Quinta-feira, 7 de Outubro de 2004
Anteros, de "As Quimeras", de Gérard de Nerval

  Abel e Caim, por Gustav Doré

Aqui vai a quarta tradução de outro poema de Gérard de Nerval: Anteros, aquele que pune quem não corresponde ao amor que lhe é votado...

Perguntas: tal raiva no coração
e em colo ágil cabeça indomada?
Se de Anteu minha raça originada,
Volvo a Deus vencedor cada aguilhão.

Sim, sou o que lhe inspira punição,
Marcou-me a fronte com boca irritada,
Na palidez de Abel ensanguentada
Igual a Caim, rubra obstinação.

Jeová! Vencido por teu génio, enfim,
“Tirania!” – do abismo grita assim,
Meu avô Bélus ou Dagon, meu padre,

Três vezes no Cocito me aspergiram.
E os dentes da serpe antiga exibiram,
Guardando a Amalecita, minha madre.

 

(Gérard de Nerval, "As Quimeras", versão de Manuel Anastácio)

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publicado por Manuel Anastácio às 14:10
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2 comentários:
De myryan a 14 de Outubro de 2004 às 01:01
e com isto do sapo esquecia-me de dizer o que ando há dias para dizer :-)
Gosto de Verdi!Gosto das notas musicais que por aqui trazes!
Em cada um de nós há um Caim e um Abel, cabe a cada um decidir quem ganha a batalha interna que se trava no nosso interior..
(teve dificil este comentário!!)
De myryan a 14 de Outubro de 2004 às 00:56
já deves ter visto por ai o blog perdida... era o meu anterior blog que fiz questão de apagar. vejo muitas vezes e ha muito tempo o teu. por vezes vinha cá atraves do blog da luka que tambem comentas.Ufa e finalmente consigo comentar! o sapo prega-nos cada uma e no entanto para cá voltei.

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