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Sábado, 28 de Junho de 2008
A pior canção do mundo

Clique no play se estiver na disposição de ouvir 25 minutos de música pensada especialmente para o desagradar.

 

Esta canção foi escrita por Dave Soldier (música) e por Nina Mankin (letra), a partir de uma ideia de Vitaly Komar e Alexander Melamid, que se propuseram a criar, conceptualmente, a pior canção do mundo - aquela que resultasse da intersecção do que nos poderá repugnar, a cada um, individualmente, numa canção. Trata-se, por isso, de tentar imaginar a música que menos nos apeteceria ouvir. A pesquisa efectuada pelos criadores chegava a pretender que menos de duzentas pessoas no mundo poderiam vir a gostar de ouvir isto. Digo "isto", não porque despreze o resultado, mas porque tenho as minhas dúvidas quanto à eficácia desta obra, enquanto obra de arte conceptual. Pode ser arte aquilo que pretende ser mau? Sim, pode. Não discutirei isso agora. Mas poderá ser arte aquilo que, pretendendo ser mau, consegue ser apreciado como bom? Ou melhor: a arte conceptual trata de produzir objectos ou qualquer modo de expressão que consigam veicular um conceito, uma ideia. Ora, aqui, a ideia era provocar repugnância auditiva à esmagadora maioria dos representantes da espécie humana. Não duvido que muitos não ouvirão mais do que meio minuto - outros não aguentarão quatro minutos - mas tenho a certeza que muitos haverá que, tal como eu, ouvirão esta canção de 25 minutos e repetirão a experiência. Enquanto obra de arte conceptual, esta peça falha redondamente, porque haverá bem mais de duzentas pessoas no mundo a adorar a peça. Mas adoramos a peça por que razão?... Simplesmente porque é divertida. Quem não sorrir ao ouvir esta maravilha do humor sonoro é, simplesmente, um cara de pau. É arte? É. É a pior canção do mundo? Não. Nem de perto. Haverá quem diga que o humor brota naturalmente do mau gosto. Discordo em absoluto. O mau gosto teria inevitavelmente de conter em si aborrecimento e sisudez, e só há aborrecimento e sisudez perante a ortodoxia musical de cada género, para quem o não aprecie. Assim, ao amante da ópera repugnarão os cantares ao desafio (em princípio); ao amante do rap repugnará uma peça dodecafónica. Em princípio. Mas se há coisa mais volátil no mundo das artes é a pretensão de conseguir algo com o gosto do espectador, porque este é infuenciado, nas suas preferências, pelas expectativas e pelo seu passado. Tentar criar, cientificamente, má música, que seja consensualmente  má, é um logro e uma impossibilidade. Estamos condenados a sentir agrado naquilo que detestamos.

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publicado por Manuel Anastácio às 01:42
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1 comentário:
De Zaahirah a 18 de Julho de 2008 às 01:08
Ok, vim parar aqui a este "canto" já nem sei ao certo como....de qualquer forma deixo o meu comentário.

Não é a pior música, mas é sem dúvida a mais estranha!!! Há partes engraçaditas, tipo a parte do "Xmas time" e tal.... mas em geral não tem pés nem cabeça!! Claro que isto é só a minha visão da coisa. Também não costumo achar especial encanto aos quadros contemporâneos, mas toda a gente diz que são arte! =P

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