Terça-feira, 9 de Abril de 2013
Para Thatcher

A populaça e a desordem

comem dinheiro. Os sindicatos

são um formigueiro,

carraças do gordo perdigueiro que abraças.

E a lei, do teu lado,

é musculada.

És assim, feita de nada,

entregue à decadência e à vermícola bicharada

ou às labaredas que disso te poupam.

Todos morremos, até quando sobrevivemos

e enchemos a memória do Universo

das nossas bestiais convicções.

Formiga

Cigarra. Ninguém te agarra.

O que poderias ter sido e não foste, burguesa

proletária, guerreira, santa asneira, diarreia

Mãe desnaturada.

Heroína louca disciplinada.

Lambes liberdade nas chagas da fome

E o povo engole, das tuas pústulas, o ávido apetite

da desconsideração.

No teu chão floresce absinto

e as estrelas prestam-te homenagem.

Curva-se a criadagem ao excesso de batom

que se te cola aos dentes.

Entrementes, o mundo apodrece como sempre

E na madeira bichosa da tua lição nascem os teus santos seguidores

edificadores do anátema da destruição.

Desapareceste antes de desaparecer.

As bandeiras da mediocridade já pendiam a meio

muito antes de te fechares em demência,

E nem o santo sudário da Meryl Streep

te servirá de relicário. Adeus.

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publicado por Manuel Anastácio às 22:30
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4 comentários:
De jrd a 10 de Abril de 2013 às 15:45
Muito bom!
Absolutamente demolidor, apesar de o cadáver -adiado-já estar há muito em decomposição.
De Manuel Anastácio a 10 de Abril de 2013 às 22:58
Há muito. Deveria ter sido deposta no auge das suas férreas capacidades.
De lengo d'noronha a 12 de Abril de 2013 às 01:36
adeus mesmo!
De Jóni a 18 de Maio de 2013 às 16:41
Qual a responsabilização que existe para quem defende um sistema que prejudicou as pessoas?
Neoliberalismo continua vivo, não se pensam em alternativas.
http://inventariopolitico.blogspot.pt/

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