Sábado, 10 de Setembro de 2005
Tristão e Isolda

Andamos todos enganados, não? A desilusão persegue-nos os passos e aponta sempre o mesmo caminho: aquele que a ela dá.

 

A palavra desilusão sempre me intrigou: o acabar das ilusões é mau? Só seria mau, se as ilusões fossem boas.

 

E não são?

 

Haverá algo melhor que uma boa ilusão?

 

Li no Crítico a descrição da cenografia da última produção do “Tristão e Isolda” no festival de Bayreuth – local onde nunca fui e duvido que vá algum dia (não porque não queira, claro) e as palavras começaram a esbater-se e a perder significado. Li, sem ler. Pouco me interessava o soalho ou o casaco “very british” de Tristão... Pensei apenas num frasco de mentiras – num doce veneno que lançou as duas criaturas para os braços uma da outra, sem pejos de moralidade, religião, dever ou honra... Apenas aquele laço que uniu duas criaturas carnais destinadas à suprema ilusão. E ao único tipo de morte que a não apaga. A morte na ignorância que os artíficios humanos tão bem destila...

 

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publicado por Manuel Anastácio às 22:49
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1 comentário:
De Brigada Bigornas a 11 de Setembro de 2005 às 10:27
“Mais vale ser rico e ter saúde, do que pobre e ser doente” – Quitéria Barbuda in “A Esquerda Invejosa”, Revista “Espírito”, nº 19, 2005.

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