Domingo, 10 de Junho de 2007
Disparates I


Cena do espelho em  "Duck soup", com Groucho Marx - ou o problema da identificação segundo Lacan

"As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca dam... de antes navegados,
Passaram ainda além da... Tapobana1...,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota identificaram2
Novo Reino, que tanto sublimaram"3

Notas de rodapé:
1. E passaram muito bem. Se o sítio existe, e eram portugueses, passaram, com certeza.
2. Provavelmente o Reino de Prestes João. Identificaram-no, com certeza... Se ele existia, identificaram-no - se não existia, é provável que o tenham identificado na mesma. Passo a citar Paulo Pereira in "Paraísos Perdidos e Terras Prometidas", Círculo de Leitores, 2004, página 79: "Ficou célebre o episódio - e é Castanheda que o conta - em que um marinheiro português imbuído do desejo de identificação, depois de entrar num templo pagão da Índia e de aí ter rezado com os seus companheiros, alertado por um companheiro sobre o carácter incomum das "imagens" que venerava conclui: "Se é o Diabo, adoro por ele o verdadeiro Deus."" [o itálico aparece já no texto original - nem de propósito]
3. Quanto ao autor desta versão da primeira estrofe dos Lusíadas, mantenho o silêncio, por solidariedade institucional... Ainda estive a verificar se alguém falava o assunto na blogosfera... mas só consegui encontrar este artigo no "Funes, el memorioso" com a ajuda do Google...

Nota extra: toda a gente se engana... Errar é humano... Mas a primeira estrofe dos Lusíadas é sagrada! Quero dizer: todo o poema é, mas... enfim... Conhecer a primeira estrofe dos Lusíadas é um acto simbólico/patriótico tão ou mais importante que saber o hino nacional, respeitar a bandeira nacional (incluindo não exagerar no seu uso) e... claro... respeitar o presidente da república, nosso representante.

E é tudo o que tenho a dizer sobre isto.

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publicado por Manuel Anastácio às 23:07
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