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Quarta-feira, 25 de Junho de 2008
António Sousa Homem

Psilocybe cubensis em desenvolvimento. Porque nem tudo tem de fazer sentido.

 

Há na literatura minhota, de Camilo Castelo Branco a Agustina, um peso granítico que tanto pode maravilhar como causar um certo embaraçar de olhos perante uma língua que, sendo a portuguesa, e sem grandes dependências do galego, parece uma língua à parte. Os próprios cenários são diferentes da literatura do resto país. Nesta literatura abundam os casarões, os pergaminhos, os retratos e o pó que se acumula nos móveis. Mas a fala das personagens, por mais pergaminhos que a sustente, é, quase sempre, a fala do homem vulgar minhoto que trabalha ou trabalhava nos campos antes de a indústria se ter instalado por tudo quanto é sítio, erguendo chaminés de tijolo que hoje marcam o horizonte, rente a pavilhões abandonados, com vidros partidos e cimento à vista, da vista escondendo-se sob o musgo. Há uma certa forma de falar minhota que aqueles que aqui não nasceram jamais conseguirão imitar. Não falo de sotaques, mas da própria sintaxe. Granítica e barroca como um alçado de André Soares.

 

É aqui que António Sousa Homem, brilhante retrato de um minhoto muito pouco reaccionário - ou reaccionário como só alguns minhotos conseguem ser, mostra que não é, de facto, minhoto. Se psicologicamente e sociologicamente falando, esta personagem é deveras alguém que vive realmente entre os pinhais de Moledo, já não o é na qualidade de falante minhoto. A paisagem humana está ali, os brasões também. Mas a fala é clara, marmórea e leve. Nem uma ponta de cinzento do granito minhoto. António Sousa Homem não é minhoto. Muito menos, botânico. Fala, a dado momento, de urze, quando as plantas que aqui reclamam a atenção são menos avaras na largueza das folhas e mais efémeras no resplendor das flores. Mas pode ser que me engane, que Moledo do Minho não é local que tenha recebido o meu peso nem o meu olhar picuinhas entre as ervas.

 

António Sousa Homem é, acima de tudo, um homem. Nem reaccionário (que os reaccionários nunca assim se autoproclamam), nem minhoto, nem botânico. Não é, de modo algum, um heterónimo. Nem sequer advogado, como diz o site da ASA. António Sousa Homem é, porque ao aceitar classificar-se (é aí que reside a sua condição de botânico), passa a ser - mesmo que nunca tenha sido. É um homem porque é, em si mesmo, um livro. E um livro é um homem, assim como cada homem é um livro (ainda que, ao contrário do que se possa depreender da formulação, não exista relação de identidade ou equivalência entre os dois conceitos). António Sousa Homem não é um heterónimo porque não é uma pessoa com vida independente. Para todos os efeitos, é o fruto do autor que o deu à luz já em idade avançada (idade avançada de António Sousa Homem, não do autor, que não estamos a falar de graças parideiras do Antigo Testamento). António Sousa Homem é apenas aquilo que todos os homens deviam ser, na sua tolerância, humor e sabedoria, em detrimento de opções políticas, que não chega a ter, ou raízes nacionais ou regionais. É uma figura Universal, da mesma forma que Dom Quixote que, apesar de ter nascido e vivido num lugar da Mancha, de cujo nome não me convém agora lembrar, e apesar de viver e respirar o lugar onde está, como assim fazia o Cavaleiro da Triste Figura, é exemplo moral (ou não: "nem tudo tem de ter sen­tido na nossa vida", como diria o velho doutor Homem, pai deste) do que seja ou deveria ser a humanidade. É a arte de formar a ideia do Homem a partir das contigências - não através de sentenças ideológicas, mas de cada coisa que marca um homem. Tenha ou não tenha sentido. Isso é entender, como jamais poderá ser possível entender melhor, o que é isso da Condição Humana.

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publicado por Manuel Anastácio às 20:58
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2 comentários:
De FJV a 26 de Junho de 2008 às 13:30
Obrigado pelo texto. O Dr. Homem é um vaidoso e agradece...
Abraço
De Manuel Anastácio a 26 de Junho de 2008 às 20:27
Fico honrado pelo comentário.

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