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Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008
Uma aventura na Terra dos Mortos

Trailer de "Diário dos Mortos" de George Romero

 

George Romero, no seu último "Diário dos Mortos" transporta o universo dos zombies para a realidade youtubificada e bloguizada. Romero não vai para novo e a sua visão é, inevitavelmente crítica. Eu, por mim, nada tenho contra as críticas aos novos paradigmas de partilha de conhecimento e de comunicação - essas críticas fazem parte do próprio paradigma de dar voz a todos, mesmo àqueles que mentem. O que me irrita profundamente é a presunção de que, antes, as coisas eram intelectualmente mais sérias ou mais claras. A dada altura, é repetida, no supracitado filme, a asserção de que dar voz a todos apenas aumenta o ruído. Isso é verdade. Mais que verdade: é inevitável. Sistemas cada vez mais complexos implicam um nível maior de ruído. A Democracia é naturalmente ruidosa. Entenda-se por ruído todos os estímulos que nos chegam disfarçados de mensagem válida. E entenda-se por mensagem válida aquela que nos permite estabelecer estratégias úteis para a nossa qualidade de vida. E entenda-se como qualidade de vida o espectro que se estende da sobrevivência, passando pelo prazer e culminando na compaixão. Quando nos apercebemos de que a felicidade só tem sentido se compartilhada, atingimos o auge da qualidade de vida porque, além de vivermos e usufruirmos do prazer, cumprimos a nossa, geneticamente programada, missão de sermos humanos. O protagonista do deslumbrante "Into the Wild" - "O Lado Selvagem" descobriu isso de forma dramática. Fugir do ruído é uma péssima estratégia para quem procura a clareza de ser feliz.

 

A rede é ruidosa. Há muitas versões da mesma coisa a circular, dizem. Assim é. O Youtube, os blogues, a Wikipédia, são instrumentos de confusão, dizem. Não, não são. A confusão existe apenas porque muitos dos utilizadores da rede não estão preparados para criticar e validar como sensato aquilo que vê ou aquilo que lê. As pessoas continuam a ser educadas como se aquilo que está escrito fosse válido pelo simples facto de estar escrito. Isso permanece, inclusive, subentendido na linguagem quotidiana: onde é que isso está escrito, pergunta-se. E pergunta-se porque só é afim à verdade aquilo que é sacralizado num qualquer registo de escrita (gravações de som, fotografias e filmes também o são). A escrita, em princípio, dá um carácter sagrado às afirmações: quod sripsi, scripsi, o que escrevi, está escrito.

 

Ora, se é preciso educar para a dessacralização da escrita: educar para a desconfiança e para a discussão, também é preciso educar para a verdade. E é aqui que a porca torce o rabo. Domingo, no programa "Câmara Clara", o Francisco José Viegas defendia os cânones que emergem da própria História da Humanidade, enquanto que Isabel Alçada persistia na ideia de que o importante era que as crianças lessem, fosse o que fosse. Essa ideia é corrente nos meios pedagógicos e, quanto a mim, é puro veneno, puro ruído - pura desresponsabilidade. Estavam a falar do Plano Nacional de Leitura, entende-se, e, mais particularmente, no âmbito da escola. Pois bem, eu não posso concordar com a ideia de que a escola deve, de forma acrítica, abrir os portões, de forma igual, para qualquer produto mediático da mesma forma que para um conto dos irmãos Grimm ou para uma das histórias infantis de Oscar Wilde. Diz Isabel Alçada que não deve caber a um grupo de iluminados estabelecer cânones ou indicar obras de referência, porque a descoberta dessas obras de referência deve caber a cada pessoa, na sua própria caminhada. Ao ouvir falar de uma "Selecta Literária" quase se benzeu, dizendo que não é lendo excertos que se adquirirão competências de leitura ou se promoverá a leitura dos textos integrais... Eu até poderia concordar, se não me lembrasse de que hoje o ruído é imenso. Vou deixar as crianças às apalpadelas a lerem porcaria quando têm ao alcance uma obra que lhes proporcionará uma maior possibilidade de se compreenderem, de compreenderem os outros, e que lhes poderá criar mais situações de vontade de aprender? Não, não vou. E o Plano Nacional de Leitura não se devia demitir dessa função normativa... É preciso indicar os melhores percursos, ainda que se dê, depois, liberdade para percorrer outros.

 

As reticências de Isabel Alçada são devedoras das correntes pedagógicas populistas que temem a elitização do ensino. Ora, as elites são necessárias enquanto referência de excelência. Se escolheram a Isabel Alçada para dinamizar o Plano não foi, com certeza, por ela ser igual a uma peixeira do Bolhão. E a Democracia no ensino não deveria pressupor que os filhos da peixeira do Bolhão têm de começar por ler a revista "Maria" enquanto que os filhos de José Sócrates começarão, cedo, por ter contacto com obras críticas, científicas e literárias que, de certeza, os prepararão para ultrapassar o pai no seu nível cultural. Este modelo pedagógico de branqueamento do material de leitura faz mais pela reprodução social, ao manter cada jovem limitado àquilo que mais facilmente o agrada, preso que está às condicionantes sócio-culturais onde se move, do que se a todos fosse dado um horizonte de leitura de qualidade. E, para isso, é preciso que a escola não se demita de valorizar as obras que se destacam de entre todas as que temos à mão nas bibliotecas. Mas como fazê-lo? A quem dar essa tarefa de canonizar textos? A resposta de Francisco José Viegas é diplomática, mas não pragmática: cabe à própria História. Isabel Alçada contrapõe: a História é escrita por alguns. Pois bem, é a esses alguns que temos de recorrer. Os erros de avaliação desses alguns acabarão por serem corrigidos ou substituídos pelos outros alguns que os substituam. Mas as pessoas, paradoxalmente,  têm medo do excesso de vozes e do relativismo cultural que sobressai de uma sociedade pluricéfala e pluriglótica onde nascem monstros tão temíveis como a blogosfera e as Wikipédias, eivadas de todo o género de falsidades e distracções. E, assustados com estas monstruosidades colectivas, esperam que sejam os indivíduos a descobrir a sua própria verdade. Lançam as crianças para a selva das vozes sem um mapa que seja, porque se demitem da função de dar crédito a elites.

 

E, como no filme de Romero, os zombies vão tomando conta de tudo.

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Segunda-feira, 4 de Agosto de 2008
Vala comum II (ao Paulo Hasse Paixão)

MIchael Nyman: Water dances, stroke.

 

Compõem-se os seres para a decomposição.

Não só os homens.

Também a música se perde - e a canção,

Como os poemas e a verde verve
deste punhal que, seguro,

Brande doido, o meu futuro, igual ao teu.

E, afinal,

Não há caminho mais porreiro

que este aberto pelo coveiro:

directo, simples, sem confusão

na sua única e perfeita direcção.

Não, acredita que não há.

Não há caminho mais porreiro

Que este aberto pela pá,

sério adereço do cemitério sem endereço.

É pá, porreiro!

É porreira, a pá.

Assim como o mistério que enalteço

No som do violino.

Pá... destino porreiro,

É tão porreira a pá

Quanto este mundo cretino

de vis engodos.

Bah...

É fodida, a puta da pá.

Fode-nos a todos.



Descobri o Paulo Hasse Paixão a partir da lista de links da Carla de Elsinore e foi com a sua série de comentários sobre sete quadros da colecção do Dr. Gustav Rau, na altura apresentada no Museu Nacional de Arte Antiga, que depressa fiquei cativado pela inteligência e sensibilidade vigorosa e assertiva com que destilava a beleza de cada pintura. Mais tarde, dediquei-lhe aqui um post sobre a brilhante e imaginativa defesa que fez à heteronímia de Sócrates. Há  dias, tive a honra de ser presenteado com uma dedicatória numa das incursões musicais do seu One: Kubrik, onde, de forma desconcertante, com uma voz que não reúne consensos, mas sempre interessante, recita alguns dos seus poemas em contraponto com as suas experiências musicais. Tive a honra, juntamente com a Carla de Elsinore, de ver o meu nome associado a uma peça puramente musical, minimalista, que evolui da percussão para as cordas em direcção a um  final sublinhado por sopros apocalípticos. Gostaria que o fim fosse mais abrupto, confesso, sem o maneirismo da bateria - mas isso sou eu, que ainda deliro com os Michael Nyman e Philip Glass de outros tempos. Prometi-lhe uma crítica. Mas a minha vocação não é proriamente a de musicólogo nem crítico musical. Como aconteceu com o poema que dediquei ao D'Noronha, limitei-me a plagiar o Paulo, directamente inspirado no seu poema sem palavras e no "Vala comum". Espero que ele não se importe. Plagiar é a mais evidente forma de admirar.

 

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Sábado, 19 de Julho de 2008
Enciclopédia Íntima: Quelidónia-maior

Quelidónia-maior, foto minha em Creative Commons

 

Ao contrário das estevas e das pútegas, não havia erva-das-verrugas na terra onde nasci e cresci. Hoje há, mas não lhe chamam erva-das-verrugas. Chamam-lhe "betadine" ou "erva-do-mercúrio" e, tendo sido cultivada nos jardins, começa agora a aparecer aqui e ali de forma espontânea (sem grandes hipóteses de se tornar numa planta invasora). Quando se corta uma folha ou um caule, forma-se uma gota de seiva que, aplicada numa ferida, ajuda a estancar o sangue e facilita a cicatrização, desde que não haja o perigo de entrar na corrente sanguínea - ou seja, no caso de uma ferida aberta. Eu já usei, e fiquei bem servido. Há livros que dizem que é uma planta perigosa, de seiva altamente tóxica e corrosiva, como se nos seus vasos corresse ácido sulfúrico a fumegar. Por mim, só se aproveita do aviso a precaução necessária de a não ingerir, até porque esta flor amarela, não parecendo, é uma papoila.

 

Pois, é que nem todas as papoilas são vermelhas e comunistas. Há-as amarelas e extremamente reaccionárias. Estas adoram agarrar-se aos muros das igrejas, conventos e solares minhotos, gostam de alguma sombra, e mesmo quando crescem no entulho (como alguns reaccionários - que nem todos nascem em berço de ouro) necessitam de água como de pão para a boca. Os comunistas também necessitam de água, mas costumam florescer mais em terra seca e sol aberto.

 

É ainda chamada de quelidónia-maior (que as quelidónias menores nem sequer são quelidónias, mas ranúnculos, flores amarelas e de pétalas brilhantes que nascem junto às ribeiras) e erva das andorinhas - o que vai bem com a palavra grega que dá origem ao nome científico e ao semi-vulgar "quelidónia", Chelidón, que significa "andorinha" porque floresce com a chegada das andorinhas e volta à discrição da verdura com a partida destas aves em Setembro.

 

Com a partida do "Dias com árvores" cabe-nos a nós, herdeiros da mais bela das realizações blogosféricas nacionais, manter viva a vontade de olhar para o ímpeto verde da natureza que a estupidez humana tão eficientemente quer travar. Quis, por isso, aplicar um pouco de seiva na ferida. Um pouco de betadine. Antes que as andorinhas partam definitivamente.

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publicado por Manuel Anastácio às 13:44
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Quinta-feira, 26 de Junho de 2008
As Metamorfoses de ouvido

Cena final de "Ordet" - "A Palavra", de Carl Theodor Dreyer. Não ver, a não ser que já tenham visto o filme, ou se não fizerem intenção de o ver.

 

Já aqui falei, por várias vezes, do José Eduardo Lopes. Hoje quero apenas falar desta pequena (ou grande) maravilha que são as suas "Metamorfoses de Ouvido". 15 contos de diminuta dimensão textual, mas de infinita misericórdia verbal. Misericórdia, porque repletos de compaixão e compreensão. Misericórdia verbal, porque emanam do Verbo, da Divindade - da Palavra. Das palavras. Não sei o que haverá em terras africanas para dar à luz tais artífices da palavra. O José Eduardo é um artífice, não porque não seja um artista, que o é, mas porque é um artista ao modo de antigamente, apesar de usar formas modernas de expressão (a micronarrativa). Ao modo de antigamente, porque dá valor ao próprio material que usa, não o pondo em causa, como em tanta manifestação artística que enche os nossos museus de arte moderna. A palavra, na mão de José Eduardo, é já de si um objecto em constante metamorfose, mas cujo espaço temporal captado é sempre o da revelação: da passagem da crisálida para insecto de cor e luxúria. Luxúria, porque não conheço narrativas que, partindo de algo tão imaterial como as palavras, consigam transportar em si a maravilha da carne, seja no estertor do prazer, seja nos espasmos do sofrimento.

 

A revista minguante publicou este e-book, que poderá ser folheado, quase literalmente, por qualquer pessoa que se queira metamorfosear no breve espaço de um clarão. Verbal.

 

Só uma nota, que em nada diminui o valor destes contos: os gémeos siameses são sempre do mesmo sexo. Mas Shakespeare também pôs Desdémona a sussurrar perdões quando, supostamente, morria sufocada. A arte e a verosimilhança não têm, necessariamente, de coabitar.

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publicado por Manuel Anastácio às 21:50
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Sábado, 8 de Setembro de 2007
10 Livros que não mudaram a minha vida

Abertura 1812 de Tchaikovsky, pelos Swingle Singers. Uma boa metáfora para explicar porque é que o "Guerra e Paz" mudou a minha vida...

A Inês Ramos colocou-me numa corrente que me obrigou a pensar naquilo que não me fez pensar em nada que valha a pena. Claro que isso é difícil. Por seca que seja um romance, se o lemos até ao fim, alguma coisa em nós germina. Por repulsiva que seja a ideologia que transparece nas páginas, já a repulsa é uma mudança, um empurrão, uma estalada, um cheiro a vómito - obriga-nos a mudar de lugar, ao menos. Mais rapidamente citarei um livro em sintonia com o que sinto ou senti, que um livro que me tenha horrorizado pelo simples facto de ter sido escrito.

Olhando para a lista da Inês, deparo-me com o "Vale Abraão" da Agustina, que não li, mas que incluí, na versão Manoel de Oliveira, na minha lista de filmes da minha vida. Sei que a Agustina detestou a transposição para filme... Não sei se isso é revelador de alguma coisa... Vejo o "O Vermelho e o Negro" de Stendahl, que tanto me assombrou com a sua loucura regrada. Vejo o "Guerra e Paz", que me parecia resumir a pequenez de tudo o que é grande, e a grandeza de tudo o que é pequeno. Vejo o "Todos os Nomes", que tão dolorosamente condensa o espaço e o tempo na matriz da possibilidade do Amor. E descubro como é abençoada a diversidade dos gostos. E como é detestável o provérbio que diz que gostos não se discutem. Não se deveria discutir outra coisa.


E, depois de muito pensar, e ciente de que, como bem diz o Lazarilho de Tormes, não há livro de que não se aproveite alguma coisa, fiquei com estes ossos:

1. Fernão Capelo Gaivota, de Richard Bach
2. A Noite e o Riso, de Nuno Bragança
3. O Anjo Ancorado, de José Cardoso Pires
4. Onde cai a Sombra, de Américo Guerreiro de Sousa
5. O Amor é Fodido, de Miguel Esteves Cardoso
6. Monarquia, de Dante Alighieri
7. Gene Mortal, de Robin Cook
8. Quotidiano Mulher, de Isabel Ary dos Santos
9. O Corão, incriado, mas intraduzido para português, claro.
10. A Noiva Judia, de Pedro Paixão

Do 1, digo que foi uma seca sem sementes. Muitos pinotes, muitos níveis, muitos discípulos. Nada. Népias. Zero. Provavelmente, de todos, o que menos mudou em mim.

Do 2, até se lê bem. Está bem escrito. Inventivo. Mas não me fez cócegas em lado algum.

Do 3, de um grande escritor, só me ficou um enorme tédio, como se tivesse passado a tarde a olhar para um mero de olhar bovino no fundo do mar.

Do 4, tenho a impressão que me ficou uma certa marca de água sobre papelão e caruncho. Já não é mau.

Do 5, de um autor que muito aprecio, nada me ficou. Mas a capa era bonita. E o título também não é mau.

Do 6, posso dizer que... é melhor voltar para a poesia do gajo.

O 7, tinha que o pôr, ainda que não fique bem no meio dos outros títulos, por ser absolutamente desprovido de mérito ou importância.

Do 8, não
             sei
                   o
                      que
diga

Do 9, é melhor não dizer nada mesmo. Não quero que venha, de facto, a mudar a minha vida.

Do 10, devo dizer que foi muito eficaz como soporífero. Quase tanto como a legislação do Ministério da Educação que tenho de digerir quotidianamente - mas essa muda-me a vida... ai se muda...

E, agora, os felizes contemplados para continuarem a corrente. Não são obrigados a aceitar, claro. As correntes são matematicamente insuportáveis - à 15.ª rodada já toda a população mundial teria de ter respondido, com alguns repetentes. Mas não custa tentar. Como só posso escolher cinco (assim depreendi eu), decidi passar a bola ao Paulo Brabo, ao Paulo Hasse Paixão, ao Artur Coelho, ao José Eduardo Lopes e à Ana Ramon. Tratarei de comentar aqui as escolhas, se forem feitas.
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publicado por Manuel Anastácio às 17:03
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Sábado, 20 de Janeiro de 2007
Curta 20
O Luís Gaspar, do Estúdio Raposa, depois de ter tido a amabilidade de responder prontamente a uma sugestão minha, para que lesse uma das lendas dos judeus, como têm sido magnificamente traduzidas pelo Paulo Brabo, deu-se ao trabalho de espreitar algumas das minhas tentativas literárias. Pegou em "A Bela Adormecida", que dediquei à minha orquídea, e leu-o como se fosse aquilo que pretendia ser: uma carta de amor.

Se quiserem ouvir, o programa é o Lugar aos Outros 36 e inclui também duas poesias de Joaquim Alves, português da Beira Baixa. Tendo eu nascido e vivido a maior parte da minha vida para essas bandas (geograficamente no Ribatejo, culturalmente, na Beira Baixa), tudo me leva a crer que não houve coincidência. Talvez o Luís tenha notado semelhanças na semente... Não sei... Será do sotaque?...
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publicado por Manuel Anastácio às 20:30
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Sexta-feira, 19 de Janeiro de 2007
Curta 19
Esta senhora aqui escreveu numa caixa de comentários de um blog:

Que me perdoem, mas realmente odeio brasileiros, odeio o seu sotaque e tudo o que está relacionado com eles!!!
Bjokas gandes
Madalena

Antes de mais: esta senhora começa por dizer "que me perdoem". Só perdoo perante uma retractação sincera da mesma. Mas duvido que ela se importe muito com isso de perdões.
Supostamente, este comentário é xenófobo só a brincar, tal como o post que lhe deu origem. E eu "perdi razão" ao chamar a esta senhora (e, já agora, às suas amiguinhas) o que este comentário parece dizer sobre ela: que é uma idiota. A dona do Blog, feita censora, apagou as minhas mensagens onde ofendo esta 1 - em extenso: uma - pessoa. Mas manteve as mensagens onde ofende... quantas pessoas são mesmo? Só os brasileiros fora do seu país?... Dá para aí quantos? O engraçado, é que a dona do Blog,  que desde o início da discussão se socorria da liberdade de expressão, não me concedeu esse direito... Quanto a mim, mantenho: todas as piadas racistas, xenófobas ou que são potencialmente motivadoras de ódio entre seres humanos são próprias apenas de idiotas. Idiotas, idiotas, idiotas...

Ah: mas mesmo, mesmo, mesmo IDIOTAS!
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publicado por Manuel Anastácio às 19:32
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Curta 18
A Estrada de Santiago mudou para um novo endereço. Peguem nas cabaças e nas vieiras e façam por lá uma peregrinação, que vale a pena.
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publicado por Manuel Anastácio às 14:26
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Domingo, 7 de Janeiro de 2007
Torre dos Cães

Cruzeiro de Nossa Senhora da Guia, Guimarães (foto minha em Creative Commons) - actualmente sem uma das figuras (não sei por que razão - se vandalismo, se restauro) que, aqui, aparece sem cabeça

Em "O Santo da Montanha", Camilo Castelo Branco cita Francisco Manuel de Melo dizendo "Deus nos livre de Guimarães, onde prendem a gente e soltam os cães". Sei que há outra versão do mesmo anexim onde se diz que "Em Guimarães prendem-se as pedras e soltam-se os cães". Seja como for, nota-se que somos um povo que gosta dos canitos. Isso não é mau. Sendo eu um vimaranense de curta data (mas muito orgulhoso de ter duas caras - e ai de quem julga que isso me ofende!!!), lembro-me bem dos meus tempos de Alentejano, lá para os lados das Minas de São Domingos, para os lados de Mértola (já viram o anúncio da Antena 2 na televisão? Tenho a impressão que foi lá filmado...), em que uma das figuras da aldeia dava pontapés de matar carraças nos cães e, quando lhe chamavam a atenção para a violência do gesto, baixava-se para dar uma festinha nos bichos e dizia: "Quê?!... Eu gosto dos canitos!..." Uma figura, o Tó Quarenta, que bem está a merecer um post por aqui com as anedotas que dele se contavam... Mas estou a divagar. Acabei de descobrir que tenho um vizinho com um Blog de "cair o queixo ao crocodilo das Taipas" (sic) que teve a amabilidade de me linkar, designando-me como "A Arte da Jardinagem"... Vou pensar se está na altura de mudar o nome ao Blog... Entretanto, vale a pena espreitar (e ler com prazer) o canto que se designa como "Torre dos Cães", que foi o nome de uma torre isolada a 262 passos a norte da torre de Nossa Senhora da Guia, em cuja localização foi feita uma falsa porta medieval para serviço da cerca do Convento de Santa Clara... Imprescindível.
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publicado por Manuel Anastácio às 22:09
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Quarta-feira, 3 de Janeiro de 2007
Miosótis


Planta [que não é ]do género "Myosotis" - Parque Natural do Alvão  - Foto minha, em Domínio Público.

Passou o Natal e o Ano Novo. Sei que não andei por aí a escrever Feliz Natal e Próspero Ano Novo a ninguém (não enviei sequer uma SMS). Limito-me a desejar um Feliz Dia-a-dia a todos aqueles que não esqueço. E é assim que aproveito a boleia para explicar o óbvio: os miosótis, na minha barra de links, correspondem àqueles a quem não esqueço uma palavra ou um gesto.  Tão somente isso.

Assim, na minha classificação abotânica, as rosas (e a Orquídea) são também miosótis. E os miosótis estão a um passo de serem rosas.

Os miosótis, as mais conhecidas das flores azuis cerúleas não têm ainda, imagine-se, artigo na Wikipédia em português. Quando me preparava para escrever aqui algo sobre estas florzinhas que ladeavam os córregos da minha infância, lembrei-me da lusófona Wikipédia,  num link, ali esquecido entre as prímulas, mas que não é mais que uma vereda para um bosque de ervas daninhas a precisar de fortes cuidados. Decidi arejar um pouco o blog com a minha ausência e deixei-me passear pela casa desolada onde as sementes do conhecimento livre ainda lutam por alguma dignidade. São também miosótis a pedirem que os salvem do esquecimento. A última flor do Lácio é também uma flor de miosótis. Azul pálida.

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publicado por Manuel Anastácio às 20:15
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