Sábado, 2 de Junho de 2007
Rosas e vinho

Rosa canina, Otto Wilhelm Thomé; Flora von Deutschland, Österreich und der Schweiz - 1885

Existe uma certa espécie de religioso que acredita no valor sacramental das palavras. É o religioso que não aceita que se diga "adoro mousse de chocolate" porque a adoração deverá ter apenas a Deus como objecto, como se isso fosse possível. Claro que a intenção de quem adora chocolate não é, com certeza, a prostração contemplativa... Ou será? A adoração implica rituais, sacrifícios e declarações, actos, criação e manutenção de objectos e santuários em honra do objecto de adoração. E, na verdade, não há um ritual na forma como se aprecia a cor do vinho e o cheiro antes de o beber? Não existe a sacralização desse acto ao escolher um copo de pé alto e curva estudada? Claro que no caso do vinho se poderá argumentar que este é, em si mesmo, uma entidade cultural plena de significações místicas. Quem bebe cerveja participa de um ritual pagão, quem bebe bebidas brancas predispõe a alma para estados alterados de consciência que eventualmente poderão ser vividos como experiências religiosas  - mas quem bebe vinho não se limita a tomar  uma droga que potencia a ligação com o transcendente. Beber vinho é filosofar com os Doutores da Igreja. É aceitar implicitamente a realidade da transubstanciação, por mais céptico que se seja. É beijar o Graal, qualquer que seja a sua Natureza. É ter à mesa, não só Dionysosatravés do odor a sol e a resina cantado por Sophia, mas também a consciência múltipla e divina de Santo Agostinho, Santa Catarina de Siena, Santo Isidoro de Sevilha e, porque não, um arranjo floral de rosas caídas das mãos abertas de Teresa de Lisieux. Porque há no vinho sempre um toque de efemeridade e perfume a que se poderá chamar espírito. Porque para mim, o espírito, sendo eterno, apenas goza a eternidade em relances de efemeridade. Teresa de Ávila, ardendo no desejo de uma luz fálica que lhe tome o corpo e o anule, segue por caminhos um pouco mais radicais. Não serve o vinho para tanto. Teresa de Lisieux, por quem tenho um carinho especial, não deixando de ser crítico, é mais adequada como companhia à mesa de Baco. A chuva de rosas, que prometeu para quando da sua tímida entrada no céu, é um dos mais singelos sonhos de uma certa alquimia transmutada em religião, que o vinho em grande parte aclara. Os milagres das rosas, primeiramente atribuídos à Rainha Isabel da Hungria, mas também a Santa Rosalina em França e à Rainha Santa Isabel em Portugal (tenho ainda informações a respeito da mesma lenda em Itália e na Suiça), bem como o milagre das rosas de São Francisco de Assis associam esta flor à transmutação do material grosseiro em algo de subtil, a caminho da transcendência. Nas versões femininas da lenda, as respectivas santas, advertidas pelo poder masculino, egoísta, a respeito dos seus actos de caridade, entregam-se ao luxo de poder mentir sem mentir de facto. Deus não trata os filhos de igual forma. Para que não fossem acusadas de faltar à verdade, o pão que deveria ser dado aos pobres é transformado em flores. A graça divina nunca se arrogou à justiça, é certo, mas não deixa de reter na boca um certo sabor adstringente a podridão nobre. Há muito de vinho nestas lendas. Mais ainda na versão de São Francisco que, rebolando nu sobre as silvas (também elas da família das rosas, mas menos amadas), querendo escapar, pela mortificação do corpo, à tentação da alma, até ao sacrifício foi negado quando as mesmas silvas se tornaram em rosas sem espinhos (subespécie Rosa canina assisiensis).  Também neste caso há uma forte luz alquímica que o corpo bojudo de um copo de vinho, transformado em lente, pode concentrar na forma de uma flor de lis sobre uma toalha branca. Há no vinho um acto de adoração semelhante ao odor das rosas. Há no vinho (até no branco) a simbologia sagrada do sangue menstrual que se tornou masculino através do sacrifício de Cristo.  Heresias, eu sei. Mas não há coisa que o vinho faça melhor que transformar heresias em verdades profundas. Cristo sabia-o bem, naquela noite de todas as transmutações.  Volto a estes temas em breve.
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publicado por Manuel Anastácio às 16:50
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2 comentários:
De BlogMinho a 5 de Junho de 2007 às 01:15
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