Sábado, 20 de Maio de 2006
Herbário I - Nepenthes rafflesiana

                                     

Cheguem-me esse cálice

Onde morrem os homens, como em vinho velho deixado ao relento

E deixai-me provar o podre dos meus próprios lábios,

Em silêncio.

Depois,

Abram a tampa da caixa depositária dos segredos

E leiam sem constrangimento e sem lágrimas

As disposições finais do testamento

Escrito pelas mãos de quem nos estende o laço

Na própria urna onde se sepultou.

Aquilo que não pode pertencer aos anjos

A nós cabe de direito.

 

Porque somos os únicos que restam

 

No jardim

 

Em vigília

 

À espera.

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publicado por Manuel Anastácio às 04:31
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