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Domingo, 11 de Setembro de 2005
(Des)ilusão

Ouroboros  romance de Chekhov, o Duelo, começa com dois amigos dando um mergulho matinal nas águas frias do Cáucaso. Laievski queixa-se da ilusão de ter amado uma mulher casada, de a ter levado de casa e com ela ter-se desterrado num fim de mundo... Aquilo que tinham sido beijos, declarações, ideais, tinha descambado na monotonia provinciana de uma vida desalentada. Laievski é uma personagem desagradável desde a primeira página. Irresponsável, egoísta, ocioso, um diletante pretensioso... e cego. Está tão ocupado em odiar a vida monótona da aldeia caucasiana e os langores da mulher que arrancou de uma vida de respeitabilidade, que não vê nada. Tão ocupado em lamentar a ilusão de ter amado, que apenas quer fugir, seguindo os mesmos passos que o levou à desilusão em que se encontra. A desilusão persegue-nos os passos e aponta sempre o mesmo caminho: aquele que a ela dá: um ouroboros que se devora a si mesmo - a imagem do Universo real - a imagem da verdade.

Depois, existe Von Koren, um zoólogo adepto dos mais selvagens corolários da selecção natural. Segundo ele, Laievski é um cancro que tem de ser extirpado da sociedade. "No interesse da humanidade, e no seu próprio interesse, tais indivíduos devem ser suprimidos. Suprimidos!" - defende energicamente... Ao que Samoilenko, o amigo de Laievski, riposta: "Se for necessário afogar ou enforcar pessoas, então a tua civilização que vá para o diabo! Eis o que eu te digo: és um homem muito instruído, um espírito aberto, que honras o teu país, mas os Alemães contaminaram-te! Sim, os Alemães, os Alemães." (o romance é de 1891...)

Laievski tenta fugir da aldeia e abandonar a mulher, pouco depois de lhe ter dado a notícia da morte do marido. A situação conduz a uma troca de palavras violentas com Von Koren e é marcado um duelo. Laievski, entretanto, descobre a mulher na cama com outro. Na véspera do duelo, Laievski, consciente como nunca dos seus próprios defeitos, com nojo de si mesmo, vira, uma após outra, as páginas da sua vida e chora as lágrimas amargas que banham as páginas escritas pelo destino, sem as apagar. Aceita como necessária a sua aniquilação. A desilusão aparece-lhe agora de outra forma: já não é a desilusão que remete para um futuro tão ilusório como o presente. O ouroboros vomitou a sua cauda e estende-se em agonia. Não resta qualquer esperança. É apenas um verme que tem de ser pisado. É, também, a imagem da verdade, tão límpida quando a pode revelar a lupa meticulosa da zoologia...

"Que morra hoje ou amanhã, tanto faz, uma vez que estou perdido. Que essa mulher desonrada se mate de desespero, ou arraste a sua existência numa vida lamentável, de qualquer forma, ela está perdida." A aproximação da hora fatal do duelo traz-lhe ao pensamento memórias de infância. Percebe que o mundo nada ganhou com a sua vida. Nem uma simples erva nasceu dos seus esforços nulos... É perfeitamente normal que aceite o extermínio. Deseja-o, mesmo. Entretanto, as testemunhas do duelo chamam-no para o acto de honra. Laievski dirige-se para a cama onde está a mulher, com que ainda não falou desde o momento em que a encontrou nos lençóis da traição... Ela acorda sobressaltada e treme, ignorando que o companheiro segue para um duelo de onde pode não voltar com vida. Ele aperta-a nos braços e beija-a. "Depois, como ela murmurasse qualquer coisa, acariciou-lhe os cabelos e, ao olhá-la, compreendeu que essa mulher viciada, depravada, infeliz, era para ele um ser único, insubstituível.

Quando subiu para o carro, desejou regressar com vida."

Laievski descobria de novo a verdade e descobria de novo o verdadeiro significado da desilusão. Era como se as ilusões estivessem encerradas umas nas outras, como matriochkas e, no fim, descobrisse que aquela que lhe parecera a maior ilusão - o seu amor por Nadejda - fosse a mais irredutível das verdades e a única que o poderia resgatar da sua vida mesquinha e inútil.

Só para dizer que a desilusão não é perder ilusões - é criar outras... E nem sempre criamos as melhores - principalmente quando sabemos perfeitamente aquilo que há de mais essencial em nós, intuitivamente, e feitos parvos corremos a destruir as verdades que nos correm nas veias, apenas para erigir o castelo ilusório da amargura egoísta. E aquilo que há de mais essencial em nós é simples. Não obedece a lógicas. Descansa num primeiro beijo impossível, dado na distância, numa noite em que a ilusão do beijo foi a mais violenta das verdades.

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publicado por Manuel Anastácio às 23:25
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