Sábado, 4 de Outubro de 2008
Gosto de... casas no Inverno


Casa da Ti Augusta, Carvalhal, Abrantes, no Inverno passado.

 

Aestus

 

A terra cheira a vinho abafado.

As couves, tenras, aconchegam caracóis.

As vides, soltas, erguem falanges, tecem fantasmas.

A terra cheira a vinho abafado.

A mosto guardado em formol,

Como a doçura de quem nunca morreu.

Só mais umas gotas desta dor que, ardendo

Sabe a mel.

Em vez de fumo, nevoeiro,

E em vez de brasas, bagas de romã.

Artigos da mesma série: ,
publicado por Manuel Anastácio às 18:06
link do post | Dizer de sua justiça | Adicionar aos favoritos
5 comentários:
De Gerana a 4 de Outubro de 2008 às 21:01
Muita poesia! O título seria mesmo "Gosto de...casas no inverno"? Por favor, estabeça o título do poema e deixe eu levar.
De Manuel Anastácio a 5 de Outubro de 2008 às 01:07
Sem título. A poesia nada tem a ver com o título do artigo.
De Gerana a 5 de Outubro de 2008 às 03:32
Com a foto, a terra em evidência, não destoa. Mas perguntei porque, na verdade, o título não tem nada com o poema. A foto até tem, repito.
E repito: você escreve tão bem.
De Manuel Anastácio a 5 de Outubro de 2008 às 13:34
Gerana: a fotografia liga ao título e o poema à fotografia. Há um certo tipo de contaminação entre as partes. De facto, o poema nada tem a ver, directamente, com o título, excepto na motivação pessoal que me levou a escrevê-lo. Pode-se considerar um poema sem título e, nesse caso, denominar-se pela citação do primeiro verso. Beijos.
De Manuel Anastácio a 5 de Outubro de 2008 às 13:53
Pronto: já o baptizei... Não sei é se vai a tempo... :)

Dizer de sua justiça

.pesquisar