Domingo, 31 de Março de 2013
Lamento

Não pode o mundo salvar-se à conta de uma árvore

nem à sombra da poesia.

Mas pudesse o mundo

salvar-se, e seria na seiva calada dos ramos da madrugada,

que todas as árvores são manhãs

e todas as sementes são poemas.

Fosse o contrário,

Mas na boca dos poderosos

a palavra do poeta é um ruído ordinário.

Cita os profetas a sua própria negra profecia.

Vendem mentiras e morte com as sementes da madrugada,

arrancam árvores com as próprias mãos da alegria.

Não,

Não pode salvar-se o mundo à conta de uma árvore,

nem à sombra da poesia.

 

"Um poema ou uma árvore podem ainda sal­var o mundo." - Eugénio de Andrade

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publicado por Manuel Anastácio às 05:05
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5 comentários:
De jrd a 31 de Março de 2013 às 17:49
Se a poesia cantar a floresta, talvez ainda haja salvação para o mundo.
De Manuel Anastácio a 31 de Março de 2013 às 17:55
Se o Mundo salvasse uma floresta, isso sim, seria poesia. :)
De jrd a 31 de Março de 2013 às 20:23
Pois, mas não há poetas na Amazónia...
De Manuel Anastácio a 31 de Março de 2013 às 20:45
Nâo? Olhe que há, olhe que há... :)
De Otília Martel a 31 de Março de 2013 às 19:46

"...
Não,
Não pode salvar-se o mundo à conta de uma árvore,
nem à sombra da poesia."

Há muito mais a fazer...

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