Domingo, 25 de Maio de 2008
Eli Eli lama sabachthani?

Aqueduto de Pegões. Foto minha em Creative Commons

 

Promete não dizeres mais nada
Entre os arcos desenhados pela minha voz.
De nós, nada mais deve restar agora
Que os dois num só, a sós.
Promete não dizeres mais nada
Enquanto durar a nossa constelação.
Promete manter o céu em silêncio
Até que venha a hora
Em que peçam explicação,
E remoam o espanto
Perante o silêncio de água e sangue
Que escorre dos meus flancos
Depois de ter gritado a última acusação
Que ninguém compreenderá.
Porque, nessa hora, não me terás abandonado,
Mas aberto a porta
Para que, enfim, retorne, e entre de novo em mim.

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publicado por Manuel Anastácio às 20:52
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De Gerana a 26 de Maio de 2008 às 01:42
Mais um belo exemplo de poema. E mais uma vez eu gostaria de poder postá-lo.
De Manuel Anastácio a 26 de Maio de 2008 às 10:56
Gerana, dou-te autorização, a termo vitalício, para utilizares tudo o que venha a publicar neste blogue e que te agrade. Muito me envaidece a atenção que dás aos meus rabiscos. Um abraço do tamanho do Oceano.
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