Domingo, 20 de Agosto de 2006
Buscas pedidas - "Ribeira da Brunheta III"


Depois da curva vejo, finalmente, a Ribeira a atravessar a estrada. Creio que seja esta a ribeira que dá nome à povoação. Agora é um fio de água. Era o caudal maior quando  a estrada era apenas um carreiro de cabras. Era aqui, quando ainda não havia água canalizada,  (e no Vale Feixo - em Carvalhal) que as mulheres de Carvalhal Baixo lavavam  cestas de roupa.



Lembro-me bem das ervas cobertas de lençóis brancos e das mulheres torcendo-os aos pares.

Onde há, agora, apenas cascalho, dispunham-se as grandes lajes onde a roupa era ensaboada. Até as pedras parecem ter sumido da paisagem.



Era também aqui que, castigados pela sede, nos debruçávamos sobre a corrente (fazíamos cruzes com as mãos sobre a água e repetíamos  ''água corrente não mata gente'' - toda a gente sabe que o que rima é, na mente popular, sempre verdade) e dela bebíamos. Mas tanto a água é agora outra, como o homem que nela banhou os pés. Heraclito chora.



Depois de atravessar a estrada, a água esconde-se por uma pequena represa totalmente coberta de junco e outras higrófilas que se estendem vale abaixo em terrenos mais ou menos pantanosos e cuja fertilidade era proverbial. Mais algumas curvas acima, estarão as casas ricas dos fazendeiros de outrora. Não estou à espera de as encontrar inteiras. Mas é para lá que me dirijo, acompanhando o curso escondido da seiva que me molhou os pés.

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publicado por Manuel Anastácio às 17:26
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