Domingo, 27 de Março de 2005
Mignon
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“Di Provenza il mar e il suol” de “La Traviata" de Verdi, na voz de Lauritz Melchior, numa gravação de 1913 (por isso, não estranhem o som!), a acompanhar a nostalgia mediterrânica do poema.

 

Poema de Goethe, inserido em "Os Anos de Aprendizagem de Wilhelm Meister" - a tradução (livre, como sempre) é minha. A preparar mais um soneto de Nerval.

Conheces o país onde crescem os limoeiros,

Onde, na folha escura, as laranjas são luzeiros,

Onde do azul do céu uma ténue brisa sopra

E entre os altos ramos de loureiro, é calma a murta?

Não o conheces bem?

                   Seria para aí que eu iria,

Para estar contigo, oh, meu amor!

 

E a casa que em esteios e colunas é sustentada?

Os seus quartos radiosos e ofuscante entrada,

E onde o olhar de estátuas de mármore nos alcança?

“Mas o que fizeram contigo, pobre criança?”

Não a conheces bem?

                   Seria para aí que eu iria,

Para estar contigo, meu vero protector!

 

Conheces aquele monte de nuvens cercilhado?

A mula que passa pelo caminho enevoado,

E dragões que em grutas perpetuam a geração,

E rochedos polidos pela água em borbotão;

Não a conheces bem?

                   Seria para aí que eu iria,

É por onde temos de seguir. Pai, é essa a nossa via!

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publicado por Manuel Anastácio às 22:24
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