Sábado, 2 de Agosto de 2008
Mista sobre tela (ao Lengo D' Noronha)

Pretérito perfeito, tríptico 150 x 120, Mista sobre tela, de Lengo D'Noronha (2004)

 

 

A técnica, pretérita, é um discurso seco.

É um gesto de secura e rigor

Que discorre do vigor daquilo que tranquilo perdura.

Um gesto solar. Seco.

 

Aplico massa acrílica com espátula

E faço a textura com o que tiver ao meu alcance.

Agora, deixo que descanse,

Enquanto que ao sol, seco.

 

E onde sentir que um franco clarão aí se deve reflectir,

Pinto com látex branco.

E seco.

 

Com um rolo de espuma

Converto em uma, sem mais nada, superfície

De uma camada de asfalto líquido

Que o polímero acrílico

Em breve seca, enquanto o sol disseca

Em sombra, os ramos abertos do guapuruvú.

 

Com uma estopa embebida em aguarrás

Retiro asfalto até ao tom desejado

Enquanto a forma o asfalto perfaz

Expulso donde o látex foi acamado.

Seco.

 

Aplico verniz acrílico para concreto aparente

– ou, então, betão à vista.

Seco.

Penduro.

É comovente o que a técnica, seca, conquista.

 

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publicado por Manuel Anastácio às 03:48
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3 comentários:
De d'noronha a 3 de Agosto de 2008 às 20:35
As palavras de agradecimento...secaram.
Enguli a seco tanta emoção.

Muito cbrigado, Manuel.
Vou levar pra lá...
De Manuel Anastácio a 4 de Agosto de 2008 às 23:27
Amigo: o poema é seu, em mais do que um sentido. Fico honrado por ter gostado.

Abraços.
De Gerana a 3 de Agosto de 2008 às 22:31
De uma arte para outra arte: perfeitos ambos!

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