Sexta-feira, 29 de Março de 2013
LXIII

Francisco José Viegas indigna-se com a expressão "essa gente" usada por Sócrates. E indigna-se bem. A expressão é insultuosa. Mas é muito frequente na boca do povo que sustenta as mentiras e "embustes" deste governo... "Essa gente", os romenos, essa gente, os vadios que viviam do RSI, essa gente, que não tem onde cair morto, essa gente que faz abortos como se fosse um desporto, essa gente que dá o cu por dois tostões, essa gente. Não pertenço a essa gente que idolatra Sócrates. Detesto Sócrates até à medula, Sócrates, o João Batista que veio aplanar o terreno para Coelho, um Messias menos carismático que o Batista, menos elegante que o Batista, mas de longe mais capaz de fazer o milagre da multiplicação das chagas e dos leprosos... Essa gente. Perguntaram, provavelmente, ao novo papa, a quem queria lavar os pés. Ele podia ser realmente politicamente correto, como tem vindo a ser, e dizer: sorteiem alguém, é indiferente - e isso seria um ato belo. Mais belo seria perguntar se alguém lhe quereria lavar os pés. Encheria, com certeza, o escolhido, de uma felicidade imensa, ao mesmo tempo que assumiria que não é digno de imitar a Cristo e imitaria, pelo contrário, o supostamente primeiro bispo de Roma, que terá sido crucificado de pernas para o ar por não se sentir digno de morrer como o seu Senhor.  Mas não, escolheu alguém dessa gente que não lembraria ao diabo, reclusos, mulheres(!), muçulmanos... num extremo de humildade... o povo católico comoveu-se com um ato que só serviu para reafirmar que essa gente é... essa gente. Se fossem tratados como gente, o senhor não lhes teria lavado os pés. Isso diz muito sobre essa gente.

 

publicado por Manuel Anastácio às 02:07
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4 comentários:
De jrd a 29 de Março de 2013 às 20:57
FJV picou-se. É natural, ainda há pouco, ele era um ajudante da governança (para usar o léxico cavaquês), i. é, fazia parte de “essa gente”.
Agora que voltou à escrita, esforça-se por limpar a imagem mas, visto assim à distância, continua a parecer mais próximo de um livro de cheques do de um livro propriamente dito. Visto de perto fica-se com a certeza...
A necessidade de se branquear é tanta, que ainda o vamos ouvir mandar a “ gente que não é essa”, tomar no sítio onde as pessoas da cultura o mandaram tomar a ele, enquanto desempenhou o papel de idiota útil como chefe de secretaria.
Apesar de tudo FJV é um destemido e o Engenheiro-filósofo de aviário fez-lhe um favor.
De Manuel Anastácio a 29 de Março de 2013 às 21:15
Não precisava de tanto. Este governo ainda merece a aprovação de uma larga maioria dos portugueses. Ah... mas esses não compram a revista Ler nem livro que não seja das Edições Paulistas... está certo.
De jrd a 30 de Março de 2013 às 00:32
Se calhar compraram o seu (dele) "Dicionário de Coisas Práticas" concebido no Correio da Manhã.
bfs
De Manuel Anastácio a 31 de Março de 2013 às 00:15
Confesso que tenho respeito por muito do trabalho do FJV... Quando o vi entre "aquela gente" senti-me um bocado defraudado. Apesar de não o conhecer pessoalmente, existia por ele alguma estima que foi, de algum modo, maculada. Mas da mesma forma que vou tendo amigos que têm ideias políticas deste quilate, posso continuar a admirar parcialmente pessoas com opções políticas que me enojam...

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