Segunda-feira, 6 de Novembro de 2006
Flores de pedra II

Espigas - Capelas Imperfeitas, Mosteiro da Batalha

Não griteis em vão, guerreiros,
Que vos preparais para a Batalha
Onde a luz do sol há-de vencer.
Não griteis em vão.
Porque não é no grito
Mas no gesto
Que a luz se transforma em pão.

Envergai com orgulho as lanças quebradiças.
Um dia virá
Em que a haste do trigo vergará o aço.
E onde estareis vós, guerreiros,
quando essa Batalha
fizer escorrer seiva em vez de sangue?

Onde estareis vós?

Não griteis em vão
Porque no grito que é dado sem dor,
mas apenas com arremedo de coragem,
Não há som nem decisão.
Gritai apenas quando sentirdes o ferro na garganta.
Gritai apenas quando o sangue vos sufocar a voz
e esta vos fluir pastosa e vermelha,
em bagos,
como no milho-rei desfolhado pela mulher
que julgarás beijar
quando se dissolver a luz entre as ervas rasteiras
que te limitam o horizonte.
Artigos da mesma série:
publicado por Manuel Anastácio às 22:21
link do post | Dizer de sua justiça | Adicionar aos favoritos
1 comentário:
De Artur a 8 de Novembro de 2006 às 09:14
Há un certo toque alquímico neste poema...

Dizer de sua justiça

.pesquisar