.Últimos bocejos

. A Bíblia, a série

. Searching for Sugar Man, ...

. Ócio: Sombras, de John Ca...

. Fugiu um Condenado à Mort...

. Cosmopolis, a outra face ...

. A better life, a wider pu...

. A Better Life, de Chris W...

. Carnage:O Deus da Carnifi...

. O Pagador de Promessas, d...

. Um método perigoso, de Da...

. Um Método Perigoso, de Da...

. O Dom das Lágrimas, de Jo...

. Capitães da areia, de Cec...

. Tabu, de Miguel Gomes

. 3 idiotas, de Rajkumar Hi...

. The Fantastic Flying Book...

. A Árvore da Vida, de Terr...

. Cinema e literatura 3

. Poesia com Creta (ou o po...

. A violência nos filmes de...

. A caverna

. In memoriam João Bénard d...

. In memoriam Vasco Granja ...

. Iron Man, Blimunda e o re...

. Gran Torino, de Clint Eas...

. Offret, de Andrei Tarkovs...

. Little Miss Sunshine

. Bolt, de Byron Howard e C...

. Revanche, de Gotz Spielma...

. Depois das apostas

. Apostas para os óscares d...

. Enciclopédia Íntima: Chor...

. Uma aventura na Terra dos...

. Il Vangelo Secondo Matteo

. Vivre sa Vie

. Da Música e Outros Demóni...

. Pornografia e erotismo

. Queria eu.

. Cinematecas

. My Blueberry Nights

. Lars and The Real Girl

. Katyn

. Enciclopédia Íntima: Plan...

. Lista dos 100 filmes da m...

. De olhos bem abertos

. Dodsworth - Veneno Europe...

. Nostalgia

. Curta 21

. Curta 14

. Curta 13

.Velharias

. Agosto 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Agosto 2016

. Maio 2016

. Janeiro 2015

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Janeiro 2006

. Novembro 2005

. Setembro 2005

. Julho 2005

. Março 2005

. Janeiro 2005

. Dezembro 2004

. Outubro 2004

. Setembro 2004

. Agosto 2004

. Julho 2004

. Junho 2004

. Fevereiro 2004

. Janeiro 2004

. Dezembro 2003

Domingo, 31 de Março de 2013
A Bíblia, a série

A forma como a série “A Bíblia” tem sido apresentada pelos meios de comunicação em Portugal é bem elucidativa do nosso miserável provincianismo. Só porque um português faz de Jesus de Nazaré, empola-se logo a recetividade de um programa de televisão de baixa qualidade, que nem respeita a história factual, nem a história dita sagrada (que dá nome à série) nem as mais elementares regras do bom gosto. Cecil B. DeMille, o extravagante reinventor da Bíblia no cinema de Hollywood acrescentava os ingredientes que julgava mais sedutores (sexo, luxo e violência) ao esqueleto da narrativa bíblica e fez, à conta disso, clássicos de inegável envergadura no que diz respeito ao entretenimento. Ora, um filme bíblico é um produto de entretenimento. A teologia no cinema só funciona se renunciar à ortodoxia e ao gosto do público. Por isso, é perfeitamente natural que o melhor filme sobre Jesus Cristo, de um ponto de vista teológico, tenha sido, paradoxalmente, feito por um autor marxista cujo público é deveras limitado e “elitista”. Ora, “A Bíblia” é uma série que não é entretenimento, nem teologia nem provocação. Limita-se à sucessão de quadros mais ou menos referidos na Bíblia - mais ou menos, porque por vezes socorre-se da tradição para completar a cena e outras vezes reinventa a coisa para ficar mais dramática e falha redondamente. A evitar.

Artigos da mesma série: ,
publicado por Manuel Anastácio às 20:04
link do post | Dizer de sua justiça | Quem disse o que pensou (2) | Adicionar aos favoritos
|
Searching for Sugar Man, de Malik Bendjelloul

Há histórias verdadeiras que parecem mentira pelo simples facto de conjugarem em si uma infinita beleza a essa tão rara aparição chamada justiça. Seria justo todos encontrarmos o amor, e não são poucos aqueles que nele tropeçam e injustamente o rejeitam como lixo. Seria justo recebermos a retribuição dos outros conforme o nosso esforço, dedicação e mérito. Mas é tão rara esta carícia do Universo, que todo aquele que teve a felicidade do seu beijo retribuído devia, por força, seguir o caminho dos justos - infelizmente, há quem sendo justamente acarinhado pelo Universo, pela sua ingratidão consiga transmutar a justiça em perversão. Não é o caso de um cantor norte-americano, Sixto Rodriguez, que escreveu e interpretou algumas das peças musicais mais verdadeiras da sua época. Em 1970, lançou um álbum chamado Cold Fact e em 1971, o álbum Coming from Reality. Neste último, uma das canções começa pelo verso “Cause I lost my job two weeks before Christmas“. É uma canção com um suporte poético perfeito, na forma e no sentido. Curiosamente, era também uma certeira profecia. Rodriguez, duas semanas antes do Natal viu o seu contrato rescindido, já que os seus álbuns tiveram vendas praticamente nulas e desapareceu, tal como os seus discos. Podia terminar aqui. Mas às vezes, o Universo ri-se da nossa humilde ignorância. Não se sabe como, os álbuns de Sixto Rodriguez chegaram a uma África do Sul amordaçada pelo Apartheid, e tornaram-se, durante décadas, um símbolo de justa subversão para os sul-africanos de etnia europeia. Rodriguez tornou-se naquela metade daquele país, mais importante e popular que Elvis. Nos Estados Unidos ninguém sabia quem era. Na África do Sul, ouvido e amado, ninguém sabia também quem era o bardo das suas inquietações, e nasceu o mito de um cantor-poeta maldito que se tinha imolado no fogo em palco. Até que dois sul americanos quiseram saber mais sobre este homem, e como tinha sido a sua morte heroica, e descobriram que o seu profeta era vivo. A história, simplesmente emocionante, é contada no filme que ganhou, este ano, o Óscar para Melhor Documentário, “Searching for Sugar Man” e é digna de ser contada a todos, não porque haja qualquer moral  ou verdade metafísica a retirar-se de um caso absolutamente excepcional, ocorrido com um ser humano absolutamente excepcional, mas porque todos precisamos, por vezes, de um conto de fadas. E quando esse conto de fadas nos é oferecido pela própria realidade, é como se fosse a nós, sapos, que coubesse a sorte de sermos beijados pela princesa... e quantas vezes não o somos, sem o sabermos.

Artigos da mesma série: ,
publicado por Manuel Anastácio às 03:31
link do post | Dizer de sua justiça | Adicionar aos favoritos
|
Domingo, 24 de Março de 2013
Ócio: Sombras, de John Cassavetes


Na Blackbox da Plataforma das Artes, um filme de Cassavetes pode ser o mote para uma Guimarães mais intelectual, mais cool, mais jazz. 2012 passou e com ela a obrigação de parecermos inteligentes e cultos, obrigação que nos torna apenas mais patetas. Um filme de Cassavetes é sempre uma experiência intelectual descomprometida com a obrigação de parecermos inteligentes. E este filme, Sombras, de 1959, é uma peça de jazz improvisada sobre personagens que conversam, conversam e conversam sobre o ritmo de um baixo contínuo chamado cidade. Em Guimarães não se conversa, dizem os muito conversadores críticos vimaranenses. Em Guimarães fazem-se coisas, falar é para ociosos. Sombras é um filme ocioso, como só poderia ser ocioso um filme sem guião onde se diz aos atores e não atores para conversarem sem a pretensão de parecerem outra coisa para além daquilo que são. No fim, como em qualquer filme, restam sempre sombras, imagens vagamente semelhantes ao objeto que as imprimiu. E como tudo na vida é, também, um jogo de sombras, ensina-nos este filme que o cinema, como a literatura, o teatro, a música, não é um caminho para a alienação (como defendem muitos intelectuais alérgicos ao celulóide), mas um atalho onde as sombras são escolhidas e depuradas, aumentando as hipóteses de se tornarem, as outras sombras da nossa vida, mais luminosas ou, pelo menos, mais contrastantes. Vamos conversar, então.  Terça feira à noite.

Artigos da mesma série: ,
publicado por Manuel Anastácio às 23:20
link do post | Dizer de sua justiça | Adicionar aos favoritos
|
Quinta-feira, 31 de Maio de 2012
Fugiu um Condenado à Morte, de Bresson

Publicado ontem, no Ócio:

 

 

À noite, no claustro do Paço dos Duques, com a lua e as estrelas a espreitarem através das chaminés, um ecrã de cinema. Já passou Oliveira, Fassbinder e, hoje, um filme de uma das poucas pessoas que conseguiu conferir à palavra austeridade um brilho e calor em todo oposto à aspereza desumana com que o vocábulo tem andado contemporaneamente a infernizar vidas. Robert Bresson, escritor de imagens, inspirado profeta da liberdade interior, descreve minuciosamente cada gesto mínimo de um homem que foge da prisão. Um conceito de cinema feito de tensão e de paciência, de desejo e calculada e dirigida autorrepressão. Um filme de uma beleza extrema e capaz, no seu minimalismo, de prender qualquer pessoa a uma história de nervos que nos dá paz.

 

Podia ainda dizer que o filme é baseado numa história real (isso, ao que parece, vende) mas é mais que isso (sendo também isso).  Filmado no local onde se passou, com os adereços usados pelo próprio fugitivo, André Devigny, resistente francês, enquanto prisioneiro dos nazis. Podia dizer isso, mas isso interessa pouco. Ou nada.

Artigos da mesma série: ,
publicado por Manuel Anastácio às 07:27
link do post | Dizer de sua justiça | Quem disse o que pensou (2) | Adicionar aos favoritos
|
Cosmopolis, a outra face do canil

Publicado no Ócio:
 

Como dizia a PIDE, está tudo ligado. Ontem, vi a excelente peça de Valter Hugo Mãe, Canil, em que alguns revolucionários não comunistas, perdidos na sua impotência enjoada e movida a gelados de má qualidade, tentavam, a contra-relógio, defender a dignidade dos trabalhadores numa revolução em que tudo corre mal à conta dos instintos caninos de desejo e repulsa, de cio e de pânico. Em Cosmopolis, o universo alegórico é o mesmo, ainda que invertido. O senhor do capital vive como um cão, fornica como um cão mas deseja a eternidade como ela existe apenas no coração do ser humano, confusa e feita de insatisfação e fome, como diz a Carla, e de um desejo paradoxal de anulação, como subentendo nas palavras do Pedro. Também a contra-relógio.

 

Não penso, como João Lopes, no discurso de apresentação do filme, que este seja um objeto cinematográfico que se prolongue para lá das fronteiras do universo de Cronenberg. Já em Crash, em Videodrome, em Dead Ringers, havia este universo de insanidade aliada ao fetichismo tecnológico – e a economia capitalista não é mais que tecnologia, ou engenharia, se assim preferirem. A economia anticapitalista também, mas é menos dada aos prazeres sadomasoquistas. Há sempre, no fetichismo, o mal estar de se amar o poder de um objeto que nos é estranho e nos impõe  uma forma de ser nem sempre conforme aos nossos desejos assumíveis. Isso aparece, até, em filmes mais académicos como no recentemente aqui falado, Um Método Perigoso.
 

Não é a obra prima de Cronenberg, mas tem um traço cronenberguiano feroz e capaz de fazer muita menina maluca pelo Vampiro de Twilight abandonar a sala antes do filme acabar, confusa com os diálogos densos. E isso só valoriza o filme e faz subir Robert Pattinson muitos pontos na minha consideração. Cinema à moda subversiva de Cronenberg, como os seus aficionados há muito esperavam voltar a ver. Volto a dizer: não é uma obra prima, mas acompanha bem aqueles outros filmes que deram nome ao realizador.

Artigos da mesma série: ,
publicado por Manuel Anastácio às 07:22
link do post | Dizer de sua justiça | Adicionar aos favoritos
|
Sábado, 26 de Maio de 2012
A better life, a wider public…

O que é que se devia dizer a quem diz que não vai ao cinema, ao teatro, a concertos e outras coisas que tais porque são caros, depois de encontrar as salas de espetáculos gratuitos vazias ou perto disso? Aconteceu ontem no São Mamede. E o filme não era propriamente um produto para intelectuais e outra fauna alternativa. Não. “A Better Life” é um filme que faria chorar as pedras da calçada há uns anos atrás, mesmo não sendo um dramalhão tipo “Love Story”. Hoje, dão-me mais pena as cadeiras vazias que a história que nos é derramada olhos adentro.

 

Quando foi para ver o “Amor de Perdição” de Manoel de Oliveira, com presença do próprio, contavam-se pelos dedos os corajosos que se predispunham a avançar na loucura de quatro horas de filme, e isso é quase compreensível. Mas num filme destes, acessível a qualquer médio consumidor de cinema, a custo zero, é questão para perguntar o que é que se passa de errado. Será, como se diz sempre a falta de divulgação? Tenho as minhas dúvidas.

 

Passem um filme que diga Angelina Jolie, algures e vagamente, na ficha técnica e façam apenas o mínimo essencial de publicidade e vejam a sala a encher-se de comedores de barulhentos rebuçados, à falta de pipocas (sem juízos de valor, que também as como quando as há). E depois digam-me que o Star System é coisa dos anos 40.

Artigos da mesma série: ,
publicado por Manuel Anastácio às 20:28
link do post | Dizer de sua justiça | Adicionar aos favoritos
|
Quinta-feira, 24 de Maio de 2012
A Better Life, de Chris Weitz


 

Alexandre Desplat, que tem composto a banda sonora original de filmes de Polanski (como é o caso de Carnage), do último Harry Potter e da saga Twilight , de “Extremamente alto, incrivelmente perto”, de “A Árvore da Vida” de Malick, entre outros filmes bem conhecidos, até de quem não se dedica à cinefilia, vai ter direito, em Guimarães, a um ciclo de filmes mais difíceis de encontrar. O primeiro será este “A Better Life”, sem direito a título em português porque ainda não teve distribuição comercial por estas bandas. No São Mamede, com entrada livre, dia 25, sexta feira, às 21 e 30.

 

Kirk Honeycutt, crítico do Hollywood Reporter, viu nele semelhanças ao “Ladrões de Bicicletas” mas, ao que parece, com menos compromissos políticos e com uma mensagem de esperança. Talvez uma boa dica para o nosso primeiro ministro e a sua teoria das oportunidades que as adversidades trazem consigo. Não sei até que ponto é que esta “esperança” é ou não “realista” tendo em conta as descrições elogiosas ao verossímil trabalho dos atores e da atmosfera social retratada pouco dada a auroras cor-de-rosa, ou vermelhas, mesmo.

 

Melodramático, mas não meloso, dizem, este filme de Chris Weitz (o realizador dos primeiros “American Pie”! – não sei será bom cartão de visita; eu até nem desgosto…) , o filme deu algum protagonismo a Demián Bichir (que entra na série “Erva”), tendo-lhe valido uma nomeação para o Óscar de melhor ator.

 

 

Artigos da mesma série: ,
publicado por Manuel Anastácio às 13:40
link do post | Dizer de sua justiça | Adicionar aos favoritos
|
Carnage:O Deus da Carnificina, de Roman Polanski

Definir o cinema de Polanski com os fantasmas que o habitam é um lugar comum. E os lugares comuns são, como o nome diz, espaços partilhados. Há sempre, num filme de Polanski, o olhar daquele realizador que não compreendia a sobreteorização a que eram sujeitos os seus filmes, transformados pelo ócio dos espetadores que se querem sentir espertos, em símbolos freudianos e em elementos sígnicos de semiótica. Polanski sempre quis, apenas, contar histórias, divertir, assustar, preencher o vazio.

Se há algo de insano já nos seus primeiros filmes, a insanidade parental contemporânea parece ser um bom tema de partida. Kate Winslet, Jodie Foster, Christoph Waltz e John C. Reilly prometem um filme centrado no trabalho dos atores e que explora a riqueza violenta das relações humanas quando o verniz social da polidez estala e ressaltam as paixões pelos pormenores. Que as coisas são assim porque somos na maior parte do tempo aquilo que não somos, pode ser a moral que se adivinha. Mas Polanski sempre foi avesso a morais, pelo que, não conhecendo eu a peça de Yasmina Reza, que dá origem ao filme, posso esperar, do que conheço do resto da obra desta dramaturga, uma crítica bem-humorada dos maus humores que nos tomam sempre que tocam naquilo que julgamos amar. Uma “dramédia” sem grandes preocupações metafísicas.

Amanhã, no São Mamede, às 21 e 30. Sessão do Cineclube, julgo eu… que já não sei destrinçar o que é da responsabilidade do Cineclube e o que é da CEC… mas isso agora não interessa nada.

Artigos da mesma série: ,
publicado por Manuel Anastácio às 01:02
link do post | Dizer de sua justiça | Adicionar aos favoritos
|
Terça-feira, 22 de Maio de 2012
O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte

Vencedor da Palma de Ouro em 1962  (tendo vencido a filmes de Antonioni, Satyajit Ray, Bresson entre outros, com um júri presidido por Truffaut!) e nomeado para o Óscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, “O Pagador de Promessas” é um filme de forte conteúdo político, baseado numa peça de Dias Gomes, autor confesso de esquerda, mas que não deixava de ser crítico em relação à apropriação dos sonhos dos simples pelos que se julgam salvadores do (seu) mundo, incluindo, também, os camaradas da reforma agrária.  A fé de Zé do Burro, sincrética e confusa, como qualquer fé, incluindo a dos Santos, segue em direção à Terra de todos eles, em paga da cura do seu melhor amigo (e quem seria ele?) por Iansã, Santa Bárbara, ou como que lhe queiram chamar, para encontrar apenas o caminho do sacrifício.

 

Exemplo magnífico de uma cinematografia tão mal conhecida em Portugal, mas para a qual estamos tão receptivos, como se tem visto ultimamente, pode ser visto amanhã no Cineclube de Guimarães – no São Mamede, ainda na onda quente de Salvador da Bahia, na mesma sala onde ainda há pouco mais de um mês víamos a antestreia de “Capitães da Areia”. Uma oportunidade a não perder, oxente! Entrai no terreiro de alma aberta. Ah, e aproveitem para se fazerem sócios do mais antigo Cineclube de Portugal, já agora.

Artigos da mesma série: ,
publicado por Manuel Anastácio às 00:50
link do post | Dizer de sua justiça | Quem disse o que pensou (4) | Adicionar aos favoritos
|
Segunda-feira, 21 de Maio de 2012
Um método perigoso, de David Cronenberg (2)

 

 

O que escrevi num post anterior sobre este filme não era perfeitamente correto. Afinal, a promessa da vinda de um ator ou alguém “importante” era para a antestreia de um filme “surpresa” que está agendado para o final deste mês. Houve a feliz coincidência de  ser hoje o aniversário do Cineclube, com direito a bolo e a espumante. Mas como diria Jung, não há coincidências. O filme é competente na sua função de contar uma história, e o tema é cronenberguiano o suficiente, não tanto no estilo quanto nas obsessões pelas perturbações interiores das personagens.

 

A presença de Michael Fassbender num filme com uma óbvia relação temática ao filme “Shame” que tem tido algum destaque no “Ócio”, é outra não coincidência a analisar por quem se interesse pelos fenómenos da consciência coletiva. Haverá no ar a urgência de um novo confronto das pessoas com os tabus e repressões, numa altura em que a Sida parece deixar de determinar a forma como as pessoas se relacionam em termos sexuais? A liberdade sexual dos anos 60 está a dar lugar a um fenómeno diferente, mais científico e racional, em contraste com a liberdade mística catalizada pelas drogas e pela arte psicadélica?

 

Repegar em Freud e Jung numa altura em que já ninguém os utiliza como referentes obsessivamente utilizados na arte – já lá vai o tempo em que um objecto cilíndrico era sempre a representação do falo, e quem o dissesse passava por ser muito culto – é também assumir uma forma desencantada, mas não menos misteriosa e fascinante de viver a sexualidade. Por isso, este filme, não sendo um filme virtuosístico de Cronenberg, é um filme certo na altura certa, e que reequaciona a herança daqueles que incluíram o mistério dos impulsos e instintos inerentes ao ser humano nos dilemas de quem quer ser livre, feliz, ou os dois.

 

Artigos da mesma série: ,
publicado por Manuel Anastácio às 01:26
link do post | Dizer de sua justiça | Adicionar aos favoritos
|
.Nada sobre mim
.pesquisar
 
.Agosto 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
.Artigos da mesma série

. notas

. cinema

. livros

. poesia avulsa

. política

. só porque

. curtas

. arte

. guimarães

. música

. estupidez

. traduções

. wikipédia

. religião

. poesia i

. gosto de...

. ono no komachi

. narrativas

. tomas tranströmer

. buscas pedidas

. plantas

. arquitectura

. enciclopédia íntima

. blogues

. braga

. fábulas de esopo

. as quimeras

. gérard de nerval

. carvalhal

. animais

. blogs

. cultura popular

. disparates

. Herbário I

. poesia

. póvoa de lanhoso

. estevas

. pormenores

. umbigo

. bíblia

. ciência

. professores

. vilar formoso

. barcelos

. cinema e literatura

. coisas que vou escrevendo

. curtíssimas

. educação

. Guimarães

. rádio

. receitas

. ribeira da brunheta

. teatro

. vídeo

. da varanda

. economia

. família

. leitura

. lisboa

. mails da treta

. mértola

. Música

. os anéis de mercúrio

. cachorrada

. comida

. cores

. dança

. diário

. direita

. elogio da loucura

. escola

. esquerda

. flores de pedra

. hip hop

. história de portugal

. kitsch

. memória

. ópera

. profissão

. recortes

. rimas tontas

. sonetos de shakespeare

. terras de bouro

. trump

. Álbum de família

. alunos

. ângela merkel

. arte caseira

. aulas

. avaliação de professores

. ayre

. benjamin clementine

. citações

. crítica

. ecologia

. edgar allan poe

. ensino privado

. ensino público

. evolucionismo

. facebook

. todas as tags

.O que vou visitando
.Segredos
  • Escrevam-me

  • .Páginas que se referem a este site

    referer referrer referers referrers http_referer
    .Já passaram...
    .quem linka aqui
    Who links to me?
    .Outras estatísticas
    eXTReMe Tracker
    blogs SAPO
    .subscrever feeds