Quinta-feira, 21 de Setembro de 2006
Sem tempo

Rosto em mosaico, Conímbriga

Não sei quem tem tempo.
Não sei se há tempo.
É por isso que procuro na Arte a fresca ilusão de que o tempo nada é perante o que é importante.
Não sei quem tem tempo.
Eu não tenho.
Não caberia nos meus bolsos, mesmo que não existisse.

O vendaval de madrugada trouxe consigo as primeiras bátegas de outono.

Mesmo defronte de casa, o terreiro vazio. O meu bloco de notas, igual. Sem tempo.

O vendaval de madrugada trouxe consigo o recado de dizer algo.

Parece que urge dizer algo.

Nem que seja que não há tempo.
Não há.
E não haver corta cerce o poder.

O vendaval de madrugada acordou os caracóis da sua seca letargia. Já começaram a subir paredes e a pintar vias lácteas de brilho viscoso. Não há tempo. É Outono.
publicado por Manuel Anastácio às 20:34
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6 comentários:
De Artur a 22 de Setembro de 2006 às 12:06
60 segundos em cada minuto. 60 minutos em cada hora. 24 horas em cada dia. 365 dias em cada ano. E mesmo assim ainda achamos que o tempo nunca chega.
De Manuel Anastácio a 22 de Setembro de 2006 às 13:10
Segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses, anos, décadas. Nada disso é tempo.
De Maria Helena a 24 de Setembro de 2006 às 10:59
Bonito.

Arte e Tempo não serão inconciliáveis?
Como que nessa incompatibilidade esteja o sentido da inutilidade?

Gostei de rever(ler) este cantinho :)
De Manuel Anastácio a 24 de Setembro de 2006 às 23:41
Eu sempre me questionei em relação a isso de útil e inútil - e da sua aplicação a campos como a arte ou o pensamento especulativo. É um assunto movediço e perigoso... E, talvez, quem sabe... inútil :)
De Maria Helena a 26 de Setembro de 2006 às 07:56
Completamente de acordo.

Com uma agravante: Raramente resisto à defesa entusiasta do "inútil" :)
De Manuel Anastácio a 26 de Setembro de 2006 às 22:48
Está na altura, pois, de escrever uma apologia da inutilidade...

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