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Quinta-feira, 27 de Agosto de 2009
As flores como símbolo sexual

Lírios-do-vale e rosas amarelas, em "A Idade da Inocência", de Martin Scorcese.

 

Não cheguei a referir por aqui a volta da mais bela criação blogosférica portuguesa que é, sem dúvida, o "Dias com árvores". Foi lá que encontrei esta lindíssima citação de Lineu a respeito das flores ou, mais especificamente, a respeito de um dos seus acessórios de sedução: "as actuais pétalas de uma flor em nada contribuem para a sua geração, servindo apenas como tálamo nupcial que o Grande Criador tão gloriosamente preparou, adornado com cortinados de grande preciosidade e perfumes de muitas suaves fragrâncias, de modo a permitir ao noivo e à noiva celebrar aí as suas núpcias com a maior solenidade". Solenidade é palavra que pouco diria a uma flor se usasse o nosso vocabulário; nada há de solene numa flor, a não ser que a linguagem do desejo, liberta no abandono dos sentidos a si mesmos, seja em si mesmo solenidade. É certo que Lineu falava de solenidade porque sempre pareceria mais legítimo e moral que falar da pura luxúria hormonal que uma flor encerra nas suas pétalas que, mais que órgãos de protecção, são, geralmente, insidiosos convites à penetração orgíaca dos insectos que nelas realizam, insuspeitadamente, a tarefa de cumprir a ânsia de existir e se prolongar que caracteriza a vida. As flores sempre foram motivo de celebração do sexo e, mesmo, da negação do mesmo. É assim que o lírio branco envergado pelo Arcanjo Gabriel rivaliza com a branca açucena na mão de São José ou com as hipócritas florzinhas de laranjeira com que se disfarçam os desejos já consumados de muitas noivas. É óbvia a contradição, esta de se representar a virgindade com flores quando estas são apenas símbolos da mais descarada voluptuosidade. Claro que a rosa é já, não um símbolo de feminilidade, mas um símbolo de reverência para com o sexo feminino. Reverência essa que pode bem variar do mais extremado e lúbrico apetite à platónica satisfação de uma ascesce celibatária ou, quiçá, temerosa misoginia - é aí que entra a castradora imagem da rosa mística que não mais é que a negação da mulher ao seu próprio sexo para se submeter à insuficiência de uma certa ideia de masculinidade enformada pela religião. Em "A Idade da Inocência", Edith Wharton contrapõe aos lírios-do-vale, mensageiros de um regresso inevitável e natural, como a Primavera, oferecidos pelo protagonista à sua prometida, as rosas amarelas oferecidas à Condessa Olenska, personificação de uma atracção fatal e escandalosa. Rosas amarelas que simbolizam sempre algo de doentio, seja o ciúme, seja o amor que se esmorece, seja a traição ou o abandono. Mas se me lembrei de falar disto, foi por causa de um recente texto onde uma pila bem falante e prolífica bloguista se recusa a aceitar o adjectivo murcho, dizendo que quem murcha são as rosas... Ora, estando esta pila específica entre as rosas da coluna à direita, pensei em fazer uma nova subdivisão nas minhas categorias de blogues, onde a incluiria entre flores mais erectas. Há algo disso nos gladíolos, mas são flores demasiado emproadas e avessas a qualquer aproximação. Erecção por erecção, que seja a das flores do verde pinho, ou os duros aloendros da imagética erótica da Natália Correia. Mas não. Fica ali, entre os odores púbicos das rosas. Porque não há flor mais versátil no simbolismo que a rosa. Do mais extremado e lúbrico apetite à platónica satisfação de uma ascesce celibatária ou, quiçá, temerosa misoginia. Já o tinha dito.

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publicado por Manuel Anastácio às 15:24
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Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009
Bibliomancia

Carregar na fotografia para ver os créditos fotográficos e licença de utilização.

 

Um parvalhão qualquer roubou-me o nome e está a fazer-se passar por astrólogo. Haja paciência. De entre tantos nomes, tinha logo que ir buscar o meu. E, ainda por cima, parece que me anda a surripiar livros da estante. Tenho de comprar umas ratoeiras.

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publicado por Manuel Anastácio às 22:44
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Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009
Promessas

 

Casa da Ti Geéda. Carvalhal, Abrantes, Cabeço da Espanha. Foto minha na licença do costume.

 

Os poucos leitores que tenho são de uma fidelidade e de um coração de tal modo oceânico que chego a envergonhar-me das vezes que penso em terminar com o blogue e colocar um vídeo do Youtube com alguns dos finais mais bonitos do cinema como último artigo (a copiar a ideia do Spicka). E não consigo deixar de ser profundamente grato a quem, sem me conhecer de lado algum, e sem ter a natural predisposição que há para ler autores que passaram pelo crivo da publicação, da crítica, do público e da História, lêm e sentem o que escrevo quando tantas outras, que me conhecem de presença física e que, supostamente, são minhas amigas, não me lêm, não me querem ler ou dizem que escrevo muito (demais) e falo caro, ou, ainda, sentem como escarros na face algumas das coisas de que mais me orgulho de ter escrito. Ninguém é profeta na sua terra, dizem. Mas o meu fiel natal-conterrâneo (e, tanto quanto sei, único) leitor, Silvério Salgueiro, que, não fosse o blogue, na melhor das hipóteses, também não me conheceria para além da típica genealogia de aldeia, decidiu-se a contrariar o provérbio. E foi repescar algumas das promessas que tinha deixado em suspenso na bruma dos meus esquecimentos, o que só acontece quando vasculhamos os escritos do baú (coisa a que a escrita bloguística não convida muito). Na verdade, não são esquecimentos nem promessas de político. Em algum dos casos, a ideia que tinha em mente desenvolver simplesmente dissolveu-se em outras ideias ou degenerou irremediavelmente nas ideias que não consigo desenvolver, por bloqueios de ordem vária, mas que não creio, de todo, irremediáveis.

 

Assim, fica em suspenso um artigo sobre o professor Baptista Reis porque, depois do que sobre ele escrevi no Professores V (ponto 7) dificilmente conseguiria dizer mais. Mas não digo nunca.

 

Quanto ao texto que tinha deixado em suspenso, e para o qual o meu caro Silvério pede continuação :

 

" O autocarro parava em frente de uma vidraça de loja, no café da Portela, onde lia, aí reflectido "aramac lapicinum ed laodras". Parecia latim ou élfico superior. Depois, seguia por uma curva, ao lado da loja do pai do Americano, e com um eucalipto esguio - o último de um renque e que foi poupado para servir de ponto de referência a quem chegasse à terra, de modo a poder dizer: aqui, junto a este eucalipto cujos ramos baixos foram podados, para acentuar o perfil fálico, está a casa dos Pichas... "

 

... foi escrito estando eu absorto num sentimento particularmente doloroso e propenso a determinadas evocações. Não o vou poder repegar, também, a não ser que outra incógnita e insuspeita madalena de Proust se venha a insinuar nos meus dias e a obrigar-me a escrever aquilo que o computador não me deixou escrever nessa altura. Penso repegar naquele texto, de facto. Mas não agora. E aviso desde já que a casa dos Pichas merece, de facto, um artigo (não aquele, que apenas referiria a casa de passagem). Mas faltam-me os dados históricos e coscuvilhices e uma fotografia de jeito, ainda que a casa tenha entretanto sofrido uma profunda lavagem de cara, mantendo, ainda assim, muitas das dignas linhas da bela arquitectura vernácula de Carvalhal (que muito devem à família do Silvério Salgueiro, nomeadamente os mestres  Manuel Salgueiro e António Dias Salgueiro, respectivamente pai e avô do meu leitor), que as gerações recentes têm se esforçado por apagar e destruir.

 

Prometo que vou pensar no assunto.

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publicado por Manuel Anastácio às 02:00
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Sábado, 11 de Outubro de 2008
Problemas de comunicação

Restaurante "O Abocanhado", em Brufe, Terras de Bouro.

 

No artigo anterior, apresento como enigma a placa que encontrei em Brufe, Terras de Bouro. Como não tinha localizado especificamente este Brufe, é natural que alguns leitores, pouco conhecedores da geografia do Norte montanhoso de Portugal, pudessem pensar, depois de uma consulta a Santo Google, que me referia à freguesia de Brufe, em Famalicão. A internet e os meus posts podem, de facto, levar a essa conclusão errada. Em artigos anteriores, tenho exposto algumas fotografias de milheiros na paisagem montanhosa da Serra da Amarela, apenas com a menção de "Brufe". Se eu for, entretanto, à Wikipédia no momento em que escrevo este artigo, encontro na página "Brufe" a desambiguação para duas freguesias com o mesmo nome, uma em Famalicão, outra em Terras de Bouro. Acontece que a fotografia que ilustra o Brufe de Famalicão é um milheiro, no meio de couves galegas recém-postas e murchinhas de sede, num alto montanhoso. É natural, portanto, que se julgue (para quem não conheça as notórias diferenças entre Famalicão e Terras de Bouro), que eu falava do Brufe de Famalicão. Entretanto, já pus, na Wikipédia, a fotografia no lugar certo.

 

O Brufe de Terras de Bouro, situado onde Judas perdeu as botas é, entretanto, um local actualmente muito na moda graças a um restaurante de simples mas eficaz arquitectura contemporânea ("O Abocanhado"), sobre uma paisagem de maravilhas, e ao lado de uma aldeia de belos recantos de granito.

 

Entretanto, a Carla ajudou-me a clarificar algumas coisas, no mesmo sentido que a intervenção do Luís Bonifácio, cujas visitas muito me honram, a despeito das nossas claras diferenças ideológicas. Citando Manuel Antunes, no Blog Vento Norte: "[a Independência] pedimo-la [os de Terras de Bouro] logo em 1139, ainda antes da existência de Portugal, quando, na Veiga da Matança, em Valdevez, ajudámos (às ordens do normando Gonçalo de Abreu, descendente dos reis de França, vindo para Portugal com o Conde D. Henrique, donatário de Brufe, aldeia vizinha de Vilarinho) D. Afonso Henriques e os seus homens, contra o Reino de Leão. E lutámos por essa independência (a de Portugal), ao lado de D. João I e ao lado de D. João IV. Por isso é que, desde o princípio da nacionalidade, os reis de Portugal concederam às Terras dos Búrios (actual Terras de Bouro) o "privilégio" de os seus mancebos não participarem no exército do reino, com a condição de defenderem a fronteira com o país vizinho, nomeadamente na Portela do Homem, na Portela da Amarela, no Castelo de Bouro, etc. (...). "Privilégio" esse que perdurou até 1834."

 

O Luís Bonifácio, contudo, em comentário anterior ao da Carla dizia "No caso de Brufe, um dos direitos que tinha era o de não dar mancebos para o serviço militar, ao contrário do que sucedia com outras povoações ali perto. E porque é que Brufe tinha esse direito?" - pergunta... E responde: "Basta ler a placa!" - não, não basta ler a placa! A placa não explica, em lado algum a razão do privilégio (entretanto esclarecido pela Carla). Apenas diz que apesar desse privilégio, Brufe "honrava o país na luta contra o invasor"! Mas qual a razão da referência específica a 1706? E qual era esse invasor? O Luís diz: "os seus habitantes se notabilizaram por feitos heróicos na sua defesa [na defesa de quê, ao certo?], muito provavelmente durante a Guerra da Restauração, pois na Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714) não ocorreram quaisquer combates no norte do país." - ora, a Guerra da Restauração terminou em 1668, por isso continuo a considerar como enigma aquela data, naquela placa. E, tal como o Luís diz, na Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714) não ocorreram quaisquer combates no norte do país. Por isso, por que razão aparece 1706???

 

O enigma persiste. Para mim, pelo menos.

 

 

Paisagem da Serra da Amarela, Brufe, Terras de Bouro.

publicado por Manuel Anastácio às 19:51
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Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008
Uma aventura na Terra dos Mortos

Trailer de "Diário dos Mortos" de George Romero

 

George Romero, no seu último "Diário dos Mortos" transporta o universo dos zombies para a realidade youtubificada e bloguizada. Romero não vai para novo e a sua visão é, inevitavelmente crítica. Eu, por mim, nada tenho contra as críticas aos novos paradigmas de partilha de conhecimento e de comunicação - essas críticas fazem parte do próprio paradigma de dar voz a todos, mesmo àqueles que mentem. O que me irrita profundamente é a presunção de que, antes, as coisas eram intelectualmente mais sérias ou mais claras. A dada altura, é repetida, no supracitado filme, a asserção de que dar voz a todos apenas aumenta o ruído. Isso é verdade. Mais que verdade: é inevitável. Sistemas cada vez mais complexos implicam um nível maior de ruído. A Democracia é naturalmente ruidosa. Entenda-se por ruído todos os estímulos que nos chegam disfarçados de mensagem válida. E entenda-se por mensagem válida aquela que nos permite estabelecer estratégias úteis para a nossa qualidade de vida. E entenda-se como qualidade de vida o espectro que se estende da sobrevivência, passando pelo prazer e culminando na compaixão. Quando nos apercebemos de que a felicidade só tem sentido se compartilhada, atingimos o auge da qualidade de vida porque, além de vivermos e usufruirmos do prazer, cumprimos a nossa, geneticamente programada, missão de sermos humanos. O protagonista do deslumbrante "Into the Wild" - "O Lado Selvagem" descobriu isso de forma dramática. Fugir do ruído é uma péssima estratégia para quem procura a clareza de ser feliz.

 

A rede é ruidosa. Há muitas versões da mesma coisa a circular, dizem. Assim é. O Youtube, os blogues, a Wikipédia, são instrumentos de confusão, dizem. Não, não são. A confusão existe apenas porque muitos dos utilizadores da rede não estão preparados para criticar e validar como sensato aquilo que vê ou aquilo que lê. As pessoas continuam a ser educadas como se aquilo que está escrito fosse válido pelo simples facto de estar escrito. Isso permanece, inclusive, subentendido na linguagem quotidiana: onde é que isso está escrito, pergunta-se. E pergunta-se porque só é afim à verdade aquilo que é sacralizado num qualquer registo de escrita (gravações de som, fotografias e filmes também o são). A escrita, em princípio, dá um carácter sagrado às afirmações: quod sripsi, scripsi, o que escrevi, está escrito.

 

Ora, se é preciso educar para a dessacralização da escrita: educar para a desconfiança e para a discussão, também é preciso educar para a verdade. E é aqui que a porca torce o rabo. Domingo, no programa "Câmara Clara", o Francisco José Viegas defendia os cânones que emergem da própria História da Humanidade, enquanto que Isabel Alçada persistia na ideia de que o importante era que as crianças lessem, fosse o que fosse. Essa ideia é corrente nos meios pedagógicos e, quanto a mim, é puro veneno, puro ruído - pura desresponsabilidade. Estavam a falar do Plano Nacional de Leitura, entende-se, e, mais particularmente, no âmbito da escola. Pois bem, eu não posso concordar com a ideia de que a escola deve, de forma acrítica, abrir os portões, de forma igual, para qualquer produto mediático da mesma forma que para um conto dos irmãos Grimm ou para uma das histórias infantis de Oscar Wilde. Diz Isabel Alçada que não deve caber a um grupo de iluminados estabelecer cânones ou indicar obras de referência, porque a descoberta dessas obras de referência deve caber a cada pessoa, na sua própria caminhada. Ao ouvir falar de uma "Selecta Literária" quase se benzeu, dizendo que não é lendo excertos que se adquirirão competências de leitura ou se promoverá a leitura dos textos integrais... Eu até poderia concordar, se não me lembrasse de que hoje o ruído é imenso. Vou deixar as crianças às apalpadelas a lerem porcaria quando têm ao alcance uma obra que lhes proporcionará uma maior possibilidade de se compreenderem, de compreenderem os outros, e que lhes poderá criar mais situações de vontade de aprender? Não, não vou. E o Plano Nacional de Leitura não se devia demitir dessa função normativa... É preciso indicar os melhores percursos, ainda que se dê, depois, liberdade para percorrer outros.

 

As reticências de Isabel Alçada são devedoras das correntes pedagógicas populistas que temem a elitização do ensino. Ora, as elites são necessárias enquanto referência de excelência. Se escolheram a Isabel Alçada para dinamizar o Plano não foi, com certeza, por ela ser igual a uma peixeira do Bolhão. E a Democracia no ensino não deveria pressupor que os filhos da peixeira do Bolhão têm de começar por ler a revista "Maria" enquanto que os filhos de José Sócrates começarão, cedo, por ter contacto com obras críticas, científicas e literárias que, de certeza, os prepararão para ultrapassar o pai no seu nível cultural. Este modelo pedagógico de branqueamento do material de leitura faz mais pela reprodução social, ao manter cada jovem limitado àquilo que mais facilmente o agrada, preso que está às condicionantes sócio-culturais onde se move, do que se a todos fosse dado um horizonte de leitura de qualidade. E, para isso, é preciso que a escola não se demita de valorizar as obras que se destacam de entre todas as que temos à mão nas bibliotecas. Mas como fazê-lo? A quem dar essa tarefa de canonizar textos? A resposta de Francisco José Viegas é diplomática, mas não pragmática: cabe à própria História. Isabel Alçada contrapõe: a História é escrita por alguns. Pois bem, é a esses alguns que temos de recorrer. Os erros de avaliação desses alguns acabarão por serem corrigidos ou substituídos pelos outros alguns que os substituam. Mas as pessoas, paradoxalmente,  têm medo do excesso de vozes e do relativismo cultural que sobressai de uma sociedade pluricéfala e pluriglótica onde nascem monstros tão temíveis como a blogosfera e as Wikipédias, eivadas de todo o género de falsidades e distracções. E, assustados com estas monstruosidades colectivas, esperam que sejam os indivíduos a descobrir a sua própria verdade. Lançam as crianças para a selva das vozes sem um mapa que seja, porque se demitem da função de dar crédito a elites.

 

E, como no filme de Romero, os zombies vão tomando conta de tudo.

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publicado por Manuel Anastácio às 14:31
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Segunda-feira, 4 de Agosto de 2008
Vala comum II (ao Paulo Hasse Paixão)

MIchael Nyman: Water dances, stroke.

 

Compõem-se os seres para a decomposição.

Não só os homens.

Também a música se perde - e a canção,

Como os poemas e a verde verve
deste punhal que, seguro,

Brande doido, o meu futuro, igual ao teu.

E, afinal,

Não há caminho mais porreiro

que este aberto pelo coveiro:

directo, simples, sem confusão

na sua única e perfeita direcção.

Não, acredita que não há.

Não há caminho mais porreiro

Que este aberto pela pá,

sério adereço do cemitério sem endereço.

É pá, porreiro!

É porreira, a pá.

Assim como o mistério que enalteço

No som do violino.

Pá... destino porreiro,

É tão porreira a pá

Quanto este mundo cretino

de vis engodos.

Bah...

É fodida, a puta da pá.

Fode-nos a todos.



Descobri o Paulo Hasse Paixão a partir da lista de links da Carla de Elsinore e foi com a sua série de comentários sobre sete quadros da colecção do Dr. Gustav Rau, na altura apresentada no Museu Nacional de Arte Antiga, que depressa fiquei cativado pela inteligência e sensibilidade vigorosa e assertiva com que destilava a beleza de cada pintura. Mais tarde, dediquei-lhe aqui um post sobre a brilhante e imaginativa defesa que fez à heteronímia de Sócrates. Há  dias, tive a honra de ser presenteado com uma dedicatória numa das incursões musicais do seu One: Kubrik, onde, de forma desconcertante, com uma voz que não reúne consensos, mas sempre interessante, recita alguns dos seus poemas em contraponto com as suas experiências musicais. Tive a honra, juntamente com a Carla de Elsinore, de ver o meu nome associado a uma peça puramente musical, minimalista, que evolui da percussão para as cordas em direcção a um  final sublinhado por sopros apocalípticos. Gostaria que o fim fosse mais abrupto, confesso, sem o maneirismo da bateria - mas isso sou eu, que ainda deliro com os Michael Nyman e Philip Glass de outros tempos. Prometi-lhe uma crítica. Mas a minha vocação não é proriamente a de musicólogo nem crítico musical. Como aconteceu com o poema que dediquei ao D'Noronha, limitei-me a plagiar o Paulo, directamente inspirado no seu poema sem palavras e no "Vala comum". Espero que ele não se importe. Plagiar é a mais evidente forma de admirar.

 

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publicado por Manuel Anastácio às 23:51
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Quarta-feira, 25 de Junho de 2008
António Sousa Homem

Psilocybe cubensis em desenvolvimento. Porque nem tudo tem de fazer sentido.

 

Há na literatura minhota, de Camilo Castelo Branco a Agustina, um peso granítico que tanto pode maravilhar como causar um certo embaraçar de olhos perante uma língua que, sendo a portuguesa, e sem grandes dependências do galego, parece uma língua à parte. Os próprios cenários são diferentes da literatura do resto país. Nesta literatura abundam os casarões, os pergaminhos, os retratos e o pó que se acumula nos móveis. Mas a fala das personagens, por mais pergaminhos que a sustente, é, quase sempre, a fala do homem vulgar minhoto que trabalha ou trabalhava nos campos antes de a indústria se ter instalado por tudo quanto é sítio, erguendo chaminés de tijolo que hoje marcam o horizonte, rente a pavilhões abandonados, com vidros partidos e cimento à vista, da vista escondendo-se sob o musgo. Há uma certa forma de falar minhota que aqueles que aqui não nasceram jamais conseguirão imitar. Não falo de sotaques, mas da própria sintaxe. Granítica e barroca como um alçado de André Soares.

 

É aqui que António Sousa Homem, brilhante retrato de um minhoto muito pouco reaccionário - ou reaccionário como só alguns minhotos conseguem ser, mostra que não é, de facto, minhoto. Se psicologicamente e sociologicamente falando, esta personagem é deveras alguém que vive realmente entre os pinhais de Moledo, já não o é na qualidade de falante minhoto. A paisagem humana está ali, os brasões também. Mas a fala é clara, marmórea e leve. Nem uma ponta de cinzento do granito minhoto. António Sousa Homem não é minhoto. Muito menos, botânico. Fala, a dado momento, de urze, quando as plantas que aqui reclamam a atenção são menos avaras na largueza das folhas e mais efémeras no resplendor das flores. Mas pode ser que me engane, que Moledo do Minho não é local que tenha recebido o meu peso nem o meu olhar picuinhas entre as ervas.

 

António Sousa Homem é, acima de tudo, um homem. Nem reaccionário (que os reaccionários nunca assim se autoproclamam), nem minhoto, nem botânico. Não é, de modo algum, um heterónimo. Nem sequer advogado, como diz o site da ASA. António Sousa Homem é, porque ao aceitar classificar-se (é aí que reside a sua condição de botânico), passa a ser - mesmo que nunca tenha sido. É um homem porque é, em si mesmo, um livro. E um livro é um homem, assim como cada homem é um livro (ainda que, ao contrário do que se possa depreender da formulação, não exista relação de identidade ou equivalência entre os dois conceitos). António Sousa Homem não é um heterónimo porque não é uma pessoa com vida independente. Para todos os efeitos, é o fruto do autor que o deu à luz já em idade avançada (idade avançada de António Sousa Homem, não do autor, que não estamos a falar de graças parideiras do Antigo Testamento). António Sousa Homem é apenas aquilo que todos os homens deviam ser, na sua tolerância, humor e sabedoria, em detrimento de opções políticas, que não chega a ter, ou raízes nacionais ou regionais. É uma figura Universal, da mesma forma que Dom Quixote que, apesar de ter nascido e vivido num lugar da Mancha, de cujo nome não me convém agora lembrar, e apesar de viver e respirar o lugar onde está, como assim fazia o Cavaleiro da Triste Figura, é exemplo moral (ou não: "nem tudo tem de ter sen­tido na nossa vida", como diria o velho doutor Homem, pai deste) do que seja ou deveria ser a humanidade. É a arte de formar a ideia do Homem a partir das contigências - não através de sentenças ideológicas, mas de cada coisa que marca um homem. Tenha ou não tenha sentido. Isso é entender, como jamais poderá ser possível entender melhor, o que é isso da Condição Humana.

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publicado por Manuel Anastácio às 20:58
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Terça-feira, 17 de Junho de 2008
Cura Interior

O meu grande, grande amigo Paulo Brabo decidiu responder de forma simplesmente magnífica ao meu repto (devido a uma corrente em que o elo anterior era a Inês Ramos) para que indicasse os dez livros que não lhe tinham mudado a vida. Sabendo ele muito bem que o pior que se pode dizer de um livro é que nem aquece nem arrefece, deu um pouco volta à questão e preferiu escolher um livro que pudesse espezinhar. Bem poderíamos começar uma corrente sobre quais os livros que gostaríamos de erradicar da face da Terra. Digamos que sou absolutamente contra tal prática, até porque a melhor maneira de espezinhar as ideias veiculadas por um livro é escrever outro livro e não eliminando o primeiro. O que há de bom nos livros asquerosos é que motivam a escrita de livros bons (que não se devem confundir com bons livros).

 

O blogue do Paulo Brabo, A Bacia das Almas, é um monumento gráfico-literário que exige com urgência uma indicação para património imaterial da Humanidade. É até obsceno que alguém consiga ser tão prolífico e mantenha, ao mesmo tempo, e invariavelmente, um tão elevado grau de qualidade em tudo o que faz. Alguns já o conhecerão do Palavras de Ouro, do Luís Gaspar, que tem usado com frequência a sua tradução das Lendas dos Judeus. Ultimamente, a sua série de tiras de banda desenhada "Cura Interior" tem-me iluminado os olhos. Ver o meu nome no rodapé de uma destas tiras magníficas (pois, não consigo encontrar outro adjectivo) é, simplesmente, razão para me considerar venturoso.

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publicado por Manuel Anastácio às 17:05
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Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007
Os desterrados


"O Figurativo Fugindo do Concreto", de Dudi Maia Rosa, 1980

Cada vez acredito menos em Povos. A cada dia que passa, a cada linha de texto que leio, a cada fotograma e traço que se imprime na tela prateada da minha memória, noto que aquilo que distingue mais fortemente os povos - a sua cultura - não se está a tornar na prevista e propagada monotonia da sombra da Globalização. O povo-papel-químico que prefere comer McDonald's e cerveja em vez de arroz de sarrabulho e alvarinho não está mais pobre culturalmente - provavelmente está até mais rico e até mesmo mais integrado no sistema de metástases ideológicas (vulgo "cancro de ideias") a que se chama "identidade cultural de um povo". O que distingue os portugueses dos outros? Nada. O que é que já nos distinguiu dos outros? Nada. Nem na mediocridade, nem no valor, nem nos desejos. Somos tão medianos quanto um bocejo. Com tanta variedade num tão pequeno espaço, acabamos por julgar que a freguesia ao lado é estrangeiro. Somos tão pequeninos e acanhados, que até o vizinho do lado, que come mais ou menos o mesmo que nós, fala com o mesmo sotaque, ouve as mesmas músicas pimba, lê o mesmo jornal que nós (a Dica da Semana, claro, que até tem uma secção de anedotas) e vê a mesma novela da TVI é considerado estrangeiro. Em Carvalhal, Abrantes, na minha terra de nascença, os vizinhos do lado eram brasileiros, e a parte noroeste da rua, onde vivia, num alto sobre as ladeiras recortadas por pinheiros era conhecido como o cabeço da Espanha. No Alentejo, tirando Mértola, onde o pessoal comia pipas à espanhola e ignorava que existissem outras terras além dos seus acanhados montes de xisto, não há terra ao lado que não seja Marrocos. Vindo eu desaguar em Guimarães, neste caminho que leva ao mar (Via Maris), pensando estar a fincar os pés no Berço da Nação, descubro que é tudo um mito (e em Portugal, o que é que não é mito?) e que, segundo alguns bracarenses, estou em Espanha. Nasci no cabeço da Espanha (nasci mesmo, com parteira e tudo, nada de brancuras de hospital) e venho assentar arraiais entre espanhóis. Tenho para mim que é dor de cotovelo. Nada contra Braga. Mas duvido que em Braga se viva a comunidade como em Guimarães. Não conheço gente mais unida e solidária no bem e no mal que a de Guimarães. Mas estou a fugir ao tema: o que mais distingue os portugueses dos outros povos é a nossa pertença ao mais ínfimo pedaço de terra e o horror a tudo o que está além do limite do campo de milho onde comemos o farnel mais longe de casa (conhecem aquela cena do Sam, do Senhor dos Anéis, a caminho de Bree, logo no início do primeiro volume? Seremos Hobitts?). Não somos portugueses por termos ânsias de navegar em direcção ao desconhecido. Somos portugueses porque o desconhecido parece ser preferível à terra do lado. Estamos em todo o lado porque o nosso pedaço não nos comporta e o pedaço do lado nos repele. Somos o que somos porque não aguentamos aqueles que mais parecidos são connosco. Somos todos, ou quase todos, profetas. E quase todos limpamos o pó das sandálias à saída da nossa terra.

Enriquecemos o mundo com uma panóplia interessante de tons de pele e humores vadios. Foi o melhor que fizemos: gente. Geralmente preguiçosa como nós, com diversas matizes de preguiça. Fomos tristes, continuamos tristes, melancólicos. Só um copo de vinho rasca, de aguardente ou de cerveja com nome estrangeiro (no Norte) ou com nome de cabo (no sul) nos consegue animar.

Somos, portanto, um povo de nostalgias a quem a terra repele. E repelindo-nos a terra, resta-nos o mar. Não que seja coisa que o português histórico amasse ou pela qual ansiasse. Não era o mar que nos chamava, mas a terra que nos vomitava. Não éramos o olhar esfíngico e fatal de um rosto virado a Ocidente. Mas seria bom que esse fosse um programa a seguir, já que andamos tão interessados em saber quem somos graças ao palhaço do M grande. Estava há dias a voltar de Ponte de Lima, e comentei com a Carla que o M luminoso bem podia estender a sua aura protectora sobre o monte da Penha - o primeiro vulto ponteado de luz a indicar-nos a aproximação de casa. Perderíamos, por acaso, o bolo com sardinhas fritas e a malga de vinho verde à sombra dos penedos do tecto de Guimarães? Não. Tenho para mim que ganharíamos uns desfiladeiros mais limpinhos, libertos de caca e cacos. É que esta terra repele-nos porque, de facto, a enchemos de caca e de cacos. Mas veio o fantasma da Globalização e o pessoal começou a temer pela integridade da sua identidade. E, claro, como poderemos fugir à nossa identidade universalista, aberta ao desconhecido e ao escorbuto? Enchemos o mundo com os nossos ossos. A nossa Pátria não é a terra que não nos quis, nem a terra que não nos recebeu. Ficámos onde? No mar. Não porque nos chamasse, mas porque de nós zombava. Porque nos queria engolir numa catástrofe atlântico-trágico-marítima e foi preparando o grande banquete com alguns pequenos aperitivos. Deu-nos a ilusão de grandeza. Deu-nos a ilusão de heroísmo, de força, de vontade, quando tudo era coacção e repulsa. Fomos inseminando ventres definidos por terras acolhedoras que a nossa benévola ignorância apenas sabia desejar, sem compreender. Foi este mar da frente que nos serviu de palco. Serviu. Já não serve. Hoje, o mundo está passado a ferro e a água do mar está devidamente liofilizada para nossa conveniência.

Não somos, pois, gente de terra. Nem, muito menos, nos corre o mar nas carótidas. Mas se houver lugar (físico) no mundo a que possamos chamar Pátria, esse lugar é o Atlântico. Não o Mediterrâneo de onde vêm algumas longíquas influências genesíacas, mas o Atlântico, mar de promessas e sussuros mentirosos. O Mediterrâneo é um mar de baptismo, mítico, religioso, solar. O Atlântico é um mar de desafio, um mar político, mentiroso, enevoado, elusivo: generoso e insaciável.

Comecei este texto com a intenção de glosar de forma breve um admirável texto do Paulo  sobre o mito mediterrânico, e acabei por perder-me. Típico de um português. Muito atlântico, por sinal. Fica aqui a promessa de voltar ao assunto, sem esperança de voltar a casa.
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publicado por Manuel Anastácio às 01:03
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Terça-feira, 23 de Outubro de 2007
Ao Joaquim Alves, sem acaso

"Rosas", roubadas ao Joaquim Alves, que foi, até hoje, a única pessoa a dedicar-me um poema. Retribuo hoje o gesto.

Disse-me que os sonhos são daltónicos
não sei
se
por causa da cor
que não têm
se por causa
das cores que têm
e que eles
eles não
mas nós sim
vêem
ou não
porque alguns versos são daltónicos
a falta de vírgulas compromete
a absorção
e decodificação
de alguns comprimentos de onda

Disse-me que os sonhos são daltónicos
e que isso é evidente
e-vidente
talvez sejam visões
virtuais
talvez
não
ponto final

Disse-me que há que sonhar
até ao suspiro final
todos os dias

então
que
tomar nas mãos o barro
e deixá-lo cozer no fogo descolorido
dos sonhos
condensados em eternidade
no fundo
da púcara
do espanto
que reflecte as estrelas
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publicado por Manuel Anastácio às 20:57
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