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Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008
Sabe mais que uma paramécia? II

Genérico da série "Zorro" da Disney.

 

Já lá vão nove dias. O provedor do telespectador continua de férias e nada disse a respeito disto.

 

Entretanto, chega-me aos ouvidos uma história curiosa e revoltante, que teve como desenlace um acórdão do Supremo Tribunal de Justiça que demonstra que se a lei dos deuses é má, a lei dos homens não fica atrás. O senhor A (não sei o nome real) concorreu no ano 2000 (ainda com o Carlos Cruz) ao concurso "Quem quer ser milionário" da RTP. Tendo chegado ao patamar dos 3 500 000$00, se respondesse correctamente à questão seguinte passaria para o patamar dos 7 500 000$00. Caso errasse, voltaria ao patamar dos 1 750 000$00, a não ser que desistisse.

 

A questão era:

 

“Qual destas personagens de banda desenhada foi mais vezes recriada pelo cinema? A) Zorro B) Super-Homem C) Tarzan D) Batman.”

 

O senhor respondeu Tarzan. A resposta foi considerada errada - supostamente, seria Zorro.

 

A produção baseou-se num CD-ROM da Microsoft, o "Cinemania 1996", onde constava “Zorro has been portrayed on screen more often than any other comic-strip character: from the Mark of Zorro (1922) to this year’s The Mask of Zorro, he has appeared in70 films”.

 

Ora, o senhor A investigou e consultou também o Cinemania 96, o Corel Movie Guide, o IMDB, e o livroThe Guiness Book of Film- Facts and Feats” de Patrick Robertson em que, no capítulo respeitante às personagens do cinema, “characters and themes” é referido o seguinte: “The other legendary characters most frequently represented on screen have been (…) Tarzan – 83 films (…) Zorro – 65 films”.

 

O Supremo Tribunal de Justiça considerou, que "A resposta que o A. deu era a de maior grau de certitude das possíveis, corresponde ao resultado das buscas mais fiáveis e criteriosas e pode com elevada segurança dar-se como a correcta."

 

Contudo, esta história não tem final feliz, porque a RTP, minutos antes de gravar o concurso, já na sala de caracterização, deu a assinar, ao senhor A., um documento onde constava:

 

“Tenho conhecimento das regras do programa e aceito as condições da produção durante a minha participação na gravação do programa, renunciando a qualquer recurso sobre a matéria.”

 

e

“Ao participar no concurso, aceito também que a produção possa pôr termo à minha presença e participação no mesmo em qualquer altura, tanto anteriormente ao início das gravações, como durante ou no final das mesmas, e que a decisão para tal atitude lhe cabe inteiramente e será irrecorrível. Concordo também que a decisão da produção e todos os pontos será irrecorrível”.

 

O senhor assinou. Em cima da hora, mas assinou. Se não tivesse assinado, nem os 1 750 000$00 ganharia.

 

Portanto, assinou um papelinho que diz, basicamente, que quem faz o concurso é que sabe, põe e dispõe. Se disserem que a areia é composta por 100% de água, o senhor só tem é que se calar e andar para a frente com o que os senhores da produção lhe quiserem dar.

 

O Supremo Tribunal de Justiça considera ainda que o dito concurso se pode classificar como um concurso público com promessa de prémio e não como uma promessa pública. No primeiro caso, a atribuição do prémio, na prática, não é judicialmente obrigatória (é apenas uma "obrigação natural" - um dever moral), já que fica dependente da decisão de um júri (a produção do programa) que, segundo o nosso Supremo Tribunal de Injustiça, é um "factor aleatório" e não um "factor objectivo". Caso de uma promessa pública: se eu disser nos anúncios de um jornal: "dou 500 euros a quem me encontrar o meu cão que é assim e assado", sou obrigado a pagar esse dinheiro a quem me aparecer com o cão, porque o aparecimento do cão é um factor objectivo. Num concurso público com promessa de prémio, além de ser necessária a inscrição (aceite) de alguém nesse concurso (ao contrário do caso anterior, em que me pode aparecer qualquer pessoa, incluindo o meu pior inimigo, com o cão, ficando eu obrigado a pagar o que prometi em público), a atribuição do prémio está dependente (pasma-te, La Palisse!)  de "que o júri, ou promitente, lhe atribuam o prémio" (sic).

 

Ora, diz o mesmo acórdão que "A promessa pública não tem factor aleatório – sorte ou acaso – ou subjectivo – gosto artístico do júri – bastando-se com critérios objectivos." e "Se (...) [a] a atribuição galardão depender de factores aleatórios ou subjectivos o regime será o do concurso público."

 

Isto significa que, segundo o nosso Supremo, que a resposta correcta a uma questão  não é um factor objectivo, mas aleatório ou subjectivo. Ora viva o relativismo! E eu que passo tanto tempo a corrigir testes!

 

 

De facto, há que distinguir entre decisões do âmbito estético (concursos onde os concorrentes são avaliados por prestações artísticas, por exemplo) e decisões de um âmbito puramente científico e que pode ser documentado. O Tarzan tem mais filmes que o Zorro - isso é ponto assente...

 

A RTP podia, contudo, ter-se socorrido de outro argumento, mas não se socorreu porque a questão não devia ter sido “Qual destas personagens de banda desenhada foi mais vezes recriada pelo cinema?" mas “Qual destas personagens, originalmente de banda desenhada foi mais vezes recriada pelo cinema?"... É que o Tarzan é a única destas personagens que não nasceu no mundo dos "comics" - de facto, é isso que a fonte usada pela produção do programa diz: “Zorro has been portrayed on screen more often than any other comic-strip character: from the Mark of Zorro (1922) to this year’s The Mask of Zorro, he has appeared in70 films”. O autor desta passagem não considerava o Tarzan como personagem de Banda Desenhada e, de facto, foi-o apenas por arrasto do sucesso que tiveram as versões romanceadas.

 

A produção do programa não tem a obrigação judicial de voltar a dar a oportunidade perdida ao senhor A. Creio que o mesmo se aplicará, segundo esta ordem de ideias, ao caso exposto ao provedor. Contudo, a "obrigação natural" ou moral de ser justo para com o senhor A, que apresentou fontes bibliográficas que comprovam que a sua resposta jamais poderia ser considerada errada, não deve ser desprezada por uma instituição que se diz de "serviço público", principalmente devido ao seu carácter "educativo". É, de facto, um grande exemplo de civismo este, de se escudar em pormenores técnicos para se furtar à obrigação de se ser justo.

Para além do mais, há a questão de que o erro fica por corrigir. Numa televisão pública isso é inadmissível. Ah, pois... é apenas inadmissível moralmente - em termos judiciais, é admissível. Que bom.  Para os escroques.

Artigos da mesma série:
publicado por Manuel Anastácio às 00:28
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2 comentários:
De João Soares a 11 de Agosto de 2008 às 10:14
Olá, Manuel Anastácio
A economia foge dos valores morais ou espirituais ou éticos, mas a força da razão e da verdade demonstra o contrário. Cada contributo para a inversão desta economia materialista e do desperdício é digno de nota positiva.
Seja bem vindo ao Bioterra.
Um abraço
De António Gomes a 19 de Agosto de 2008 às 17:32
O concorrente em causa é António Gomes (eu próprio).
Foi uma luta de 8 anos onde dispendi muito tempo e recursos, pagamentos de honorários à advogada, custas judiciais, audiencias no tribunal, pesquisas, etc etc. tudo para agora morrer na praia, mas pronto a vida é feita de vitórias e derrotas e há que andar para a frente.
Graças a Deus tenho emprego, mulher, dois filhos lindos e sou uma pessoa saudável e bem disposta. mesmo que ganhasse não ia mudar nada na minha vida, continuaria a andar nos meus carros de 13, 12 e 9 anos, continuaria a viver na mesma casa. talvez me desse para fazer uma viagem mais dispendiosa onde, quem sabe, poderia ter algum acidente ou apanhara alguma doença. portanto se calhar até foi melhor assim, nunca se sabe...os caminhos do Senhor são insondáveis.

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