Domingo, 8 de Junho de 2008
Fábulas de Esopo: O cão e o seu reflexo

"Madame Tutli-Putli" de Chris Lavis e Maciek Szczerbowski (2 partes), porque, ao contrário do que Esopo pretende, nem sempre é possível distinguir a substância da aparência.

 

Trazia, um cão, entre os dentes
Um naco de carne fresca,
Ansiando, em passos frementes
Pela ceia principesca
Que em paz, em casa, faria.
Entre a trilha pitoresca
Em que entretanto seguia
Passava larga ribeira
Que de atravessar teria.
Passou-a de tal maneira
Sobre uma tábua lá posta
Que uma imagem traiçoeira
Sobre a água foi disposta.
Julgou que via outro cão
E em sua boca outra posta.
Ignorando a ilusão
Dele mesmo reflectido,
E tomado de ambição
Do caso tirar partido,
Desfechou contra a miragem
Intimidante latido.
Tal como ele, fez a imagem,
Largando da boca o naco
Que se perdeu na voragem.
É de entendimento fraco
Quem troca clara certeza
Pelo sortilégio opaco
De uma ilusória esperteza.

(Versão de Manuel Anastácio)
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publicado por Manuel Anastácio às 03:28
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