Sexta-feira, 18 de Agosto de 2006
Buscas pedidas - "Ribeira da Brunheta I"


Enquanto a Carla fazia o jeito de jogar um pouco de Playstation com o Duarte, decidi ir até à curva da Estrada tirar fotografias à velhinha e bela casa da Ti'  Geéda (Tia Geada???), cujo telhado desabou . Pouco depois da casa, fugindo ao sol, entrei pelo pequeno pinhal da Tia Augusta. O caminho por onde seguia até à escola está agora impraticável, coberto de tojo e todo o género de plantas espinhosas. Lembro-me de os donos dos pinhais detestarem a presença de miúdos nas suas propriedades. Supostamente, não permitiam o crescimento de novas árvores. Treta. Não permitíamos, isso sim, o crescimento desregrado de uma selva selvaggia, aspra e forte...

Pouco depois, mesmo sem dar por mim, estou do outro lado da estrada, junto a terrenos de cultivo com sebes de silvas que crescem pelo caminho também abandonado. Por aqui, já nem se brinca nem se trabalha. Deixam-se as silvas abrir caminho aos fogos devoradores de biomassa.



Era este o caminho que fazia quando seguia em direcção à Ribeira da Brunheta. Os fetos cobrem esta parte do vale. Diz a minha mãe que antes não havia por aqui fetos. Hoje, parecem querer lutar com as silvas e com os eucaliptos pelo direito ao monopólio das terras. À direita, havia uma clareira onde fazia cabanas com cascas de eucalipto, sobrepostas, formando paredes com estrias horizontais de luz e onde se entrava pelo tecto.



Entre as silvas, um grande cedro. É difícil o caminho até este Deus recôndito, iniciador da minha persistente dendrolatria.



A máquina fotográfica não consegue, de facto, captar a face do Deus. Volto ao caminho. Subo a encosta e dou, por fim a um caminho liberto, onde retiro os espinhos que, entretanto, se infiltraram pelas sandálias.



É aqui que começava, de facto, o caminho em direcção à Ribeira da Brunheta. Uma pequena aldeola, que mal conheço. Mas, fazendo a vontade a quem procurou por tal nome no Google, é para lá que me dirijo. Amanhã continuo o passeio.
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publicado por Manuel Anastácio às 02:14
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6 comentários:
De Artur a 20 de Agosto de 2006 às 11:15
Um passeioi profundamente poético, que me fez recordar algumas das minhas deambulações pelas matas mafrenses nos meus tempos de infânca. A sensação de passear no meio da natureza, pelos caminhos entre os pinhais, era uma de permanente descoberta.
De Manuel Anastácio a 20 de Agosto de 2006 às 16:46
Este foi mais um passeio entre memórias - mais mental que físico, pois, pouco resta das imagens que tenho, de facto, na minha cabeça.
De SCP/Leão a 22 de Outubro de 2006 às 21:49
A Ribeira da Brunheta que eu conheço hoje e onde vou quase todos os dias é um pouco diferente do que tenho lido, embora haja muitas habitações antigas em ruínas.
Hoje para chegar á Ribaira da Brunheta é tudo estrada de alcatrão. tanto pelo lado do Souto, como pelo lado do Carregal.
Gostei de encontrar aqui memórias escritas de uma pequena aldeia que tenta vencer a desertificação.
De Manuel Anastácio a 23 de Outubro de 2006 às 21:08
Eu sei que sim. Já fui à Senhora do Tojo pelo Souto. Mas o que eu conhecia sobre a Ribeira da Brunheta eram estes caminhos. Não a aldeia em si, a habitada hoje em dia, que desconheço por completo, como refiro noutro artigo, aliás. Obrigado pela visita. É bom ouvir vozes desse lado.
De Pedro Santos a 6 de Novembro de 2007 às 15:46
Olá Manuel. Talvez seja já um pouco tarde para comentar o artigo, mas acabei de descobrir o blog e confesso que me impressionei com o seu conteúdo. Penso que existem duas localidades distintas, a Brunheta e a Ribeira da Brunheta . Os caminhos de que falas são os que ligam Carvalhal à Brunheta , localidade esta que julgo eu estar praticamente desabitada . Já a Ribeira da Brunheta fica junto ao Carregal. Mas não tenho a certeza do que digo.
Já agora, é verdade, a casa da Ti Geéda era de facto interessante, ao ponto de eu, na altura com 5 anos, o meu irmão e um vizinho, atraídos pela curiosidade , termos lá entrado pouco tempo depois de ter ficado desabitada. Entrámos pelo telhado entretanto desabado, e algo não correu bem. Caí pelo vão das escadas e hoje trago comigo uma grande cicatriz no queixo.
De santos pedro a 6 de Outubro de 2009 às 13:39
Ola a todos.E sempre bom ver alguem a falar da Ribeira da Brunheta´..La onde acaba a estrada e começa a minha casa.Abraços a todos.....

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