Sábado, 18 de Outubro de 2008
Gosto de... ervas

Urze e Helianthemum nummularium (penso eu). Monte do Merouço, Aldeia de Carreira, Sobradelo da Goma, Póvoa de Lanhoso

 

Em vez do ramo de flores

Que não te ofereço

Porque uma flor cortada

É um membro da terra decepado,

Ofereço-te um ramo de dores ardentes

Em amarelo iluminado.

São já tuas as flores

Em mim nascentes,

Porque em mim nada floresce

Que a ti não deva as sementes.

 

 

Para a Carla, como todos os poemas de amor que alguma vez escreverei.

publicado por Manuel Anastácio às 16:45
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5 comentários:
De Gerana a 18 de Outubro de 2008 às 20:59
Gostei muito, muito mesmo. As sementes seriam as da dor? E o título remeteria a este fato que, ao fim e ao cabo, é o que fecha o poema? E quando posso levá-lo? Hoje me sinto uma interrogação!
De Manuel Anastácio a 19 de Outubro de 2008 às 01:46
Olá, Gerana: as sementes são as da dor? Claro, mas também as do prazer e da satisfação: enfim: todas as coisas que florescem no sujeito poético. Quanto ao título... de novo, não há título. Mas se quiseres baptizar o poema, chama-o de... "Ersatz"...

Entretanto: nada mais há na poesia que a eterna interrogação. É por isso que é a linguagem dos amantes.
De Manuel Anastácio a 19 de Outubro de 2008 às 01:47
Ah: claro que podes levar. :)
De Gerana a 19 de Outubro de 2008 às 21:35
Parece, mas não é (conclusão poética minha, não do Santo Google, que remete aos livros do Elevador Ersatz, ou, traduzindo do alemão, substituição)- belo título Ersatz.
Está no leitora, nascedouro do livro.
De gláucia lemos a 20 de Outubro de 2008 às 05:17
A simplicidade do dizer da solidez de um amor. Basta tão pouco para dizer tanto!

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