Terça-feira, 1 de Agosto de 2006
Cristo no Monte das Oliveiras I, de "As Quimeras" de Gérard de Nerval


Jesus no Monte das Oliveiras, fresco de Jacopo Pontormo (1494 - 1557),
na Cartuxa de Galluzzo (Florença)

I

O Senhor, de magros braços em riste

Sob árvores sagradas, como os poetas,

Perdido, por longo, em dores secretas,

Da confiança nos amigos desiste.

 

Dirige-se ao grupo que em baixo insiste

Sonhando serem reis, sábios, profetas,

Com as almas apenas ao sono afectas,

A eles grita: “Não, Deus não existe!”

 

“Preferis ignorar a novidade?

Defrontei o arco da eternidade.

Aos dias, minhas chagas oficiam...”

 

“Enganei-vos! Ao abismo atirado

Falta Deus onde serei imolado:

Nem é nem será!”. Mas eles dormiam.

(Versão de Manuel Anastácio)

Ver parte II deste poema

(Volto, assim, às Quimeras de Gèrard de Nerval, para pesar dos leitores que pensam que a poesia deve ser ministrada a conta-gotas, para que não perca o impacte. Se assim fosse, também a música deveria racionada, penso eu, claro...)

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publicado por Manuel Anastácio às 23:33
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