Domingo, 30 de Julho de 2006
Buscas pedidas - "Manuel Anastácio assassinos"

Assassinatos na rua Morgue, ilustração de Aubrey Beardsley (1872 - 1898) para o conto homónimo de Edgar Allan Poe

Já aqui falei sobre alguém que entrou neste blog depois de procurar por "Manuel Anastácio assassinos". A primeira suposição é de que alguém tinha a esperança de encontrar o meu nome em alguma lista dos mais procurados pela interpol. Pois bem, os únicos Manuéis Anastácios que encontro na Internet são, além da minha excelentíssima pessoa, que ocupa a grande maioria das páginas apresentadas pelo motor de busca (a vaidade humana não tem limites):

a) um antigo aluno da Universidade de Évora licenciado, em 2005, em Economia;
b) o presidente da Junta de Freguesia de Parreira, na Chamusca (que terá sido um craque na bola);
c) um professor pertencente à comissão de honra da campanha de Manuel Alegre;
d) o director adjunto do planeamento e desenvolvimento patrimonial da Administração do Porto de Lisboa;
e) o autor do livro "Espécies florestais de madeira branda nativas da Bahia";
f) um engenheiro civil que vive numa moradia bioclimática, na Charneca de Caparica, com a mulher e os dois filhos;
g) um aposentado brasileiro de 70 anos, técnico de massagens;
h) um atleta amador da Atouguia da Baleia;
i) segundo o Diário da República, um Director Adjunto da DP (não sei o que seja a DP);
j) um senhor de Cabo Verde, conhecido como Nhonhô, falecido num acidente de viação;
k) o director da Director Besleasing e Factoring - Instituição Financeira de Crédito;
l) o dono de um ponto de venda da Grundig, na Madeira (Camacha).

 Acho que é tudo, excluindo os Ricardos Manuéis Anastácios, os Vascos Manuéis Anastácios e outros cujo primeiro nome não é Manuel. Ora, da lista não consta nenhum assassino. Valha-nos isso.

Mas, refazendo a busca no Google, ficaremos mais elucidados quanto ao que o nosso visitante pretenderia: de facto, tirando uma referência ao post do blog Anarc@s&Lib€rais?#!, onde se refere esta mesma problemática (e que subiu imediatamente para o terceiro lugar na lista do motor de busca), o googleante podia estar, simplesmente, à procura do post onde falo da seita dos assassinos... Mas não é essa a minha convicção. Creio que o indivíduo deve pertencer à seita dos Fairusistas, da Wikipédia. Para quem desconhece esta guerra - existem duas facções de Wikipedistas: os que defendem que devemos aproveitar a doutrina legal norte-americana do Fair Use, de modo a ser possível inserir nos artigos do projecto conteúdos (imagens, principalmente) protegidas por direitos de autor; e aqueles que só conseguem conceber a Wikipédia constituída apenas por conteúdos livres, de modo a facilitar a sua disseminação - facção a que pertenço. Passo a copiar a resposta que dei, um dia a um wikipedista que não compreendia esta minha posição:

Nem sequer são as razões legais as que deviam contar na decisão, mas as de carácter filosófico e de princípios. Queremos a Wikipédia como um conjunto de saberes e conteúdos livres, acessíveis directamente a todos, facilmente disseminada (o que inclui, também, ser vendida - desde que o vendedor não proiba a livre cópia e desenvolvimento dos conteúdos), ou uma Wikipédia mais completa, com mais imagens (algumas das quais seriam, de certeza, bastante úteis e informativas, não o nego) mas que não se distinguirá de qualquer outro site da Internet porque os seus conteúdos deixarão de ser totalmente livres? Com conteúdos não livres, estaremos a providenciar uma mentira, acima de tudo: estaremos a dizer "estes conteúdos podem ser livremente usados", quando não podem. Estaremos também a fomentar a irresponsabilidade de usuários que não entendem o sejam direitos de autor e que usarão o pretexto do Fair Use para minar ainda mais a credibilidade da Wikipédia. As discussões sobre o que será ou não Fair Use enterrarão ainda mais a Wikipédia em burocracias que castram por completo a capacidade criativa dos usuários, presos a questões legais (porque aceitar o Fair Use não irá descomplicar, mas complicar - porque o Fair Use não significa "poder usar qualquer conteúdo desde que para fins educativos", como sustentam os a favor - de facto, tal como na Wikipédia em inglês, cada caso terá de ser visto isoladamente para verificar o quão legítimo é o seu uso - resultado: ficaremos entupidos com material violador de direitos de autor que não poderemos apagar de imediato porque ficará numa enorme lista de espera de material supostamente usado de forma legítima). A sua adopção fará com que artigos, já ilustrados, não mereçam a atenção de possíveis criadores de conteúdos livres (alguém se dará ao trabalho de arranjar material ilustrativo livre, provavelmente menos apelativo, quando um artigo já está belamente ilustrado com conteúdos não livres????). (...) [este assunto] envenenou por completo a Wikipédia em português - tornando-a de um passatempo edificante e um prazer, um centro de amargura, traições, falsidades, hipocrisia e terrorismo psicológico. Talvez não tenha seguido o início desta discussão. Foram os Fairusistas quem começou a minar a esplanada, depois de uma votação clara sobre o assunto, chamando todos aqueles que tinham até então dado o seu melhor pelo projecto, de ditadores, espalhando mensagens de arrogância e desrespeito pelas ideias dos outros... Não tenho a menor dúvida (nem sequer uma pequena ponta de dúvida) de quem tem sido mais prejudicial à Wikipédia, ainda que ambos os lados se tenham expressado de forma menos própria. Espero, apenas, que, com o tempo, consiga separar o trigo do joio. Claro que espero manter contigo uma relação frutífera e amigável. E é como amigo que lhe peço para pensar sobre o assunto. Ler tudo o que já foi escrito (até as coisas "reprováveis" - somos humanos e perdemos por vezes a cabeça, mas quem não utilizou já linguagem menos própria quando vê os seus sonhos ameaçados pela inconsciência e irresponsabilidade dos outros?). Abraço grande, mesmo que um dia venha a contribuir para que este meu sonho, de uma Wikipédia livre, seja derrubado por algo tão fútil como o uso de conteúdos que não servem aqueles que deviam ser os nossos principais objectivos (a liberdade de disseminação dos conhecimentos). Como já disse por várias vezes: sou a favor da liberdade na Wikipédia, até da liberdade de a arruinarem adoptando políticas irresponsáveis e que negam os seus princípios fundadores. (23 de Abril de 2006)

Ora, nisto tudo, onde entram os assassinos? Simples, no calor do debate, deu-me, a certa altura, para chamar de criminosos e assassinos a todos os Fairusistas. Mantenho a ideia de que são assassinos, de facto, mas assassinos de ideias - mas deixei-me de tais discussões, até porque a hipocrisia e os paninhos quentes constituem, talvez, o pior da Wikipédia, na sua vertente de "comunidade". Seja como for, a facção dos Fairusistas é, em termos gerais, composta por provocadores. Os usuários novatos bem intencionados acabam por riscar o seu nome da lista à medida que se vão percebendo do género de gente a que estão a fazer companhia. O nosso amigo estava, portanto, muito provavelmente, à procura de provas que me incriminassem como "vândalo" e "difamador", até porque, apesar de andar ultimamente arredado daquelas paragens, ainda sou considerado por alguns como "o Papa" anti-fair-use... Creio que está explicado o mistério.
publicado por Manuel Anastácio às 21:18
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4 comentários:
De Maria Helena a 30 de Julho de 2006 às 22:59
Ficou mesmo agastado... :-))
De Manuel Anastácio a 30 de Julho de 2006 às 23:12
:) Por acaso não... Isto é: agastado, só com os Fairusistas... Não com o visitante...
De Artur a 31 de Julho de 2006 às 19:53
Agora, de todos os Manueis Anastácios só tens de descobrir algum que tenha falecido recentemente sob causas suspeitas para te dar uma indicação de quem é que anda a chegar ao teu blog com tão sugestivos termos de pesquisa...
De Manuel Anastácio a 31 de Julho de 2006 às 23:55
Espero que o caro "Nhonhô" de Cabo Verde não tenha sido assassinado por nenhum Fairusista... Custa-me fazer piadas com tragédias, mas é o único que, tanto quanto saiba, já faleceu.

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