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Sábado, 3 de Março de 2007
Da varanda III

Árvores não identificadas, provavelmente do género Prunus. Foto minha em Creative Commons.

É a quarta Primavera que vejo renascer desta varanda, nos tons róseos destas ávores que não consigo identificar, mas que me parecem do género "Prunus", a que pertencem as cerejeiras, amendoeiras, pessegueiros e outras árvores, e a quem a japoneses, por esta altura, prestam particular atenção (especialmente às belíssimas Prunus serrata). Em Portugal já há quem se desloque para admirar as amendoeiras do Douro ou as cerejeiras do Fundão. Mas eu, que nestas alturas me sinto como os dendrólatras japoneses fascinados pela "Sakura", limito-me a espreitar o pequeno renque de árvores que consigo descortinar entre dois prédios de triste feição. Não é o vale verde da minha infância (que também já não existe, corroído por estradas e incêndios), mas é o sorriso oligoelementar que nos mantém ainda com alguma ligação à terra. Não podendo encher os ouvidos com a sinfonia de uma floresta ou de um pomar, há que fazer o nosso próprio tipo de música com as notas que nos restam entre as cordas partidas de um violino, que tocamos em pizzicato.
Artigos da mesma série:
publicado por Manuel Anastácio às 16:42
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Quinta-feira, 20 de Julho de 2006
Da varanda II


Da varanda espreitam-se outras varandas. Não sei quem são os vizinhos da bicicleta. Mas gosto deste detalhe e da mistura geometricamente coerente dos materiais. Na parede lateral, dois tipos de pastilha de vidro, material caduco que melhor cumpriria a sua função a revestir o fundo de uma piscina, quiçá formando desenhos de inspiração litoral ou submarina. Mas enquanto não fica a parede desdentada, a verticalidade cortada pelo lambril delimita o que vem debaixo do que de cima cai, como numa Tábua de Esmeralda monolítica nascida de um sonho de Arthur C. Clarke. Uma brancura porosa, prometendo escuridão pelas juntas já não serviria para um anúncio de detergente, mas espera receber o caruncho com dignidade. As pedras lisas do topo do muro recortam em ângulo recto, tornado agudo pelo meu olhar,  a popa de um barco parado sobre um caminho de cascalho a disfarçar a ribeira que desce os flancos da Universidade, desaparece sob uma rotunda e irrompe no jardim ao lado. Um passadiço de madeira, a relva rala, salpicada de trevo e o campo de jogos do condomínio expressam numa brincadeira de recortes uma superfície de relevos. Num detalhe parece resumir-se o conjunto. Como Carlos Argentino Daneri, o medíocre poeta que tinha o mundo condensado num ponto da cave, talvez neste recanto se resuma sem confusão o resto da paisagem, mas apenas porque este recanto promete outro olhar e tudo se condensa na promessa. É outro o olhar de um Ficus pumila (creio eu que é esse o nome da plantinha verde e amarela) que espreita também sobre a varanda. Apenas não se perde em descrições estéreis do que vê. Limita-se a ajeitar o seu olhar de acordo com o percurso do sol desde o meio da manhã até que este se esconde, algures na direcção da seta onde habita.
Artigos da mesma série:
publicado por Manuel Anastácio às 17:26
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Terça-feira, 18 de Julho de 2006
Da varanda I


Dizem que os olhos são as janelas da alma. Nesse caso, o olhar é uma varanda. A varanda de uma casa tem associada a si mais do que uma paisagem, a sua negação ou a intrusão sobre os interiores da frente. Cada varanda é um filme realizado pelo acaso. O arquitecto pode recomendar olhares ao dispor as varandas de acordo com as suas  opções estéticas, filosóficas ou políticas, mas o grande autor do filme que se vê em cada varanda é sempre o Acaso. Mesmo A Varanda - aquela que tem precedência sobre as outras no plano do que é projectado está sujeita a ser tapada ou descoberta. As varandas são o filme, mas não o determinam, ainda que sobre elas possam convergir, episodicamente, acções como manifestações, implantações de regimes políticos ou simples serenatas amorosas.  O arquitecto pode obrigar o olhar, da janela, a dirigir-se para o prédio cinzento da frente. Por descuido ou por sadismo, pode fazê-lo. A janela obriga a uma direcção. A varanda permite olhares oblíquos. Permite debruçarmos o corpo em perigo e sentirmos o vento como se o corpo da casa rasgasse o solo fazendo-nos reis do Mundo.  A janela obriga a um olhar, a varanda obriga a escolhermos e a habitar os olhares que escolhemos.

Deste olhar, na varanda, à esquerda, vê-se o telhado do Paço dos Duques de Bragança, com as suas chaminés altas e cilíndricas, exportadas pela mente de um arquitecto que não fazia ideia de como seriam as primeiras. Nem ele nem nós. Mas deixo as chaminés para depois.  Hoje, o meu olhar cai para as árvores na encosta e para as varandas subentendidas entre a folhagem das tílias e dos carvalhos. Num olhar oblíquo, salpicado por chuviscos de Verão, abrigado pelo abraço da Penha. Também ela, uma varanda. De madeira, granito e névoa.
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publicado por Manuel Anastácio às 16:12
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