Sábado, 26 de Março de 2005
Mo Cuishle
Mo Cuishle disse-me no fim que foi o mais belo filme que alguma vez viu... Talvez. Muito provavelmente. Porque não me lembro de outro filme onde o sangue, as feridas, a dor, a violência, a morte e a miséria se transfigurem assim, num sorriso de amor divino. Talvez este filme não seja cristão. Há nele o paganismo das opções conscientes e do gosto pelo circo a quem falta o pão. Há nele a nostalgia das ilhas encantadas e das noites que murmuram - a nostalgia dos fantasmas que povoam os palcos sujos onde nos estatelamos em náusea. Neorealista e melodramático. Triste como a mais amarga das lágrimas. Plácido como quem olha as margens de Innisfree, num lago qualquer onde nunca repousaremos as nossas chagas... Sim, Mo cuishle, talvez seja o mais belo filme que alguma vez vi... (Claro que estou a falar de "Million Dollar Baby", ainda.)
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publicado por Manuel Anastácio às 18:09
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1 comentário:
De Virgnia Pedras a 29 de Março de 2005 às 14:11
Melhor que este só mesmo "O Piano"...:)

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