Sexta-feira, 3 de Outubro de 2008
Canja de porco

Trailer de "Ratatouille"

 

A canja de porco, ou sopa de ossos, é uma comida típica das matanças na minha terra natal, Carvalhal, Abrantes, e é servida no dia da desmancha do porco - isto é, no dia seguinte à matança, quando este é dividido, depois de se deixar, aberto, pendurado de pernas para o ar no chambaril, que é um pau curvo, parecido com um boomerang. A sopa é feita com os ossos frescos do porco (da cabeça), postos a ferver com presunto curado (do porco anterior). Quando o caldo está feito (com olhinhos de gordura a flutuar, como em qualquer canja), junta-se massa esparguete partida em pedaços de um centímetro, mais coisa menos coisa. A tradição, respeitada em casa do amigo Silvério Salgueiro, no entanto, manda que seja arroz (tal como na canja de galinha tradicional, onde as massas também já se impuseram).  O mais importante para mim, contudo, é lavar muitos raminhos de hortelã que são postos no prato na altura de servir. Tal como a canja de galinha, imputa-se a esta sopa propriedades medicinais, ainda que, em termos nutritivos seja obviamente pobre. Ouvi falar vagamente de uma lenda sobre alguém que a serviu a um rei, mas não sei precisar pormenores. Nunca dei muita importância a tal comezaina, mas a excentricidade da mesma merece referência. E, quer queira, quer não, faz parte dos cheiros e sabores da minha infância... E quem viu o "Ratatouille" sabe do que é que eu estou a falar...


Entretanto, tenho de pensar em escrever algo sobre o Kabra's. Ponham-me a falar de comida... 

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publicado por Manuel Anastácio às 19:03
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2 comentários:
De Gerana a 4 de Outubro de 2008 às 15:38
Adorei! Este assunto está suscitando sempre uma fominha. Deve ser uma delícia o Kabra's. Ai, meu Deus, que saudade de Portugal!
Aqui, nas casas, há ainda muita influência da cozinha portuguesa; por exemplo: cozido (aquele mundo de verduras, outro prato com um mundo de carnes, mas cozinhados juntos, e o pirão feito com farinha e o caldo). E, óbvio, bacalhau a Gomes de Sá, a Brás, bolinho de bacalhau etc.
De Anónimo a 1 de Novembro de 2010 às 19:20
Manuel, que fome me deu a pensar e lembrar dessa sopa , até sinto o cheiro, é mesmo das nossas infâncias, ás vezes apetece-me fazer em casa, mas claro não é a mesma coisa,
Beijinhos
Cila

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