhe ver resistências ao tempo em tudo. Só é pena que não a veja num pacote de leite azedo. Continua o senhor presidente a sua preleção dizendo que nas décadas de 70 e 80, o público acabou por se afastar um pouco do fado “por razões mais ou menos ideológicas”. A ideologia não deveria interferir com qualquer forma de expressão artística, como penso que é óbvio, mas é provável que não fosse a ideologia a afastar o fado mas o fado que, ao transmitir geneticamente uma ideologia de resignação, não soubesse lá muito bem, no seu travo rançoso, aos palatos de quem bebia pela primeira vez o néctar inebriante da liberdade. Inebriante porque deu em ressaca. E com a ressaca voltou o gosto pela choraminguice uivada. “Felizmente, os tempos de hoje são bem diferentes", diz o presidente. E diz muito bem, felizmente para ele e para todos os que espezinham a gentalha pouco recomendável mas devidamente resignada e grata pelos açoites que leva nos lombos. “Lembra-nos sobretudo que a crise não se vence apenas com a economia, vence-se também com a cultura, criatividade e alma”. Nesta frase outras questões se levantam: a crise vence-se? O presidente quer vencer a crise? Defina crise. Crise para quem? Criatividade? Criatividade de quem? Alma? Alma de quê? O senhor presidente não saberá que a alma foi sempre coisa negada aos escravos? Os escravos são objetos manipuláveis de acordo com os interesses dos seus amos. Não precisam de alma para nada... Ou talvez não. A existência da alma, imortal, sff, é a única esperança de quem é transformado em mero resíduo ou excremento de uma sociedade que prega moral enquanto semeia a imoralidade, que vangloria a arte e a criatividade e instaura a censura através da pauperização mental das massas.

 

Em termos musicais, a existência de estilos musicais é coisa que a mim pouco interessa. A música é boa ou é má. Se é fado ou não é fado, tanto me faz - reconheço a qualidade artística e poética de uma peça musical independentemente dos valores mais progressistas ou mais retrógrados que o vulgo associa a cada estilo ou género. Mas calha bem ver o Fado reconhecido como Património Mundial nos dias que correm, em que os salazares se multiplicam em cada esquina. Agora, só falta canonizar os pastorinhos, e teremos a díade da resignação e do sacrifício estúpido a guiar os passos da felicidade choramingona que, dizem eles, e muito bem, nos define. Enquanto vamos à bola, claro.

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Sábado, 12 de Março de 2011
Como vais?

 

Michel Gondry tem neste vídeo das Living Sisters uma atitude poética nihilista que funciona bem com o dia de hoje. Chove e há meninos mimados na rua que não querem sujar as mãos com política, mas que querem ser tratados como bebés que são.

 

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Sábado, 5 de Fevereiro de 2011
Multiculturalismo

David Cameron, segundo o Público, "denuncia" o fracasso de décadas de multiculturalismo. Por partes: o verbo denunciar é usado com fins políticos e pressente-se a concordância entre o responsável pelo título e a "denúncia" efectuada. Só denunciamos o que é mau. E se David Cameron denunciou o multiculturalismo, então o multiculturalismo é uma coisa má. O pior, neste caso, é que David Cameron usou mal a palavra multiculturalismo, não da mesma forma que a coisa deplorável chamada Merkel também usou, há tempos atrás, quando disse estas palavras: "a perspectiva de que poderíamos construir uma sociedade multicultural, vivendo lado a lado e gozando da companhia uns dos outros, falhou. Falhou completamente". David Cameron chama multiculturalismo à prática de aceitar a diferença sem a integrar no país de acolhimento. Esse é, de facto, um problema e resulta da xenofobia de quem entra e de quem vê entrar. E Cameron acerta ao dizer que o Estado só pode apoiar organizações que prossigam os princípios sustentados na Carta dos Direitos Humanos. O Estado não deve apoiar organizações que discriminem as mulheres, por exemplo. Isso é puro bom senso. O discurso de Cameron não é, à partida, racista, ao contrário do discurso de Merkel. Mas basta ver a caixa de comentários desta notícia para ver como a cultura do ler por alto ajuda a alimentar o racismo e a xenofobia. As pessoas aplaudem, pensando que Cameron defendeu a expulsão daqueles que são diferentes - e Cameron, talvez já esperando a vaga de apoio (sem que se possa dizer que tenha sido racista), aproveitará, então, para, em nome do Estado, esquecer os princípios da Carta dos Direitos Humanos e tratar aqueles que são diferentes como seres não classificáveis como humanos. As pessoas... Talvez Merkel tenha razão. Não podemos, simplesmente, viver ao lado uns dos outros. O ser humano é apenas um bicho estúpido e tonto destinado à breve e inexorável extinção. Não por razões externas, como no caso dos dinossauros, mas devido ao desejo endógeno da sua própria destruição. O suicídio, comportamento até agora individual, é já a manifestação biológica a distinguir a nossa espécie das outras. Envergonho-me da espécie a que pertenço.

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Domingo, 23 de Janeiro de 2011
Sadomasoquismo

O meu primo Batata deve estar orgulhoso. O graffiti revelho do armazém do Adelino mantém-se actual. As pessoas continuam a votar Cavco. É bonito. É uma relação de amor.

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Sábado, 11 de Setembro de 2010
III

Isto é o quê? A apologia do "se não os consegues vencer, junta-te a eles?".

Queimar um livro (e, ainda mais, um livro sagrado) não é, nem de perto nem de longe, tão grave como matar um ser humano, seja num ataque terrorista religiosamente motivado, seja através de lapidação de meninas cujo crime foi terem sido violadas... Mas a acção deste padre não é de modo algum aceitável só porque os outros fazem coisas reprováveis. Deveríamos dar o exemplo. Não nos consideramos assim tão superiores em termos civilizacionais? Eu considero-me. Não é com gestos de pura estupidez (que alguns comentários que vou encontrando por aí fora parecem identificar com coragem) que se conseguirá algo de bom para a humanidade.

Queimar o Corão é torná-lo ainda mais sagrado. A melhor forma de destruir o carácter sagrado do Corão (ou da Bíblia, ou do Ulisses de Joyce) é lê-lo e criticá-lo - explicá-lo enquanto fruto do seu tempo e como peça anacrónica que deveria ser remetida para o seu lugar: a prateleira das curiosidades históricas do fanatismo. Exemplo de como um mau livro, mal escrito, repetitivo, com uma filosofia insipiente de uma cultura que, brilhante no início, não saiu da sua adolescência incipiente, conseguiu tornar-se na Lei Divina consubstancial a Deus  para tanta gente.

A ignorância e a estupidez combate-se através do conhecimento. Até do conhecimento dos maus livros. Não é queimando-os que edificaremos um mundo mais conforme, não à Lei Divina, nem à Lei Natural, mas à Lei do Amor e do Respeito pelos outros. Queimar um livro, qualquer que seja o livro (mesmo aqueles que incitam ao ódio), é queimar a humanidade. Se o livro incita ao ódio, escrevam-se mais livros que o remetam para o seu lugar devido: mera erupção de Besta que sabe expressar-se em linguagem humana.

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publicado por Manuel Anastácio às 11:48
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Quinta-feira, 15 de Julho de 2010
Eu escrevo como William Shakespeare!

Utilizei esta ferramenta, depois de ler isto, e coloquei um conto meu, traduzido automaticamente para inglês, sem qualquer correcção da minha parte:

 

While she was sleeping, not always it was veiling the sleep. He knew whenever it was still sleeping while it was going through each one of the rooms left where the only breeze, when I am lifting to breathing, only could come from his measured breathing. I believe that only I would manage to see the subtle waviness of the old curtains. The narrow windows that were accompanying the rooms arranged around the only made uneven cloister were the only figures to accompany me in the spiral of our solitude. When it was leaving it, in the room of the top, after feeling that his eyes were abating after the storm of some nightmare, it was going out for a small balcony on the inner enclosure and was going down the first turn of the spiral - the only place where it was managing to look at the sky and, where, for times, it was feeling the wind and the rain that was dripping even to the bottom, accompanying my distance even to the entry of the first room, near the great entrance door, where one was draining for an orifice. For times, it was leaning the ear to the small ostiole and her breathing seemed to hear again, knowing well that it could not be, because if the water was disappearing around there, it was not going, certainly, towards the highest room. But the rhythm seemed the same thing. Regular soldier, like a tired chest and without hope. Then, it was raising again for the rooms that were even succeeded in corridor, to the útima, in the top. It was sliding then for his side and seemed that it had never known it otherwise. He wanted that one was facing me, I was looking at each other in the eyes and was telling to myself the dream that had had while I had got up of the bed. But about his dreams only he was talking to me through the skin that was shuddering against my cold belly and for the immediate suspension of his breathing, like if it was in panic. Moving away, again it was seeming to the breathing to retake his circular way.

It was in a day that again was getting ready to place myself to his side, observing the movements ondulatórios under his shut eyes, in which I touched it and which I felt the body to be withdrawn of coldness, that the pain obliged me going out, it was not going to wake it and to disturb with the convulsions that were obliging me twisting the body in all the directions. Of the balcony on the inner patio only he was managing to see the clouds, guessing rain, vaguely, very vaguely, illuminated by aurora. Tracking for the ground, it was feeling my body to split against the irregularidades from the stone of the ground. So I dragged myself even to the bottom of the black mansion, where, for a gap of the great door, I managed to see the abject remains of my body still hanging, like standards torn to pieces on the dismembered body of a soldier. Attacked by a fever insuspeitada, to which it was seeming me to take care of the inflamed veins, I raised the rooms again, in the silent fury with which it was starting, which could, each piece of rotten meat that was insisting in growing insidiosamente around a ball of thread of anguish and growing heat. The walls were stained of dark blood, and the ground, behind me, it was spreading a triumphal, scarlet stair carpet out. When I arrived next to her, it was exhausted, dirty, draining mistletoe and decay. The door of the balcony was slamming with the wind and was letting in water in sprinkles. I left and let the water drip for me, waiting to be undone, diluted, up to disappearing for the orifice in the bottom of the cloister in spiral.

When it stopped raining, already the sun had been born. I got up, weakly, me decided not going down the wet spiral. I altered the usual distance and entered in the camera where she was continuing his sleep of decades. I kneeled down to his side and touched him in the face. It was not withdrawn. Since there is dug skin from his skin. It was not a foreign body. I kissed it. It opened the eyes, uncovered, dark, but brilliant, obscured by the light that it hampers through the door of the balcony. It smiled, for short moments, being startled soon following. " The dragon? ", it asked, while it was handed to my arms and was prepared to stand up. " I killed it ", he said, pointing to the bloody scales that were covering the way with rushes through the rooms.

 

E o resultado foi que escrevo como... bem, já disse. Claro que não acredito nisto.

 

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William Shakespeare

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Até porque, depois, usei outro texto e deu-me isto... Vá, eu até gosto do "E Tudo o Vento Levou..."

 

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Margaret Mitchell

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Mas, não satisfeito, ainda fui buscar este texto aqui (onde se fala de religião e de arte) e o estúpido do programa, o que é que me foi dizer?

 

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Dan Brown

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Snif, snif... afinal não escrevo como William Shakespeare... Acho que não escrevo como coisíssima nenhuma. Na melhor das hipóteses, sou original. Ou uma manta de retalhos.

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publicado por Manuel Anastácio às 13:30
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Sábado, 5 de Junho de 2010
Uma educação socialista?

Em resposta a um texto bem intencionado do meu professor Ramiro Marques:

 

O verdadeiro socialismo é devedor da cultura cristã e do conceito de igualdade que Ramiro Marques, neste texto, aponta como sendo a sua marca principal. Não concordo com a contínua associação entre a palavra "socialismo" (que não é a ideologia do PS) e a degradação da escola pública. O grande problema da escola pública é a sua má interpretação do conceito de igualdade, já que dar o mesmo a todos nem é justo nem sequer igualitário, porque alguns sempre terão meios de ultrapassar a mediocridade fugindo da escola pública ou acedendo a serviços que farão aquilo que a escola não é capaz de fazer, enquanto que outros se manterão apenas à tona de um mínimo de exigência e da possibilidade de desenvolverem as suas competências e conhecimentos, afastando qualquer hipótese de mobilidade social e, pior ainda, qualquer possibilidade de contributo da escola para a sua realização pessoal enquanto indivíduos ou para a formação de cidadãos conscientes e empenhados na construção de uma sociedade mais justa, mais criativa, mais produtiva... Não esqueçamos que os antigos países de orientação socialista, com todos os seus defeitos crassos a nível de liberdades fundamentais que negavam aos seus cidadãos conseguiram algo que se tem transmitido às novas gerações: a consciência de que só com trabalho e empenho se conseguem atingir aqueles objectivos com que os professores enfeitam as suas planificações e outros documentos considerados essenciais pelos inspectores escolares e avaliadores voluntários ou à força - e que o são, de facto, para a manutenção de um sistema de pura ficção, de mentira, de propaganda, de agravamento das desigualdades entre os cidadãos e da criação de uma cidadania de bovinos incapazes de qualquer sentido crítico, presos aos mais baixos instintos animais sem que neles haja a mínima orientação ou luz civilizacional. O socialismo é uma dessas luzes civilizacionais, tal como a tradição judaico-cristã, a greco-romana, a renascentista-humanista e a iluminista. Culpar o socialismo da degradação da escola é dizer que temos tido em Portugal uma educação de orientação socialista, o que é falso. Temos tido, isso sim, uma escola orientada por um discurso de retórica socialista sem qualquer preocupação real quanto ao papel da escola na vida dos cidadãos e na evolução da sociedade. O objectivo do socialismo é também a revolução. Julgar que temos tido uma educação para a revolução é ridículo. Temos tido, isso sim, uma educação para a passividade, para a anestesia, para a inanidade intelectual e para a reprodução cada vez mais dolorosa das desigualdades sociais.

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publicado por Manuel Anastácio às 17:50
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Quarta-feira, 12 de Maio de 2010
Tudo a ver

Porque é que o PS há de apoiar o Manuel Alegre se já tem o Cavaco?

 

Post scriptum (expressão latina que tem mais razão de ser hoje em dia que antigamente): todos sabem que sou do Bloco de Esquerda. Mas JAMAIS votarei nele, no Alegre, para presidente da República. Ele que vá lamber as botas da "esquerda possível" no quintal dele. Isto, só para falar de algo diferente, no dia em que até me encantei a ouvir os melismas polifónicos de uma bem treinada Avé Maria via Procissão das Velas para, logo a seguir, desesperar com uma solista que nos faz apetecer ouvir Tony Carreira. Uma das razões por que sou agnóstico é, exactamente, porque a música religiosa actual é, geralmente, intragável. E religião sem música é o mesmo que um BigMac sem carne... Ora, não gostando   odiando desprezando eu o MacDonalds... Dêem-me um pouco de Mozart, Bach, Brahms, Part (falta o trema, mas tenho mais que fazer que resolver a falta dele no teclado), Jacques Brel, Elis Regina, os Fleet Foxes (ou mesmo os Why?), e ressuscitarei em mim Deus na sua incompletude. Seja o do AT seja o do NT. A Gerana diz que tudo o que é bom no Cinema vem da Literatura (eu discordo, mas não por uma mera oposição: a minha opinião é que o cinema é sempre literatura, venha ele de onde vier)... Enfim, muito gostaria eu de dizer. E só me lembrei de dizer que, provavelmente, vou votar em branco nas próximas eleições. Não era só o que eu queria dizer. É o que eu consigo dizer por hoje.

 

Graças a Deus, e ao papa, e a Sócrates, amanhã tenho feriado... mas confesso que, apesar de me saber bem, jamais me daria a esse luxo por vontade própria...

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publicado por Manuel Anastácio às 22:21
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Terça-feira, 13 de Outubro de 2009
Maitê

Esta senhora não ofende os portugueses. Ofende os brasileiros. Se algum português fizesse algo semelhante sobre o Brasil,  só me apeteceria enterrar-me bem fundo. Nojento. Racista. De vómitos. Uma notícia fútil? É, com certeza. Mas é de futilidades destas que nasce a intolerância, a incompreensão, os genocídios. De um lado e de outro. Nunca vi tanto comentário xenófobo por parte de portugueses na Internet como hoje, à conta desta aventesma. Estupidez semeia estupidez. Ignorância semeia ignorância. Destruição acarreta destruição. Não sei como é que ainda subsistem coisas belas no mundo.

 

Já aqui me revoltei contra aberrações portuguesas que detestavam o "sutáque" brásileiiro. Hoje, pûs a Maitê Proença no mesmo saco que a Maria de Lurdes Rodrigues... Assim com gritei "está na hora, está na hora desta ... ir embora!", grito agora "está na hora, está na hora desta ... nunca voltar a comer pastéis de Belém!" - mal empregados foram em tal cloaca.

 

Assinado: Mánuuueeeéle A., como o Rei. E com muito bom gosto.

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publicado por Manuel Anastácio às 19:29
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