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Quinta-feira, 1 de Novembro de 2007
A rosa no fundo da malga

Bill Evans Trio - The Days of Wine and Roses

O vinho tem de ter cor. O vinho branco é uma aberração - mesmo quando é feito de uvas escuras, basta não fermentar com as cascas para sair anémico e triste como uma folha de papel de música sem nada escrito. Já houve uma altura, quando a iliteracia das papilas gustativas me fazia descrer do óbvio, e em que julgava que era impossível gostar de algo tão rasca quanto aquele líquido que associava às tabernas e a velhotes a jogar às cartas. Quando ia entregar algum recado à Ti Ermelinda, que ainda era assim mais ou menos aparentada à família, assim que subia os degraus, vinha-me o cheiro a vinho tinto. E pensava, um tanto ao quanto à moda da Ivone Silva, no registo de bêbeda na varanda: "não sei como é que os homens gostam disto"... E, de facto, há a tendência para acreditar que o vinho tinto é do gosto dos homens e que as mulheres preferem os anódinos rosés e brancos, o que contradiz os estudos científicos que parecem demonstrar que as mulheres têm melhor nariz para as subtilezas enófilas que os homens. Estudos esses que estão de acordo com o que diz o povo do minho sobre as tabernas frequentadas por mulheres - são as tabernas onde há melhor vinho. Supostamente, as melhores tabernas costumavam ainda envergar um ramo de loureiro à entrada. Desconheço quem era o responsável pela colocação do ramo, mas se era o dono, não consigo compreender onde é que entra a imparcialidade requerida a qualquer avaliação do serviço... No Ribatejo, onde nasci, e onde a Ti Ermelinda aviava, as mulheres só ficavam, mesmo, atrás do balcão. E as freguesas compravam o vinho pela porta das traseiras. Aqui no Minho, ao que parece, os costumes são outros, o que talvez venha a justificar a famosa expressão a respeito das mulheres de costumes fáceis e vinho verde, como se umas implicassem o outro e vice-versa.

Mas, voltando à cor, há coisas que não vão com vinho tinto. E quando assim acontece, prefiro vinho verde. Branco.

Pois. É que há vinho verde que não é branco, ao contrário do que pouca gente, mesmo em Portugal (excepto no Minho), julga. Lembro-me de uma vez ouvir a Margarida Mercês de Mello, autora de algumas das perguntas mais absurdas da nossa televisão (mas cheia de um toque feminino nobiliárquico-burguês à moda antiga, o que a absolverá aos olhos de muitos espectadores) a perguntar a um enólogo da nossa praça: " e qual é a diferença entre o vinho verde e o vinho branco?...". O enólogo ou ignorou a pergunta ou fez que ignorou. O que é pena, porque é uma vergonha tal ignorância a respeito de algo que tão fortemente marca a nossa identidade cultural.

De facto, pouca gente do Minho sabe que no resto do país isso de vinho verde é sinónimo de vinho branco, mas com melhor sabor e mais gás (daí os vinhos a pressão serem idiotamente confundidos com vinho verde em  muitos locais). É que o pessoal não-minhoto não entende que o vinho verde é verde, não porque tenha cor verde (ou seja, branco esverdeado... já que o vinho branco é, geralmente, amarelo) mas porque tem determinadas características que, sabe-se lá por que razão, alguém, já no século XVI ou mesmo antes, considerou que eram as mesmas da cor verde, excepto na cor (é como a diferença entre o homem e a couve: são ambos iguais, excepto a couve)... Esta característica sinestésico-exclusiva do vinho verde é absolutamente definidora do seu carácter. O vinho verde, ao contrário dos vinhos ditos, por contraste, maduros, passa por duas "fermentações". Na segunda fermentação, o ácido málico é transformado por bactérias lácticas que o vão decompor em ácido láctico e succínico, de sabor mais agradável, e em ácido carbónico, responsável pela formação de dióxido de carbono que dá o "pique" ou "agulha" que faz cócegas na boca, como se lá houvesse uma festa e todos fossem convidados, como diria o Homer Simpson.

Ora, se o vinho verde branco é leveza e frescura, o vinho verde tinto é adstringência: faz os poros da boca arrepanharem-se em pinha enquanto as fossas nasais experimentam a sensação dum polvilhar de pimenta. E, se o vinho verde branco se deve admirar num copo de vidro embaciado pelo frio, o tinto, também fresco, deve-se beber pela malga. No resto do país, diz-se tijela. A louça opaca não permite admirar a escuridão deste líquido espumoso, mas no final, o vinho, se for bom, forma uma pequena rosa rendilhada no fundo do recipiente - um pouco como a "lágrima" formada pelos vinhos de elevado teor alcoólico quando fazemos girar o líquido pelas paredes de vidro do copo. Se houver percalços na vida do vinho verde tinto, este pode ficar com uma aparência engordurada e choca. Acreditam os populares que as trovoadas são, em grande parte, responsáveis por tal estrago - mas que as mesmas trovoadas podem reverter o processo, dando a volta ao vinho. Há ainda quem acredite que levar o vinho a passear de carro (em estradas esburacadas, de preferência) pode reverter este processo de degradação que, de facto, só acontece ao vinho verde tinto que não for engarrafado - isto é, que permanece com excesso de ácido málico, sem ter passado pela segunda fermentação. Eu prefiro sempre o vinho verde tinto engarrafado, com espuma avermelhada a pedir uma boa dose de carnes minhotas e sarrabulho. Com direito a uma rosa tinta no fundo da malga, no fim da refeição.
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publicado por Manuel Anastácio às 14:13
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7 comentários:
De xxx a 1 de Novembro de 2007 às 23:08
Ser destaque é ser-se diferente. Pergunto onde está a diferença? !!! Mais informo que não é o Sapo que escolhe, é sim o programa informático do Sapo, por isso apareçem aberrações de Blogs, como este e parecidos a este em destaque...
De Manuel Anastácio a 2 de Novembro de 2007 às 11:10
Pois... também me pergunto como é que apareci em destaque... ehehe :)
De gotas_de_orvalho a 2 de Novembro de 2007 às 10:32
Recentemente falei com alguém que me disse de que modo certas pessoas associam às cores sensações, aromas, mesmo sons como gritos - e mostrou-me exemplos na poesia portuguesa, mas para além de poético está em causa uma faculdade rara que é uma experiênxia tanto física como psicológica. Quem terá chamado verde a um vinho que não é verde certamente o fez não pela cor, mas pelas suas características. (De qualquer modo, para mim o vinho é vermelho como um eco perdido no poente).
De Gerana Damulakis a 3 de Novembro de 2007 às 00:55
Acho um absurdo que alguém possa chamar este blog de aberração. Os textos são muito bem escritos, plenos de uma fina ironia e certa poesia, além de trazerem evidente o talento literário e a inteligência de quem os escreve. Fica o meu protesto, portanto, quanto à colocação feita pelo comentarista.
E em relação aos sentidos diversos e suas vivências uns nos outros, isto é sinestesia. Vladimir Nabokov sentia isto e narrou esplendorosamente como é ser assim acometido.
Parabéns pelos textos.
G Damulakis
De Manuel Anastácio a 3 de Novembro de 2007 às 20:26
Obrigado Gerana... Não podemos agradar a todos, mas é muito bom agradar a alguns... :)
De Jorge FS a 1 de Março de 2013 às 10:29
Algo assinado por "xxx" é lixo, que se lamenta e não deve ser considerado comentário, é de outro foro.
Entretanto, o texto despertou-me curiosidade sobre o processo químico referido na decomposição do ácido málico .
De Zé Manel a 16 de Novembro de 2007 às 00:52
É pá, eu sou alentajano e sei bem o que é o vinho verde tinto.
Também aprendi muito cedo que é muito bom e não de deve abusar.

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