Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008
Lucidez

Sinfonia n.º3 de Gorecki, ou Sinfonia das Canções Tristes - lento e Largo

Não te lances ao pescoço das cobras se tens medo de dentadas.

Não te lances ao pescoço das cobras

Não te lances

Não

Não te lances

Não te lances aos transes depressivos da repetição

Aos lances regressivos da depressão

Não

Não te lances

Não avances

Deixa-te estar, a ver cada réptil passar sob os teus pés

E a rirem em ti da sua frigidez

Não te lances ao pescoço das cobras se tens medo de almas penadas

Não te lances ao pescoço das cobras se tens medo de almas geladas

Não te lances se tens medo

Se tens medo, não avances.

 

Mas só se tiveres medo.

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publicado por Manuel Anastácio às 22:34
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5 comentários:
De Gerana a 29 de Novembro de 2008 às 00:13
Muito bacana. Preciso ler várias vezes, estou numa fase de puro medo. É a coragem que dá cor à vida. Como sempre, desejando levar o poema para meu blog. Espero autorização.
De Manuel Anastácio a 29 de Novembro de 2008 às 12:43
Autorização dada.

Ósculos e amplexos.
De Victor Gonçalves a 30 de Novembro de 2008 às 09:00
Belíssimo, uma grande teoria da hesitação.
De Fred Matos a 30 de Novembro de 2008 às 15:11
Vim do blog da nossa amiga Gerana para dizer que gostei muito deste poema.
Abraços
De Anónimo a 1 de Dezembro de 2008 às 09:34
Olá primo, eu que não gosto muito de pesia
adorei este poema, e gostei que tivesses visitado o meu blog,obrigada por teres dado uma opinião
sempre arranjaste a cesta de ovos dos dinossauros, é que se arranjaste, só com um ovo pelo que dizem, matavas a gaja he he he
provas cientificas, são como aquelas das piramides do egipto, que depois veio a descobrir-se e era tudo uma farsa, pensa nisto "Poeta"
Bom Natal para ti e para a Carla

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