Quarta-feira, 11 de Outubro de 2006
Pormenores: Coelhinha da Playboy (Barcelos)

Pormenor de uma campa tumular do século XIV da Igreja Matriz de Barcelos - Museu de Arqueologia de Barcelos

Continuando o meu passeio entre o espólio do Museu de Arqueologia de Barcelos, no antigo Paço dos Duques de Bragança (que também em Barcelos há um, mais genuíno que aquele que consigo entrever da minha varanda), deparei-me com uma campa tumular (muita campa fotografei nesse dia...) ornamentada com o símbolo da Playboy. É verdade. Não sei se dá para perceber bem, na fotografia, mas esta forma é indubitavelmente a marca de  Hugh Hefner! - Tá bem... invertida lateralmente, é certo, mas a forma é a  mesma (a coelhinha da Playboy tem o focinho para a direita). Sei que existem fábricas de têxteis portuguesas que conseguiram um bom negócio com a Playboy na área dos atoalhados. Mas pensar que no século XIV, já uma agência funerária portuguesa se tinha lançado na subtil erotização da morte... Dá que pensar...

Mas, de facto, é apenas uma tesoura. Talvez um símbolo da confraria dos alfaiates. Seja como for, não é um símbolo de castração. E pode dar origem a uma bela história de uma viagem no tempo - em que quem viaja, em vez de um ser humano é, por exemplo, um exemplar da revista mais conhecida do mundo... Imaginar os efeitos místicos de tal aparição entre o povo barcelense (com o milagre do galo pelo meio, mais a explicação para o facto de o símbolo aparecer invertido - a viagem no tempo pode incluir a inversão do objecto ao passar pela quarta dimensão) é meio caminho andado para uma historinha tão divertida quanto reveladora da condição humana.1

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E assim, descarto-me, de forma muito borgiana  (ou borgesiana?), do trabalho de escrever o conto. Mas dou liberdade, a quem para isso tiver unhas, para escrever o mesmo conto, desde que o licencie no Creative Commons (carreguem neste link, porque vale a pena - explica bem o que é isso de criativecómones)....
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publicado por Manuel Anastácio às 22:13
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3 comentários:
De Artur a 12 de Outubro de 2006 às 17:55
Isso de andares a ver coelhinhos da playboy gravados nas paredes parece-me psicossomático, digo eu incapaz de travar a charge óbvia e brejeira.

Por outro lado, se as viagens no tempo fossem possíveis, imagina a sensação de se encontrar pegadas fossilizadas de botas em estratos com milhões de anos... ou pilhas em escavações arqueológicas... ou todas as combinações estranhas que a minha preguiça não me deixa ter vontade em pensar...
De T. a 13 de Outubro de 2006 às 00:23
Muito interessante esta história! Admira-me é que com um título destes só tenhas 1 comentário... :))))
Olha estou a «baixar» o ficheiro que aqui vinha, e nunca mais acaba de «baixar»... espero não ter surpresas más!!!
Já digo alguma coisa...
De Jo Lorib a 13 de Outubro de 2006 às 04:33
LOL !

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