Terça-feira, 2 de Abril de 2013
Soneto retro fashion

A vida abre-se agora. Repara

como cai a teus pés a primavera.

De flor e seiva não sejas avara,

Beija as tempestades como uma fera.


O promontório da minha vontade

verdeja dos perfumes do desejo,

e ressuma no âmbar da verdade,

nos cheiros de alecrim e de poejo.


Quero-te embriagada nos meus braços,

Liberta de vergonhas e embraços

dos noivos que já fomos e não somos.


Bebe! De Dioniso a quente fonte,

Sê! De Apolo, mais largo horizonte,

No lírico equinócio que compomos.

Artigos da mesma série:
publicado por Manuel Anastácio às 20:19
link do post | Dizer de sua justiça | Adicionar aos favoritos
3 comentários:
De glaucia lemos a 3 de Abril de 2013 às 18:07
Este é o Manuel Anastácio, o poeta inesquecível de antigas rimas e precisos versos. Vc se dá muito bem com o soneto, sim senhor, por q ter preconceito? É um formato clássico, é sim, mas poesia está acima de época e de tendências. Que belíssimo soneto. Em especial, permita, os dois tercetos, quanta sonoridade, que coisas lindas eles dizem, na espontaneidade da cadência e na expressão do discurso. Por estas e outras é q me orgulho de ser sua amiga e tê-lo naquele lugarzinho especial do peito esquerdo, no qual poucos entram para ficar. Bravo !!! Bravíssimo!!!
De jrd a 3 de Abril de 2013 às 19:43
Um belo soneto com boa memória.
De Manuel Anastácio a 3 de Abril de 2013 às 22:06
Bem, obrigado...

Dizer de sua justiça

.pesquisar