Domingo, 24 de Junho de 2007
Chucha no dedo


Chucha - desenho de patente nos Estados Unidos da América (1900)

Dizem que a Wikipédia dissemina erros pela net. A mim, pelo contrário, parece-me que é a net a disseminar erros pela Wikipédia.

 

Este texto aqui...

“A chupeta foi inventada por um médico russo, Stoitchcovsky, na antiga União Soviética. Ele não agüentava mais o choro constante de sua filha, Katerínikoskitóva, e aperfeiçoou um método de silenciamento que ele conhecera quando trabalhava na KGB (ex-agência de inteligência russa). Como ele não queria matar sua filha, que apesar de chata era muito amada, trocou o ferro derretido por plástico e colocou na boca da filhota. Como isso funcionou com perfeição, Stoitchcovsky adaptou a chupeta (como ficou conhecido o instrumento silenciador de crianças) e fez com ela um isntrumento de alimentação (já que a criança chorava na hora de comer porque precisava tirar a chupeta). Stoitchcovsky só não ficou milionário com sua invenção porque tudo na época era controlado pelo Estado e eles assumiram a patente da chupeta e da mamadeira. Isso era tão útil que até os Estados Unidos incorporaram a chupeta e a mamadeira em seu país, mas fingiram que foi uma criação norte-americana para não admitirem a utilização de um instrumento soviético em suas crianças. Ah, antes que eu me esqueça, Katerínikoskitóva continuou usando chupeta e mamadeira até a vida aduta, quando se tornou a primeira pessoa do mundo a ter todos os 32 dentes tortos.”

 

... está disseminado em cerca de quatro páginas (que eu tenha descoberto), incluindo no site de um jornal brasileiro!

 

Alguém decidiu, entretanto, colocá-lo no artigo Chupeta, na Wikipédia, onde esteve pespegado durante cerca de 11 horas. É muito tempo? É. Mas não é tanto quanto o tempo em que permaneceu e permanecerá em outros sites que não podem ser editados. Os críticos da Wikipédia, contudo, não criticam a possibilidade de qualquer energúmeno poder escrever alarvidades destas em páginas que nem sequer permitem comentários de outros utilizadores. Posso ser muito radical nisto, mas todas as páginas que não permitem, ao menos, a interactividade de um simples comentário, não é digna de existir na Internet. Tudo, incluindo documentos em pdf deveria permitir notas à sua margem. Todas as notas possíveis, de quem quisesse acrescer uma palavra às palavras. Ao menos, saberíamos que há quem não concorde com algumas palavras, ainda que elas apareçam escritas. Caberia a cada um pesar a sabedoria de cada comentário. É por isso que a Wikipédia, indo mais longe no conceito, é o meu milagre das rosas, transmutando mentiras em dúvida. Eu sei – é difícil de perceber, mas nem só de certezas vive o homem.

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publicado por Manuel Anastácio às 11:01
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1 comentário:
De Artur a 28 de Junho de 2007 às 22:07
Uau! Quanta sabedoria. Embora se notasse qualquer coisa de estranha nos nomes....

Dizer de sua justiça

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