Sábado, 17 de Março de 2007
Punch Drunk Love

Trailer de "Punch Drunk Love". Não está entre os 100... Mas....

"Amo-te tanto que só queria esmagar-te a cara com uma marreta", diz Adam Sandler, no papel de Barry Egan, no filme "Punch Drunk Love" de Paul Thomas Anderson. Lena (Emily Watson)  diz, seguindo a mesma lógica, que só lhe apetecia arrancar os olhos e chupá-los. E assim se faz uma das mais lindas cenas de amor da História do Cinema.

Não sei se existe qualquer espécie de vantagem do ponto de vista evolutivo nesta predisposição que temos para esmagar aquilo que, de facto, queremos proteger. Talvez haja. Não consigo, ainda assim, defender tal tese. Duvido que os adeptos do "Intelligent design" consigam fazer melhor.

Entretanto, nos últimos dias tive dois acessos assassinos em que me apeteceu usar  uma marreta com a precisão cirúrgica de quem racha paredes. O primeiro caso foi com o psicólogo Eduardo Sá, que, não sei há conta de que santo, tomou conta dos assuntos relacionados com Psicologia Infantil, na SIC. O senhor fala com uma tal calmaria melíflua na voz, que, em pouco tempo, parece que estamos a nadar numa substância viscosa que nos impede avançar para a salvação da alma. É talvez a personagem de ficção mais enjoativa da história. Subiu para a ribalta desde que comentou, com uma inusitada ternura paga, o caso de Natascha Kampusch. Depois do horror, a SIC queria alguém que restabelecesse a confiança na Humanidade, alguém com serenidade nos gestos e na voz. Eduardo Sá é, de facto, sereno. Tão sereno, que imprime em mim um bem estar só semelhante ao de ouvir alguém com unhas compridas a arranhar uma parede caiada seca ao sol. E as coisas que ele diz, desde que a SIC o contratou como especialista em assuntos relacionados com a Infância... Por exemplo, sobre os trabalhos de casa, diz que as crianças trabalham demais e que se deve combater em absoluto a tortura dos TPCs. Eu estou plenamente de acordo. Até porque o senhor tem cara de miúdo que fez sempre os trabalhos de casa. E longe de mim quem me acusar de que eu quero que os meus alunos fiquem com aquela cara e aquela forma de falar quando forem maiores. Antes a saltar, a darem empurrões e a cuspirem para o chão do que ficarem numa cadeira com o olhar vidrado a recitar frases feitas de maus livros de psicologia... Confesso que, perante tamanha tortura, não mudo logo de canal. Ainda fico a testar a minha capacidade de resistência e a cronometrar o tempo que consigo aguentar antes de carregar num botão do comando, como remédio para não me atirar de forma insana contra a televisão e parti-la ao meio. Com sorte, ao mudar de canal, pode aparecer-me a cara do José Sócrates. O mesmo que disse, hoje, que não houve governo português que deixasse tantas marcas de esquerda como o dele. Benza-o Deus!... E então o Estado Novo???... Até nos deixou o 25 de Abril e tudo... Se tivesse uma marreta na mão, em vez de um cravo, meu caro... Mas não. O que vale é que me ocorre logo a voz do Eduardo Sá... Benza-o Deus...

Valha-me Deus... Será amor?...
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publicado por Manuel Anastácio às 22:21
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7 comentários:
De ana ramon a 18 de Março de 2007 às 20:05
Só tu para te referires a esta personagem nestes moldes. Fartei-me de rir (característica que dizem ser bem portuguesa: conseguir rir de cenas que deveriam causar horror, repelência). Concordo contigo: é um momento televisivo intragável. Um beijinho
De Artur a 19 de Março de 2007 às 12:00
Como te atreves a dizer mal de tão douta personagem, daquela encarnação das mais puras teorias, daquele perfeito desfasamento da realidade?

Quanto ao sócrates, não te esqueças que este país adora salazares e afins. É mal nacional, é o sebastianismo latente na alma portuguesa. Queremos sempre ser guiados por um mestre...
De mariafrade a 20 de Março de 2007 às 20:13
Pois também não posso com semelhante criatura que juntamente com a sua parceira Isabel Stilwell anda por aí com os mais esclarecidos pensamentos sobre as crianças desde a Internet,tv , rádio e jornais nada lhes escapa. Confesso que nunca consegui ler mais do que algumas linhas dos seus artigos porque -erro meu- não percebo o que ele quer dizer...
De Hilario Moreno a 25 de Março de 2007 às 14:38
Porque será que sempre que ouço o Eduardo Sá me lembro do Diácono Remédios?
E que receio que um dia destes a SIC contrate um astrónomo para dizer muito sério "O Çol naçce a Naçcente"... ( pausa para assimilarmos a revelação) ...e põe-çe a poente. Mas atençção!... (pausa a dilatar o suspense) Trata-çe movimento aparente, na realidade é a Terra que..."

HM
De Manuel Anastácio a 25 de Março de 2007 às 14:48
Eheheh ;)
De Ivo a 2 de Abril de 2007 às 19:15
Estou mais aliviado...pensei que era o único a ter espasmos no esófago quando o "tão" iluminado senhor fala. É mais um dos exemplos da mediocridade que a televisão coloca a etiqueta de BOM e oferece aos portugueses. E eles comem satisfeitos.

De Manuel Anastácio a 3 de Abril de 2007 às 19:47
Estou a ver que posso abrir um abaixo assinado... :)

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