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Sábado, 15 de Novembro de 2008
Professores V

Cena de "Voando sobre um ninho de cucos"

 

1. Antes de mais, peço desculpa à Gláucia. O meu comentário ao seu belíssimo livro "Bichos de Conchas" será em breve tratado por mim. Agora não estaria em condições de escrever algo que seja minimamente digno da obra.

 

2. Já aqui comecei uma série de textos sobre os professores que me marcaram. Hoje, decidi inserir na série alguns comentários sobre um professor, que sou eu, e sobre todos os professores que agora, em Portugal, são quase unanimemente enxovalhados. E incluo no enxovalho algumas "instrumentalizações" por parte de alguns partidos políticos que só estão contra esta Ministra e um ainda pior Primeiro Ministro por razões eleitoralistas. E note-se que o Sócrates, ao dizer que não verga porque não se dirige por motivos eleitoralistas está, de facto, a fazê-lo. Ele sabe bem (e António Costa ou não sabe ou é lerdo de todo ou está a dizer que o que está perdido, perdido está, e para isso não são necessários comentadores políticos) que vergar no assunto far-lhe-ia perder mais votos que mostrar alguma flexibilidade. E, por incrível que pareça, isto tem, intrinsecamente, muito a ver com a avaliação dos professores. Até porque Sócrates, como qualquer político hábil (e Sócrates é um político hábil - caso contrário, como é que alguém sensaborão como ele continua a ser considerado pela maioria dos portugueses como "o melhor que poderíamos ter"?) sabe que mais vale perder 140 mil votos de professores que 4 milhões de votos (mais coisa menos coisa) de todos aqueles que o elogiam. Um professor também é avaliado pelos alunos e pelos pais. E o que se aplica ao povo que vota também se aplica a estes, no contexto da escola.

 

3. Ontem cheguei a casa completamente desanimado e a caminho da depressão. Não por causa da Avaliação de Desempenho e afins (f***** sei eu que estou, dando por onde der, por isso, já estou resignado). Não porque me considere mau professor ou "joio" que vá ser espadeirado por este ou outro modelo de avaliação. A minha profissão será sempre 95% de desilusão e frustração e apenas 5% de realização pessoal. Mas, simplesmente, porque uma aula me correu mal. Muito mal. Pessimamente. Se o meu avaliador assistisse a esta aula, será que teria o discernimento necessário para compreender que até os "Excelentes" podem ter aulas como esta? Provavelmente teria, mas, com as quotas a apertar, eu seria relegado imediatamente para os "Bons" (porque "regular", meus amigos, é coisa que não sou).

 

4. O Alberto João Jardim decidiu classificar todos os professores como "Bons" e foi um Deus-me-acuda entre os defensores da Ministra... Estranho. Esses defensores da Sinistra saberão que a nota de "Bom" não é sujeita a quota???? Nada impede os avaliadores de darem "Bom" a todos os professores da escola, dando os poucos "Muito Bons" e "Excelentes" àqueles que aparentam estar na excelência. A medida do Alberto João é, em termos absolutos, lesiva para os professores da Madeira, já que todos são nivelados por baixo. Mas não sei de notícia de professores excelentes que tenham reclamado. Por uma razão (isto sou eu a pensar): por solidariedade para com os colegas que podem não ser excelentes como eles, mas que, provavelmente, são melhores professores que eles. E se há coisa que vejo entre todos os meus colegas é esta solidariedade e esta compreensão ecológica do ecossistema educativo.

 

5. Enviaram-me, há dias, um mail daqueles meio melosos com sabor à Paulo Coelho, mas que me serviu de motivo de reflexão. Conta a história de uma velha chinesa que ia à fonte buscar água com um cântaro intacto equilibrado numa haste com outro cântaro rachado. O cântaro intacto chega a casa sempre cheio. O cântaro rachado, sempre meio, ou menos. O cântaro rachado lamenta-se. A velha acalma-o e diz: "Reparaste que lindas flores há no teu lado do caminho, somente no teu lado do caminho ? Eu sempre soube do teu defeito e portanto plantei sementes de flores na beira da estrada do teu lado. E todos os dias,
enquanto voltávamos do rio, tu regava-las. Foi assim que durante dois anos pude apanhar belas flores para enfeitar a mesa e alegrar o meu jantar. Se tu não fosses como és, eu
não teria tido aquelas maravilhas na minha casa!". Sorri, e pensei no que a Ministra, lacaios socialistóides e outros bem pensantes poderiam aprender com esta velha. Mas não aprenderão. Estamos numa era onde as metáforas à Paulo Coelho só servem para vender Best-sellers, não para se aplicar à realidade, que é dura e não se compadece de vasos rachados por causa de insignificâncias como flores. Vou dizer algo muito à direita; algo que o próprio Paulo Portas ou o tipo do PNR-ou-raio-que-o-parta poderia perfeitamente dizer: vivemos num país onde delinquentes e parasitas são gratificados com o Rendimento Mínimo Garantido, mas onde trabalhadores sérios, apenas por meia rachadura, poderão ver a sua vida destruída. Eu sei. É feio o que eu disse. Podem riscar, se quiserem. Eu podia fazer delete. Mas não faço.

 

6. Tive muitos professores que, sob um modelo de avaliação como o que vamos ter (a "simplificação" prometida pelo Sócrates não augura nada de bom) seriam considerados vasos rachados. Graças a eles, contudo, tenho muitas flores que, por vezes, só anos mais tarde vi a florescer. Professores que, quase de certeza, não faziam planificações de aulas formalmente e por escrito. Professores que davam imensas negativas. Professores que eram ou demasiado exigentes ou demasiado permissivos. Professores que não cumpririam metade dos níveis de excelência burocráticos e estatísticos definidos nas fichas de avaliação deste modelo. Professores que serão, para mim, os melhores professores que tive. Enquanto que tive professores muito organizadinhos, e que facilmente seriam classificados como excelentes por este método de avaliação e que eu tenho como sendo, não os piores professores que já tive, mas, simplesmente, as pessoas mais asquerosas que alguma vez me passaram à frente. Exemplos concretos (com nomes e tudo, seja o que Deus quiser) à frente.

 

7. Um dos meus mais queridos professores de sempre, farmacêutico na minha terra natal, o professor Baptista Rei, sempre foi o contrário de quase tudo o que é considerado excelente nas malfadadas grelhas de avaliação (ver ponto algures mais adiante). Um dia, estando eu a dar aulas nessa mesma escola, encontrei uma mesa vandalizada que me fez vir lágrimas aos olhos. No tampo liso estavam gravadas as iniciais M R e B R. M de Manuel, R de Rui e BR de Baptista Rei. Feitas com pólvora. Por mim, pelo meu querido colega Rui Navalho e pelo professor, depois de termos misturado salitre, flor de enxofre e carvão, com a paciência de alquimistas. Não sei o que pensaria a Ministra e os seus lacaios de tais experiências para-educativas não ortodoxas. Aquele pequeno vandalismo controlado foi uma das experiências que mais contribuiu para a minha felicidade como pessoa (e eu creio que a escola serve para nos tornar mais felizes, a nós, alunos). Provavelmente, não compreenderão. Provavelmente, chamarão ao incidente irresponsabilidade. Por mim, se fosse eu, hoje, a avaliar este meu professor, dar-lhe-ia a nota "Excelente". E as grelhas de avaliação que fossem dar uma volta ao bilhar grande.

 

8. Uma das professoras mais repugnantes que tive, de nome Filomena Baião (espero que ela um dia digite o seu nome no Google e encontre o recado), era exactamente o oposto. Metódica. Organizada. E permitiu, impávida, que eu fosse humilhado por um queridinho dela, de forma gratuita. Estarei a ser parcial na minha avaliação desta pessoa? Provavelmente estou. Um avaliador burocrata dar-lhe-ia excelente. Eu dar-lhe-ia um insuficiente. Por falta de compaixão.

 

9. Uma (excelente) professora minha, de nome Helena Bicho, ensinou-me, a mim e aos grunhos da minha terra, a reverenciar o nome dos grandes pensadores da História da Humanidade. Um aluno tinha escrito num teste: "O Platão dizia que..." e ela explicou que não era o Platão nem o Sócrates. Era Platão e Sócrates, sem artigo definido antes...

 

10. ... mas o Sócrates disse que, perante as queixas respeitantes aos aspectos burocráticos da avaliação, verificou a ficha de definição de objectivos individuais de algumas escolas e considerou que não eram nada de muito difícil de preencher. E assim passou um atestado de burrice aos professores portugueses em geral. Acontece que a Burocracia não está no preenchimento dessa ficha, mas nas algemas a que nos acorrentamos ao preenchê-la. E está nas grelhas de avaliação com que vamos ser avaliados. Talvez a Ministra não lhe tenha feito chegar às mãos as ditas. Ou talvez sim. Não sei.

 

11. Ontem cheguei a casa desanimado. Já o disse. Uma aula minha correu pessimamente, apesar de duas terem corrido de forma impecável e duas delas terem decorrido satisfatoriamente. Tudo porque um aluno não tomou a medicação. Medicação que não tomou porque a mãe ou não lha pôs na mochila (como ele costuma alegar - mas ele alega muita coisa) ou não lhe apeteceu ou, simplesmente, tomou-a e decidiu fingir que a não tomou.

 

12. Um dos filmes que me marcou, e que marcou a muita gente, foi o "Voando sobre um ninho de cucos". A moral é conhecida: seria um atentado à condição humana modificar comportamentos utilizando meios químicos. Seja. O certo é que se aquele aluno não tomar a medicação, começa a disparatar e a desobedecer da forma mais exuberante e alienadamente criativa que se possa imaginar. E ontem disse-me: "É o pior professor que eu tenho" e, ignorando qualquer esforço meu para que houvesse ordem, escreveu no quadro "O Setor Bouca emerda".

 

13. Hoje de manhã, sábado, fui com alunos a uma caminhada. Terminámos no parque da cidade. Falei com encarregados de educação que nos acompanharam. Jogámos ao mata. Os professores ganharam. Fizémos um piquenique. O sol de Outono passava entre as já meio despidas folhas das árvores junto ao ribeiro. Uma aluna, que toma a mesma medicação que o aluno atrás mencionado, conversou amenamente comigo. Foi bom. Senti-me um bom professor.

 

14. Estava no meu primeiro ano de professor. Em Mértola. "Não lhes mostres os dentes e nunca perdoes", diziam-me. E eu, crente na bondade das crianças, mostrei-os. Tive a devida paga com a indisciplina que cai sobre os ombros de quem se atreve a acreditar nos bons sentimentos dos outros. Um dia, depois de corrigir vinte e tal testes de Matemática com notas na sua maioria miseráveis, cheguei à sala e comecei a distribuí-los. Instala-se o burburinho típico do "quanto é que tiveste" e do "deixa ver o que é que respondeste a esta". Um aluno (do ensino especial) recebe o teste das minhas mãos, vê a nota e senta-se no chão a chorar. Tento falar com ele e dizer que o importante não é a nota do teste, mas o esforço e o empenho que ele me venha a demonstrar. Mas ele não é capaz de dizer palavra entre os soluços. Uma colega, que se pusera ao seu lado para o confortar, diz-me: "não é isso, professor, é a primeira vez que ele tem um Excelente".

 

15. Não sei que avaliação vem aí depois das operações de cosmética simplificativa deste governo. Não sei. Eu avalio-me todos os dias. Sofro quase todos os dias com a minha própria avaliação. Sofro também com a avaliação dos outros. Mas para mim, Manuel Anastácio, o Setor Bouca não emerda. Nem que o meu avaliador tome a medicação direitinha todos os dias.

Artigos da mesma série:
publicado por Manuel Anastácio às 14:48
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9 comentários:
De Pedro Nuno Teixeira Santos a 15 de Novembro de 2008 às 21:26
Caro Manuel,

Simplesmente, o melhor, mais sincero e emotivo texto que li sobre o que é ser professor.

Depois de o ler senti-me menos só...
De Manuel Anastácio a 16 de Novembro de 2008 às 00:30
Caro Pedro,

Obrigado. Este comentário, vindo de quem vem, também me fez sentir menos só e, ainda por cima, bem acompanhado. Obrigado mais uma vez.
De Aparecida E. Barnabé a 17 de Novembro de 2008 às 19:16
Navegando....cheguei até o seu blog e me sensibilizei bastante com suas palavras e seu desabafo. Confesso que voltarei para ler com mais calma, uma vez que estou em intervalo de consulta. Quantas dificuldades, os professores de modo geral enfrentam...profissão árdua! O sistema de ensino brasilerio também enfrenta muitas dificuldades. Enfim, voltarei para ler com tranquilidade que as tuas palavras merecem!

Até
Cidinha
De Manuel Anastácio a 17 de Novembro de 2008 às 23:31
Bem vinda, Cidinha. Este texto foi escrito como reacção emocional a um momento particularmente difícil que os professores portugueses estão a passar. Contudo, creio que existe algo de universal nas angústias aqui expressas. Creio, apenas. A pretensão de que é possível ensinar algo a alguém é daquelas pretensões mais fúteis que alguma vez se instalaram na cabeça de alguém - mas, ao mesmo tempo, a mais nobre das pretensões.

Obrigado pelo comentário. Confesso que esperava mais comentários vindos de Portugal. Mas os meus leitores são do Brasil, mesmo.

Beijo,

Manuel
De gláucia lemos a 18 de Novembro de 2008 às 01:14
Não se preocupe com a minha expectativa quanto à sua opinião em torno do meu livro. Ela, a expectativa, continua, mas não pretendo que se imponha a seus outros motivos de preocupação. Desejo que os supere com a maneira mais feliz que se possa apresentar. Esteja em paz e tranquilo, estarei visitando seu blog independente disso. Grande abraço.
De Ana Ramon a 18 de Novembro de 2008 às 23:12
Há tanto tempo que não me sentava no teu cantinho. Já tinha saudades dos teus textos e por isso entrei. Deparei-me com este teu desabafo tão sentido e que me comoveu imenso. Não sou professora, como sabes. Mas guardo imensas recordações boas e más dos meus professores. Tive uma professora de matemática que tinha o costume de quando o dia (ou a noite) lhe corria mal, chamar-me ao quadro. Não para assim se sentir confortada com o desempenho da boa aluna. Antes pelo contrário: eu era péssima e a minha gaguez e os meus erros no raciocínio permitiam-lhe vingar-se da vida esbofeteando-me estupidamente. Escusado será dizer que nunca consegui fazer as pazes com os números nem com os raciocínios matemáticos. Tenho estado aqui a pensar em tal como tu escarrapachar o nome daquela besta mas submergiu completamente na memória e não consigo recuperar.
Mas lembro-me do professor de quem mais gostei. Chama-se Rui Pimenta e foi meu professor de Filosofia. O ambiente era um pouco diferente do que relatas porque eram aulas nocturnas para pessoas que trabalhavam de dia e que pretendiam melhorar as suas habilitações literárias. Foi o único professor que conheci que antes de começar as aulas tinha sempre vários estudantes que não pertencendo à turma pediam para assistir. Qualquer aula dele era um verdadeiro espectáculo. Imagina uma turma de gente grande, que após um dia de trabalho se enfiava na escola para ter uma aula de História ou Filosofia. As aulas terminavam às 23/24 horas e era um sacrifício enorme conseguimo-nos manter despertos. Mas aquele professor conseguia instalar uma tal dinâmica que era impossível não estarmos atentos. Usava a voz, o corpo, os gestos como nunca vi em mais ninguém. Por vezes usava estratagemas que nos prendiam o olhar expectante, suspensos e até receosos dos gestos que se seguiriam :)
Um professor simplesmente genial!
Se fosse hoje, possivelmente convidá-lo-iam a abandonar o ensino.
Há uma frase de Henry Adams que o Stephen Jay Gould escolheu para o seu livro "O Polegar do Panda" e que diz assim: "Um professor (...) nunca pode dizer onde acaba a sua influência"
E tu, Anastácio, com toda a preocupação que demonstras aqui no teu texto, a tua dedicação, as tuas apreensões, a tua dádiva, estarás certamente a deixar a tua marca nos alunos que passarem por ti.
Também acho que o Setor Bouca não emerda, antes pelo contrário
:) :) :)
Um grande beijinho, amigo e desculpa lá o tamanho do comentário
De Pedro Teixeira Santos a 26 de Novembro de 2008 às 14:48
Manuel,

Tomei a liberdade de iniciar um novo blogue com este teu texto.

Abraço.
De Pedro Teixeira Santos a 26 de Novembro de 2008 às 14:49
Adenda. esqueci-me de mencionar o blogue:http://desabafosdeumprofessor.blogspot.com/
De sandra a 2 de Dezembro de 2008 às 00:51
Olá Manuel! Escreveste um texto que expressa bem o que muitos de nós sentimos. Já agora, no ponto 5 escreves uma história muito interessante que encontrei há poucos anos, como sendo uma lenda indiana. Existem aí algumas variações mas vai dar tudo ao mesmo... Como gosto muito dessa história, foi bom lê-la aqui :) Fica muito bem. Beijos e até breve.

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