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Sábado, 24 de Março de 2007
Enciclopédia íntima: Lentidão

"Liturgia de cristal", "Quarteto para o Fim do Tempo", Olivier Messiaen

A Lentidão não é sinónima nem parente da preguiça. Não é um vício, mas uma virtude. Quando dividimos o mundo em Luz e Escuridão, entre Bem e Mal, estamos, em grande parte, a distinguir entre as experiências que nos são oferecidas em turbação, em ruído e na instabilidade da angústia e as experiências que nos aparecem definidas, claras, equilibradas – e, eventualmente, instáveis e até mesmo angustiantes mas onde se conseguem definir pontos de fuga. O Inferno tem-nos sido recalcado como um reino de partículas em choque onde as almas assumem esse papel atómico – os seus elementos são indivisíveis, mas o meio é feito de constante permuta. O indivíduo está encerrado na sua dor, percorrendo as angústias num constante movimento de vórtice. Os buracos negros vieram dar luz, fornecendo-nos um modelo com aparência de realidade, a este eterno sofrimento. Dante, ao inscrever na porta do Inferno o aviso “Lasciate ogne speranza, voi ch’intrate” sabia bem que iria descrever o reino das almas que não mudam, daquelas que se apegam orgulhosamente – por vezes, até com dignidade e compaixão – à dor de terem vindo nascer a um mundo que não pediram, perante uma Salvação que não desejam nem poderiam desejar, ciosos da sua Identidade. 

O mundo actual é geralmente associado à rapidez e à mudança. Temos, até, a tentação de confundir rapidez com mudança. Mas é um logro. Este mundo é, de facto, rápido, e basta passarmos levemente os olhos sobre o panorama da história da humanidade para compreendermos a cegueira dos criacionistas que julgam que o ser humano nasceu há coisa de 6 000 anos. Esta aceleração das permutas entre átomos humanos, ciosos da sua Identidade, repito, é aquilo a que designamos de Inferno na Terra. Chocamos com os outros. Temos medo dos outros. Porque há rapidez nos gestos, nos encontros, nas trocas, nos olhares, nas decisões. O tempo, tornando-se cada vez mais uma coisa real, existe cada vez menos, porque se o meio nos oferece mudança e rapidez, o nosso núcleo encerra-se no medo, na insegurança e na angústia perante a destruição eminente. O conservadorismo atávico agudiza as suas lanças repulsivas perante o Outro, o Estrangeiro, porque esse outro vem de uma atmosfera de perturbação, vem a voar na nossa direcção no meio de outros Estrangeiros que nos tapam a vista e nos assombram o horizonte. Acirramos a nossa Identidade, mumificamo-nos, porque o mundo está a ser remexido por varas que nos põem a todos em suspensão. Vivemos numa realidade coloidal, em movimento, mas em que cada partícula se recusa a acrescentar o que quer que seja ao seu núcleo. Há rapidez e movimento, mas não há mudança. Falo da mudança  essencial: da mudança a nível espiritual – a nível humano. Somos, pelo contrário, incentivados a  “sermos nós próprios”, como dizem os papás das cobaias dos “Big Brothers” – votem no Zezé porque ele não está a fingir, não está a jogar, mas a ser ele próprio – ele é assim mesmo. Que logro, revestido de autenticidade!!...

Na verdade, só seremos nós mesmos, só seremos autênticos, quando nos quisermos identificar, não connosco, mas com o Ser. E esse Ser, procura-se. Também em nós mesmos, mas não só. Precisamos de nos virarmos para os outros, mas esperar que a atmosfera, turva, assente à nossa frente. Precisamos de lentidão. Porque é na lentidão que os núcleos atómicos da nossa Identidade se predispõem a mudar, ao aceitarem o papel de “germes de nucleação” que vão assimilando à sua superfície as partículas da aprendizagem. É na lentidão que se formam os flocos de neve (não necessariamente uma lentidão cronológica). Tudo começa com uma partícula de pó que aceita agregar a si, por precipitação, as partículas que enxameiam o ar. Tudo começa por aceitarmos agregar à nossa superfície a complexidade fractal do cristal que se expande. Só assim poderá o grão de poeira revestir-se da Glória da complexidade perfeita da regularidade, do Bem, da Felicidade – da Beleza.

Jesus Cristo disse-nos isso claramente ao dizer que precisávamos de morrer para nos salvarmos da Morte. A semente só vive quando aceita morrer. Quando nega a sua Identidade de semente e decide criar raízes e abrir-se ao mundo, à Terra, ao Ar, à Luz. Só somos quando aceitamos não ser. Essa é a única autenticidade possível. Não digo, contudo, que a memória se deva perder nesse processo. E para isso, é necessária a lentidão. Para isso, é preciso saber o que é escrever um texto como fazia Flaubert, escolhendo cada palavra – o “mot juste”.É preciso compreender os planos mais lentos de Manoel de Oliveira. É preciso saber ouvir a música que só com atenção se sedimenta no nosso gesto de ouvir. Mas isso são experiências estéticas. É preciso, em primeiro lugar, aprender a ouvir e a amar os Outros. Essa é uma experiência Ética que também precisa de lentidão. Um plano lento, uma página difícil, um grupo sonoro atonal são perfeitos exercícios de humanidade. Nem sempre – ou raramente – são divertidos, mas imprimem-nos um largo sorriso íntimo, ao sentirmos que nos cobrimos com os cintilantes raios de um cristal que ainda está no seu início. E nós ao centro, diferentes de nós mesmos.

Artigos da mesma série:
publicado por Manuel Anastácio às 13:07
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1 comentário:
De Artur a 25 de Março de 2007 às 12:28
Go slow, go gently, enjoy the time.

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