Terça-feira, 23 de Outubro de 2007
Ao Joaquim Alves, sem acaso

"Rosas", roubadas ao Joaquim Alves, que foi, até hoje, a única pessoa a dedicar-me um poema. Retribuo hoje o gesto.

Disse-me que os sonhos são daltónicos
não sei
se
por causa da cor
que não têm
se por causa
das cores que têm
e que eles
eles não
mas nós sim
vêem
ou não
porque alguns versos são daltónicos
a falta de vírgulas compromete
a absorção
e decodificação
de alguns comprimentos de onda

Disse-me que os sonhos são daltónicos
e que isso é evidente
e-vidente
talvez sejam visões
virtuais
talvez
não
ponto final

Disse-me que há que sonhar
até ao suspiro final
todos os dias

então
que
tomar nas mãos o barro
e deixá-lo cozer no fogo descolorido
dos sonhos
condensados em eternidade
no fundo
da púcara
do espanto
que reflecte as estrelas
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publicado por Manuel Anastácio às 20:57
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3 comentários:
De Paulo Hasse Paixao a 24 de Outubro de 2007 às 01:30
Ah!
De Manuel Anastácio a 24 de Outubro de 2007 às 16:40
Olá... :)
De Gerana Damulakis a 27 de Outubro de 2007 às 02:26

Ainda bem que vocês são tão Atlânticos, pelo menos nos livrou de uma colonização espanhola, ou inglesa. Foi o fascínio pelo Atlântico, daí terem chegado antes. Que bom! Eu pessoalmente detestaria ter certas características dos vizinhos (ex: Venezuela, Bolívia) oriundas dos espanhóis. Mas, deixa para lá, não vale a pena polemizar, quando já há tantas no mundo. Deixa a coisa em nível pessoal, gosto muito da minha mistura, família materna portuguesa, família paterna grega, nostalgia e tragédia. Não deixa de ser uma bela mistura: Camões e Homero! Depois disto, resta grafar o nome completo.
Gerana Costa Damulakis







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