Domingo, 22 de Setembro de 2013
Limite
En Puntas (excertos), de Javier Pérez

Ergues sofrimento em aura de libertação,

Detestando cada passo que dás,

E que arriscas

Em rígida compostura de concentração.

Disciplinas os teus passos,

Com o metrónomo da castração.

Riscas, perfuras, afundas.

Verticalizas em ansiedade,

As vertigens mais profundas. Justificas

A digna escolha da tua prisão,

E, em verdade,

Dás-nos o espetáculo da tortura,

No teu verde vício de procura,

A que te submetes docemente, com ódio na garganta.

És o teu pior carrasco.

Por isso dizem que és bela e que és santa,

no teu porte de oferenda em sacrifício.

No inocente exercício de ser criança.
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publicado por Manuel Anastácio às 12:37
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