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Quarta-feira, 15 de Novembro de 2006
José Forjaz

Residência Paulino (pormenor) - José Forjaz
- © JOSÉ FORJAZ ARQUITECTOS 2004

Em 16 Outubro de 2004, numa conferência sobre Urbanística, em  Santa Maria da Feira. Além do muito reverenciado Sir Peter Hall, que discursou sobre “The end of the city?” (não, não se falou propriamente de urbicídio), falou o Arquitecto José Forjaz . Na altura, fiquei com a impressão de que o senhor era, realmente, um bom ser humano, mas um muito mau orador. Para começar, ofereceu à assistência a leitura de um texto: “Cidades - Motores do desenvolvimento rural?” onde perorava longamente sobre as horripilantes condições de vida em Moçambique, onde trabalha, recorrendo a estatísticas atrás de estatísticas. Um conferencista-leitor é sempre algo de irritante, salvo raras e honrosas excepções. Quem me dera a mim poder voltar atrás no tempo e ouvir o próprio Charles Dickens a ler os seus romances para uma plateia delirante e munida de lenços para aparar as lágrimas. Mas José Forjaz não fez como Dickens, em vez do tom melodramático, em vez de contar historinhas que pusessem o pessoal a chorar, decidiu mostrar a sua irritação perante uma plateia muito preocupada com os problemazitos das cidades europeias. Enquanto alguns conferencistas matutavam na cidade como espaço cultural e estético, Forjaz queria apenas perguntar - poderão as cidades dar de comer a alguém? Ora, Dickens, através da ficção, conseguiu muito. As deploráveis condições de vida na Inglaterra da Revolução Industrial receberam alguma atenção dos ricos, que se moveram filantropicamente para dar a sua esmolita a todos os Copperfields e Twists que potencialmente existiriam . Como escrevi, um dia, na Wikipédia, "
numa altura em que o Império Britânico era a maior potência política e económica do mundo, Dickens conseguiu apontar para a vida dos esquecidos e desfavorecidos, mesmo no coração do império. Na sua breve carreira de jornalista já tinha batalhado pelo saneamento básico e pelas condições de trabalho, mas foram, claramente, as suas obras ficcionais que mais despertaram a opinião pública para estes problemas." Claro que as acções filantrópicas ajudam apenas superficialmente. Não vou discutir algo de tão óbvio - mas é inegável que muito do socialismo histórico, que levou a algumas das conquistas maiores para a classe trabalhadora, se deveu mais a Dickens, a Vítor Hugo e mesmo a Eugène Sue, do que aos fundadores teóricos da ideologia socialista. O ser humano tem de ser convocado para as grandes coisas primeiro pelo coração. É inevitável. Tabelas, gráficos, números, servem perfeitamente para nos esclarecer, mas não para nos mover à acção. Precisamos de choradinho, sim. Precisamos da história do menino que morre de fome. Não nos basta dizer que morreu de fome. É preciso dizer que, antes de morrer, sofreu. E explicar como sofreu, com pormenores sórdidos misturados com pormenores comoventes. O melodrama é necessário. É socialmente imprescindível. José Forjaz tinha, com certeza, muitas histórias para contar. Mas não as contou, reduziu-as a números. O público bocejou perante o quadro aterrador. Ora, Erasmo sabia muito bem que fazia parte da nobre estupidez humana apreciar os oradores que intercalam anedotas no meio do sermão. E um público de conferência é sempre um público estúpido, mesmo quando constituído pelos mais eruditos ouvintes. Claro que Forjaz trazia indignação na voz e a grande seca que deu aos ouvintes serviu como justo castigo para a frivolidade de todos os outros temas ali discutidos. Mas duvido que tenha rendido algo.

Ontem ouvi José Forjaz numa belíssima entrevista com Ana Sousa Dias, no "Por Outro Lado", na Dois:. Aqui, o arquitecto não pôde trazer as folhinhas atrás. Os relatórios ficaram em casa, mas a mensagem foi, desta feita, límpida - vi um ser humano que não acredita que os seus esforços tenham alguma eficácia para melhorar o mundo, mas que, ainda assim, prossegue neles, porque não conseguiria viver com os remorsos de nada ter feito.

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publicado por Manuel Anastácio às 18:42
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4 comentários:
De Jofre Alves a 16 de Novembro de 2006 às 06:03
Quando se anda perdido na blogosfera, fruto dalguma insónia, temos sempre a esperança de chegar a porto seguro, acolhedor. Foi o caso, e valeu a pena, na medida em que pude apreciar um blogue interessante e multidisciplinar. E aquela súmula final acerca de José Ferraz - o mundo já não tem concerto, mas não se pode ficar com a angústia de nada ter feito para melhorá-lo - é sublime, pois estou na mesma fase: a imutabilidade das coisas e a vontade de ainda tentar. Parabéns. Para visitar mais vezes
De Nuno Fonseca a 26 de Fevereiro de 2009 às 23:07
E ele tem feito muito!!!
De carla pacheco faria a 7 de Setembro de 2009 às 19:26
penso que é uma pena precisarmos sempre de pinceladas melodramáticas, palmadinhas nas costas e discursos patriozantes que nos estimulam a pujança em alguma atitude relacionada com a actividade que praticamos. Se o senhor vivesse em Moçambique, viria como o prof. José Forjaz sabe falar verdades curtas e objectivas, sem precisar vender-vos o quadro-tipo africano. É suposto voces estarem a par do que se passa, ao invés de bocejarem durante a apresentaçao. Perguntar, partilhar e assumir dúvidas, são características de seres humanos, que não se satisfazem com o que fazem, e anseiam melhorar o mundo em que vivem.
nada é suficiente, mas ao menos não se mantém no nada.

cumprimentos,
De Manuel Anastácio a 7 de Setembro de 2009 às 21:11
Eu concordo consigo (e não bocejei a ouvir José Forjaz, ao contrário de muitos que lá estavam). Mas números ditados para uma plateia nunca dão bom resultado. A mensagem tem de ser humana (como referi a respeito de uma certa entrevista de Forjaz) - e não precisa de ser melodramática, ainda que o melodrama seja, de facto, eficaz. Feliz ou infelizmente, é assim que se vendem as ideias e não com discursos racionais. É uma realidade, gostemos ou não dela.

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