Quinta-feira, 14 de Junho de 2007
Reservado ao vento nas grutas

Pormenor de dente-de-leão, foto de Richard Bartz, em Creative Commons

Se escrevo no teu corpo,

Com o inciso escopro

Das formas da minha vida,

Imitando a curvatura

De uma caligrafia em dor nascida,

- Livro-me da literatura.

 

E quando inscreves, no meu,

A gravura megalítica

Do ocre das tuas unhas,

Na raia do que nos define o eu

Em coincidente fronteira mística

Da nossa existência sem testemunhas,

- Sei que não haverá violação

De direitos de autor.

 

Na nossa exultante excomunhão,

Foi-nos cedido pelo criador

Domínio público do alento

Feito coisa em nossos peitos,

Em móvel transparência como o vento,

- E sem reserva de direitos.

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publicado por Manuel Anastácio às 22:49
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