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Sexta-feira, 10 de Novembro de 2006
O Seringador - Lua nova

Lua nova (de "O Seringador", da Lello Editores)

A conversa de ocasião mais detestada é, quase unanimemente, falar do tempo. Claro que hoje em dia se pode alargar a conversa para os protocolos de Quioto - sempre dá o gosto à língua de ter mais uma oportunidade para demonizar o George Bush - e sobre o aquecimento global: factor que, ao provocar a expansão das águas dos oceanos (e não devido à fusão dos gelos das calotas polares, como é frequente acreditar-se) provocará a reocupação do interior de Portugal. Estou a pensar comprar, aliás, um terreno na Penha de Guimarães, onde ficará uma excelente estância balnear insular  com direito a teleférico semisubmerso. Não sei como é que "O Seringador" conseguirá fazer previsões atmosféricas nestes dias conturbados de início de uma nova era glaciar, mas como ele mesmo diz, "o que o Seringador diz e Deus ordena é que VALE".

Ora, segundo o oráculo para 2007, "no primeiro dia deste ano choverá a potes; o Inverno será temperado; a Primavera, uma delícia; o Estio um encanto; o Outono húmido." Segue-se uma útil previsão de colheitas com um certo ressaibo bíblico: " De trigo haverá minguada colheita, mas de grãos  será um louvar a Deus; de vinho e azeite, o suficiente; poucas maçãs, muitas peras, melões e melancias a montes [boa notícia para o Filipe] ", e, logo de seguida, sem ponto final, sem parágrafo, promete-se também boa colheita de "zaragatas por um sarilho, greves em penca, prisões a esmo, enfermidades nos animais e nas mulheres, traições e cismas entre os que tudo lo mandam, males da madre no sexo frágil, pouca-vergonha, corrupção e ladrilhismo a potes, etc., etc..."

Convém fazer reparo nas duas referências ao sexo feminino, ao lado dos animais ou designado como sexo frágil, portador de uma madre. O Seringador não é homem para se preocupar com o politicamento correcto. Orgulha-se dos seus 142 janeiros e, na conversa final, com a Tia Brízida, da autoria de um tal J. Arrepia, ainda se atreve a dizer à velhota: "Estou aqui a ver os seus seios que se alteiam debaixo da blusa como dois píncaros dos Apeninos; os seus braços, torneados e brancos como jaspe, metem num chinelo os de Cleópatra, e as gâmbias, fazendo juízo pelo pouco que delas vejo [que a tia Brízida não é dessas velhas badalhocas que andam por aí de minissaia], devem ser de chupeta, capazes de tentarem um anacoreta...".
Artigos da mesma série:
publicado por Manuel Anastácio às 18:41
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4 comentários:
De anaramon a 10 de Novembro de 2006 às 22:41
Fui ver qual o teor da conversa entre a tia Brízida e o Seringador. Mas em 2002 o diálogo deles era um pouco diferente deste que passaste para aqui, embora já o tivesse ido ler de pé atrás:
"-Bravo, Seringador! Com essa tirada deu-me para tabaco. Onde aprendeu a perorar dessa forma? Que fluência, caramba! Antes que a seringa se esgote, peço-lhe que injecte, que dê, consecutivamente, esguichadelas avantajadas a todos esses incompetentes, oportunistas e aldrabões que por aí andam.
-Por agora, basta, Brízida . Já seringuei o bastante. Se os fosse a seringar como devia ser, lá se me ia a mistela à gaita num instante e eles continuavam, infelizmente, na mesma."
De Artur a 11 de Novembro de 2006 às 13:03
Palavras românticas. Ai, meu amor, como gosto desses píncaros dos teus apeninos, que ajuízadas as tuas gâmbias vislumbradas...
De Filipe a 12 de Novembro de 2006 às 15:21
Tenho andado à procura do teu mail para tirar umas dúvidas da Wikipedia mas não o encoontro no blog.
O Seringador é a versão a norte do Borda d' Água?
Parece que tem mais conteúdo, o Borda d'Água desde que morreu o seu fundador tem vindo a perder informação.
Já agora obrigado pelo aviso em relação às melancias.
Há um ponto que focas-te que ainda me deixa em confusão, (precisava era de ir fazer contas) que é a questão do possível degelo. Enquanto o gelo que derreter for o gelo que está em cima da água, estamos na "mesma". Quando o gelo que começar a derreter for o que está em cima da terra, a questão é completamente diferente.
Em relação ao gelo que está em cima da água, existe uma questão que ainda não ouvi falar. Todos nós sabemos, ou por conhecimento ou por expriência que se deixarmos uma garrafa completamente cheia de água no congelador ela parte, porque a água quando passa para o estado sólido aumenta de volume. Existe também o ponto de congelação vitria da água em que a passagem da água ao estado sólida for muito ráoppida e para temperaturas negativas baixas , a água não aumenta de volume( o princiipio da ultracongelação).
Quando a água aumenta de temperatura , aumenta de volume(o calor dilata os corpos, é uma verdade particular, não universal), é o principio associado à questão da subida dos oceanos. Será? Ea ta«xa de evaporação vai-se manter a mesma?
Tenho dúvidas nessa teoria e principalmente porque a não vi ainda sufecientemente bem explicada.
Por outro lado existindo a fusão das calotes polares, vai haver sérios problemas, a começar no modo como circula a água nos oceanos, e só isso vai dar muitas dores de cabeça.
De Manuel Anastácio a 12 de Novembro de 2006 às 16:39
Quanto à quantidade de informação no Seringador... Não sei se será assim - de facto, nunca tive um Borda-d'água nas mãos.

Quanto ao resto, sobre o degelo... Isso implica um pouco de estudo. Em breve direi umas palavritas sobre o assunto...

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