Quarta-feira, 10 de Janeiro de 2007
O Músico do Mosteiro de Vilar de Frades

Músico esculpido no portal lateral da Igreja de Vilar de Frades

Já aqui falei do músico esculpido numa das arquivoltas do Portal da Sé de Braga. A Ana Ramon ajudou-me a descobrir qual o instrumento manuseado pelo pétreo músico de Braga. Perguntou a uma amiga [Dulce Neves da Silva, professora e intérprete de flauta barroca e pintora], estudiosa da música antiga, que lhe respondeu, tal como se poderá ver nos comentários do post anteriormente citado: "...vendo com bastante atenção, o instrumento que me enviou, e consultando os meus apontamentos de organologia , parece-me ser a tal viola da bracio que lhe tinha dito, mais precisamente, uma viola de arco. Pelo formato do corpo do instrumento, poderia ser e levava-me a crer que fosse, uma guitarra mourisca, que tem exactamente esse formato. A cabeça do instrumento parecia-me redonda, mas se calhar é só ilusão devido ao rendilhado da pedra, ao lado. Assim e porque tem claramente um arco a sobrepôr-se ao corpo do instrumento, não deverá ser a tal guitarra mourisca. E , provavelmente a cabeça ,não é redonda. Concluindo, é uma viola de arco." 1

Ora, tendo o José Cunha-Oliveira tratado, há dias, dos Vilares que se espalham pela
Toponímia Galego-Portuguesa e Brasileira, lembrei-me desta imagem capturada de um portal secundário da Igreja de Vilar de Frades. Vilar de Frades que, ao que parece, seria uma das freguesias do município de "Vilar", correspondente à área ocupada pelo mosteiro, e que actualmente pertence à freguesia de Areias de Vilar (que, antes, era apenas uma das subdivisões de Vilar). Isto, pelo que apanhei de uma conversa com a Bogas, ilustríssima habitante desta terra. Mas como a Bogas ainda não serve como referência bibliográfica, ainda terei de estudar melhor o assunto, antes de o voltar a pôr em questão nos comentários da Toponímia.

Quanto a este músico, só posso dizer que tem de ser, quase obrigatoriamente, parente do da Sé da Braga. Terei ainda de investigar a data de criação dos dois para dizer qual precedeu qual. Não tenho conhecimentos de História de Arte que me permitam tirar conclusões de uma primeira vista. Mas será que o instrumento é o mesmo?

Em termos formais, este músico é menos ambicioso. Não escapa ao enquadramento. As perninhas estão dispostas de maneira a não fugir da pedra onde a figura foi esculpida. Mas é, ainda assim, um digno representante de uma música petrificada que não é, ainda assim, Arquitectura.
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publicado por Manuel Anastácio às 20:57
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8 comentários:
De Ana Ramon a 11 de Janeiro de 2007 às 00:35
Estava a ler este texto e apercebi-me de uma falha grave: o nome da minha amiga que nos fez o favor de dar esta informação. Chama-se Dulce Neves da Silva, professora e intérprete de flauta barroca, pintora, dedicando-se a uma série de outras actividades interessantes.
Um beijinho para ti
De Manuel Anastácio a 11 de Janeiro de 2007 às 11:01
Já agora, pergunta-lhe se o instrumento desta figura é também uma viola de arco... ;)
De Ana Ramon a 11 de Janeiro de 2007 às 09:57
Ah, ainda a propósito do Seringador: achas alguma razão de ser para o o provérbio "Quem come laranjas em Janeiro, dá que fazer ao coveiro"? Põem-me cada questão
De Manuel Anastácio a 11 de Janeiro de 2007 às 10:52
Pois... Isso é como aquilo de comer laranjas à noite... Não faço a mínima ideia. Deve ter sido inventado por alguém que não gostava de laranjas...
De artur a 12 de Janeiro de 2007 às 18:05
Hmmm... laranjinhas à noite? Uma delícia.

Devia ser interessante um passeio às voltas das pedras de que falas, contigo como cicerone.
De Jofre Alves a 12 de Janeiro de 2007 às 20:43
Passei para desejar óptimo fim-de-semana e apreciar esta interessante página, onde impera a qualidade e bom gosto.
De Manuel Anastácio a 12 de Janeiro de 2007 às 22:55
Já agora: o Jofre acabou de esclarecer a dúvida sobre as laranjas no blog da Ana, dizendo: "Diziam os antigos que a laranja em Janeiro ainda estava verde, e só era boa depois de “confessada”, isto é, depois da Páscoa. Daí o ditado popular (...)»."
De jose cunha oliveira a 19 de Fevereiro de 2007 às 19:24
Carissimo Manuel Anastácio
vejo que anda encantado com os músicos das igrejas românicas e góticas. também já passei por esses caminhos. mas só fiquei razoavelmente esclarecido com "O Mistério das Catedrais", de Fulcanelli.
lembras-te dos músicos do Pórtico da Glória, em Santiago?
dá uma vista de olhos pelo Fulcanelli e diz-me o que achaste disso.
um grande abraço
José Cunha Oliveira

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